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“Instagram” ou “Estragram”? 2.5/5 (2)

Para não dizerem que sou um pessimista, (“O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso”.- Ariano Suassuna) eu admito e louvo o fato de que as facilidades trazidas pelos iPhones e afins fizeram com que a alfabetização fotográfica, que já ocorreu faz algumas décadas além mar, tivesse início no Brasil.

Vejo hoje que as pessoas fotografam de tudo um pouco de seus cotidianos e vejo também que muitas vezes surgem boas imagens, a única dificuldade é manter a qualidade. Mas já é um grande passo, afinal nem toda pessoa alfabetizada na escrita é um poeta ou escritor.

Bem, voltando à interrogação que intitula o texto é um singelo jogo de letras com o qual costumo contemplar meus alunos, pois percebo um excesso de utilização desse aplicativo e outros tantos semelhantes. O hábito se tornou tão frequente que até mesmo em publicações de grande circulação observa-se a utilização de tais aparatos para ilustrar uma reportagem ou algum trabalho de publicidade.

Modismos à parte eu admito que toda inovação é bem vinda, inclusive para gerar um maior interesse pela observação e produção de imagens, mas chega um ponto de saturação em que a criatividade inicia a parábola de queda e aquilo que era novo começa a cansar o olhar.

Concordo que uma foto realizada com um “equipamento” (reparem nas aspas) que não possua qualidade ótica ou tampouco recursos outros como um bom diafragma e velocidade possa se beneficiar de aplicativos que alterem cores e texturas, trazendo um certo ar de criatividade e/ou novidade. O que me incomoda é quando vejo fotógrafos amadores ou profissionais que estejam trabalhando com bons equipamentos fazerem uso de tais aplicativos, aí é que essa utilização constante começa a esbarrar na falta de competência técnica para a realização de uma boa imagem. Percebam que os recursos físicos básicos de uma boa câmera fotográfica não modificaram tanto desde as boas analógicas até as atuais DSLR.

Por isso é que sem querer ser “out of date” eu me preocupo com o uso descuidado e desmedido de tais aplicativos, que muitas vezes conseguem estragar por completo uma imagem razoável ou boa e que indubitavelmente não irão melhorar uma foto ruim.

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Erico Mabellini

Erico Mabellini, com mais de trinta anos de experiência como fotógrafo, trabalhou nas mais diversas áreas: moda, fotojornalismo, publicidade, eventos, documental.... É também jornalista e graduado em Direito, com especialização em Direito Autoral e Direito Ambiental. Leciona Fotografia e História do Direito. Fundador a editor da ONG Tribuna Animal, atualmente dedica-se à fotografia de animais e natureza.

19 Comentários

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  • Acredito que tudo depende de uma boa seleção! No Twitter, você pode seguir pessoas que postam frases maravilhosas e outras que são um lixo. No Facebook, pode seguir pessoas ou páginas que acrescentam em sua vida ou que só reclamam da própria vida. No Instagram tem muito perfil com fotos superinteressantes, alguns com muita técnica, alguns perfis que dão dicas de fotografia, outros que destacam fotos de determinado tema, bem como existem perfis que fizeram de lá só uma forma de publicar foto 1×1 com filtro (inclusive compartilhando direto no Facebook). Basta peneirar e seguir apenas os perfis que interessam!

  • È verdade de tantas as pessoas utilizarem em sua fotos acaba sendo chato, no entanto para usuários leigos em fotografias ou mesmo que sabem editar suas fotos com editor de imagem, é uma novidade bem interessante já que elas poderá aplicar efeitos a partir de um botão.

    aprovei o segundo comentário coloque o site errado no primeiro comentario

  • È verdade de tantas as pessoas utilizarem em sua fotos acaba sendo chato, no entanto para usuários leigos em fotografias ou mesmo que sabem editar suas fotos com editor de imagem, é uma novidade bem interessante já que elas poderá aplicar efeitos a partir de um botão.

  • Se existisse Instagram na época de Joseph Nicéphore, Louis Daguerre, Frederick Archer e William Talbot, acredito que eles usariam o aplicativo para se divertir com suas imagens, da mesma forma que Shakespeare, Drummond e Camões adorariam o Twitter e o Facebook.
    Não sou profissional nem amador, mas faço fotografia desde 1998, quando usava uma FM10. Resisti à internet por muitos anos, não queria nem saber como funcionava os blogs e sites. Mas, enfim, eu entrei na web no dia 11 de dezembro de 2011; foi minha primeira vez. Adorei o Twitter, porque há anos eu colecionava e compunha frases: é perfeito pra mim! Gostei do Facebook por poder criar páginas diferentes. Foi recentemente que eu criei uma conta no Instagram, e gostei muito; vejo e curto lindas fotos (sem filtros) de pessoas de vários países; também posto minhas fotos lá @albinodiass
    É preciso separar as idéias. Fotografia profissional envolve papel, mas também pode ser apenas uma imagem digital postada na web.

  • Vejo o Instagram apenas como uma simples rede social direcionada para o público jovem que gosta de publicar suas fotos com seus excessos em seus perfis. O empreendedor via uma oportunidade em entrar no mundo online e ganhou seu lugar ao Sol.

  • A parte dos comentários que mostra que alguns leitores ficaram no ar, sem chão, com a necessidade de uma finalização, uma ordem final, um direcionamento, é lamentável.
    O texto passou a mensagem. Quem não entendeu, por gentileza, releia. Não é preciso uma dissertação para explicar algo tão simples. Mas tudo bem: seguindo a frase do autor, nem todo alfabetizado será necessariamente um poeta, assim como necessariamente um leitor de primeira.
    Quanto ao Estragam, serve para divertir, ser passatempo da galerinha e meio de comunicação para quem fizer um esforço. Ainda não vi uma foto lá que me fizesse dizer "Uau". Na verdade, chuto que 90% das imagens lá são um lixo, hype apenas por conta de um ou outro filtro pra imitar envelhecimento. Eu mesmo já postei desinteressâncias lá e uma vez perdida publico alguma foto cheia de filtros. Para mim é só pra isso que serve. Não consigo olhar para lá na esperança de encontrar referências para bons trabalhos. Quando quero isso, procuro no 500px.com. Lá sim tem fotógrafos de verdade, não apenas clicadores.
    Da mesma forma que no Twitter ou no Facebook nos empolgamos e digitamos porcarias sem pensar duas vezes, no Estragam e em outras redes que usam foto publicamos imagens inúteis na maior parte do tempo. É normal.

  • Uma rede social onde o principal motivo é brincar com filtros, fica dificil colocar em julgmento o seu uso excessivo ou não. Quando algo se populariza ele obveamente perde sua proposta. Principalmente uma rede como o instagram que usa da forografia como sua linguagem. Obveamente ele chegaria nas mão de quem não está nem ai pra fotografia, viria a se popularizar. Acho ainda o fato das hashtags sem noção, ser um assunto a encarar com muito mais criticidade do que o uso de filtros ;)

  • Olá Ananda.

    Essa eu é que não entendi….você escreve
    "sou fotógrafa mas eu separo muito bem o instagram do meu trabalho…vejo o instagram mais como um 'passa-tempo'.. "
    "pra mim o problema está em quem leva A SÉRIO o aplicativo e acha que é 'trabalho'..
    vejo vários fotógrafos que postam making-ofs, ou até fotografam um 'dia da noiva' com o telefone, mas apenas por registro, pela brincadeira, pra poder compartilhar com as redes-sociais na mesma hora…e nao ter que esperar baixar-tratar a foto no computador… "

    E ao final diz que escrever sobre a utilização excessiva do Instagram profissionalmente é implicância?

    Filtros e manipulações sempre existiram, desde as chapas de vidro até mais recentes filmes fotográficos. Chegando à atual era digital de uma forma mais rápida e por vezes sem necessidade de pensar. Sendo assim não tenho implicância com manipulações fotográficas, desde que realizadas para um fim especifico (de preferencia artístico) e que melhorarem a imagem.

    Tem o lado bom que populariza e alfabetiza as pessoas com relação à imagem. No entanto um mau professor ou um aluno preguiçoso poderão realizar uma alfabetização duvidosa que irá dar muito trabalho no futuro. It's life.

    • Eu tb tive a mesma impressão….tentou explicar, mas argumentou o que o Erico quis dizer…tudo bem discordar, mas explique com coerência.

  • Eu não concordo com esse texto..acho o instagram uma rede social MUITO legal, onde qq um pode se apaixonar pelo fato de tirar foto de qualquer coisa, sem o compromisso de estar tudo tecnicamente perfeito…que tu pode compartilhar instantaneamento o que tu está vivendo naquele momento, aonde tu está…enfim, qq coisa mesmo…

    Eu sou fotógrafa mas eu separo muito bem o instagram do meu trabalho…vejo o instagram mais como um 'passa-tempo'..
    pra mim o problema está em quem leva A SÉRIO o aplicativo e acha que é 'trabalho'..
    vejo vários fotógrafos que postam making-ofs, ou até fotografam um 'dia da noiva' com o telefone, mas apenas por registro, pela brincadeira, pra poder compartilhar com as redes-sociais na mesma hora…e nao ter que esperar baixar-tratar a foto no computador…

    Não vejo qual o motivo de tanta implicancia com os filtros, ou com os aplicativos..é uma ferramenta divertida e ponto…ninguem vai deixar de ser fotografo ou vai trocar uma '5d' pelo seu smartphone…
    Nenhum 'fotógrafo' de instagram vai 'roubar mercado', até pq ele nao deve ter tanta técnica pra isso…

    Acho que o problema nao é o exagero no uso do aplicativo e sim o exagero é a implicancia…

  • Concordo totalmente com a opinião do Eurico e, sobretudo com o texto, que não se trata e tampouco deveria ser um tratado sobre Instagram. Na minha opinião, o autor foi absolutamente objetivo e pragmático em suas idéias.
    A boa fotografia, executada com inteligência, técnica e sensibilidade, dispensa qualquer aplicativo para salvar um trabalho medíocre. Entretanto, defendo o domínio de uma excelente edição, assim como era feita nos velhos tempos da fotografia analógica, em que dominar as técnicas do quarto escuro eram fundamentais.
    Experimentação, filtros, aplicativos são bem vindos…com bom senso.

  • ola' Erico,
    concordo com vc integralmente. Gosto dos aplicativos, acho que sao necessarios, mas o uso indiscriminado acaba tirando a naturalidade e originalidade da imagem, que para mim sao fundamentais.
    talvez, para publicidade, onde a dinamica do trabalho e' grande, esses aplicativos sejam importantes do ponto de criacao.
    Acho que tudo e' valido quando nao e abusivo!

  • Caro Samuel.

    Não e uma critica à pós-produção, pois concordo que tenha sempre existido e acho que é tão responsável pelo resultado final de uma foto quanto o momento do clic. O artigo é apenas um convite à reflexão sobre o uso excessivo do instagram e outros aplicativos semelhantes.

  • Concordo com o Paulo, acho que faltou desenvolver. Do ponto de vista literário mesmo, há diversas ideias desconexas e parágrafos sem ligação. E o título não tem nada a ver com o texto.. afinal o que é "Estagram"? o texto não explica…

    Acho que é uma demagogia muito grande atirar tantas pedras na pós-produção, ela sempre existiu e toda grande campanha publicitária usa e abusa dos seus recursos. Agora, colocar o recurso em cheque no momento em que ele se torna comum entre a população?

  • Concordo, Erico. O Instagram é bacana e tudo, mas as pessoas exageram no uso de filtros. Outro dia vi um anúncio de venda de carro com fotos carregadíssimas de um filtro Polaroid totalmente artificial.

  • Interessante a idéia do texto – concordo inteiramente com o autor. Porém, acho que faltou desenvolver o artigo. Me deu a sensação de um texto inacabado.

    • Olá Paulo.

      Obrigado pelo cometário.

      A ídeia é essa mesma, deixar um espaço para a reflexão, pois nem todo tratamento realizado com aplicativos estraga a qualidade final de uma foto. Sendo um breve e simples artigo de opinião a pretensão não foi esgotar o assunto, o tema é capaz de gerar inclusive uma tese sobre a influência da pós-produção, desde o velho, bom, trabalhoso e escuro laboratório quimico, até alguns poucos cliques realizados em excelentes aplicativos digitais de uma sala clara.
      Especificamente sobre o instagram e semelhantes, sua grande contribuição foi o fato de fazer com que a manipulação de uma imagem esteja acessível a qualquer pessoa que tenhas em mãos um celular que contenha essa facilidade, o que também pode gerar outras teses em vários setores acadêmicos, inclusive na área da antropologia.
      Finalizando, mas ainda correndo o risco de estar inacabado, o que irá definir a qualidade final será sempre a visão estética do fotógrafo e a finalidade para a qual a imagem foi pensada.

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