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Mirrorless vs. DSLR — parte 3

Uma mirrorless é uma maravilha em comparação a uma DSLR? Nem tanto — e Nasim Mansurov diz os porquês.

 
de: Nasim Mansurov /Photography Life]
imagem (câmera quebrada): Shutterstock
(perdeu a 1ª parte?)
 

Limitações das câmeras mirrorless

Falamos das muitas vantagens de câmeras mirrorless sobre DSLRs. Agora vamos falar sobre algumas de suas limitações atuais:

  1. Retardo (lag) do EVF: algumas das implementações de EVF atuais não são muito sensíveis, resultando em atraso considerável. Enquanto este é certamente um incômodo em relação a OVF, no momento, é uma questão de tempo até que o lag seja eliminado. As últimas EVFs já são muito melhores do que o que costumava ser antes. Mas à medida que as tecnologias de EVF evoluírem, a questão do lag será resolvida completamente. [nota: a Fujifilm X-T1 parece já ter solucionado este ponto]

  2. AF contínuo / rastreamento de assunto: enquanto a detecção de contraste já atingiu níveis muito impressionantes em câmeras mirrorless, elas ainda são muito fracas no desempenho de autofoco contínuo e acompanhamento de tema. Isso as torna, no momento, praticamente inutilizáveis para a vida selvagem e fotografia de esportes. No entanto, com o surgimento de sistemas híbridos de foco automático e seu desenvolvimento contínuo, em breve começaremos a ver as câmeras mirrorless com capacidades muito melhores de autofoco contínuo. Uma das razões por que as câmeras mirrorless têm sido lentas neste departamento, é porque a maioria dos sistemas mirrorless são pequenos e não exatamente adequados para lidar com teleobjetivas de grande porte. Assim, os fabricantes não têm colocado muito dos esforços de seus setores de pesquisa & desenvolvimento para esta área específica. Novamente, é uma questão de tempo até que isso seja implementado em câmeras mirrorless [nota: a Fujifilm já tem investido em TOs, e há uma superzoom prevista para sua linha X].

  3. Vida útil da bateria: uma outra grande desvantagem de câmeras mirrorless neste momento. Fornecer energia para LCD e EVF continuamente leva a desgaste da vida da bateria, e é por isso que a maioria das câmeras mirrorless tem estimativas de cerca de 300 fotos por carga de bateria. As DSLRs são muito mais eficientes com energia, em comparação, normalmente na faixa de 800+ cliques por carga. Embora não seja um grande problema para a utilização normal da câmera, poderia ser um problema para alguém que viaja e tem muito pouco acesso a energia. Ainda assim, eu acredito que a questão da bateria também é algo que irá melhorar significativamente no futuro. Baterias serão mais poderosas e telas de LCD sedentos por energia serão substituídas por OLED e outras tecnologias muito mais eficientes.

  4. Padrões de ponto vermelho (red dot): devido à distância flange muito curta, a maioria das câmeras mirrorless sofre de um problema de “padrão de ponto vermelho”, que se torna visível quando se clica em pequenas aberturas tendo o Sol no quadro. Basicamente, os raios de luz são impelidos para frente e para trás entre o sensor e o elemento traseiro da objetiva, criando padrões de grade em vermelho (e, por vezes, outras cores) em imagens. Infelizmente, não há nenhuma maneira de contornar esta limitação em todas as câmaras sem espelho com uma certa distância flange curta, como discutido aqui .

  5. EVF de contraste forte: a maioria dos EVFs projetados têm hoje um contraste muito forte, “turbinado”, similar ao que vemos em nossas TVs. Como resultado, você vê um monte de pretos e brancos, mas muito pouco tons de cinza (que ajudam a entender o quanto de faixa dinâmica pode ser capturada). Embora se possa olhar para a sobreposição do histograma no EVF, ainda é um incômodo. Os fabricantes terão de encontrar maneiras de fazer com que as imagens exibidas em EVFs sejam mais naturais.

Como você pode ver, a lista é bastante curta e espero que fique ainda menor nos próximos anos. Acredito que todas as questões acima são transigíveis ​e vão ficar melhor a cada geração de câmeras mirrorless.

Em resumo, eu gostaria de dizer que DSLRs simplesmente não têm como competir com mirrorless no futuro. Eu não estou dizendo que todo mundo vai estar mudando para câmeras mirrorless menores e mais leves em breve — não, ainda estamos longe desse ponto. No entanto, simplesmente não faz sentido para os fabricantes como Nikon e Canon continuar investindo em fazer melhores DSLRs, quando a vantagem tecnológica é claramente das mirrorless. Abaixo está o que eu acredito que a Nikon e a Canon devem fazer em um futuro próximo.

Calma, não é uma mirrorless! (c) Shutterstock

Futuro das mirrorless Nikon

Atualmente, a Nikon possui três formatos diferentes e duas montagens: 

  1. CX – mount mirrorless da Nikon, câmeras com sensores 1″. Atual linha de câmeras: Nikon 1 AW1, J3, S1, V2

  2. DX – mount F da Nikon, sensores APS-C. Linha de câmeras atual: Nikon D3200, D5300, D7100, D300s

  3. FX – mount F da Nikon, sensores full-frame de 35mm. Linha de câmeras atual: Nikon D610, D800/D800E, D4

 Quando todo mundo estava indo para as mirrorless, Nikon acabou criando um novo mount mirrorless (CX), com um pequeno sensor de 1″. Enquanto a imagem e a tecnologia de focagem automática das câmaras Nikon 1 são boas e todo o sistema é bastante compacto, o maior problema é o pequeno tamanho do sensor. Com um sensor 1″ (que é muito menor do que APS-C, conforme mostrado abaixo), as câmaras Nikon 1 simplesmente não podem competir com APS-C na qualidade da imagem, bokeh e faixa dinâmica, assim como o APS-C não pode competir com o full-frame, ou o full-frame não pode competir com o formato médio. Simplificando, a Nikon tem uma desvantagem com o tamanho do sensor com o seu sistema CX / Nikon 1.

Tamanhos de sensores fotográficos

Então, qual é o caminho lógico para a Nikon se mudar para mirrorless? Essencialmente, a Nikon tem um par de opções para DX e FX:

DX

  1. Criar uma montagem mirrorless diferente, com sensores de tamanho APS-C: esta seria, essencialmente, matar as DX. Um tempo atrás, quando eu postei o artigo “Porquê o DX não tem futuro” [eng], recebi uma série de comentários furiosos de alguns leitores. Bem, passou-se mais de um ano desde esse artigo e ainda acredito que DX não tem futuro em uma grande caixa de DSLR. Para ser capaz de competir com o atual mercado de câmeras mirrorless APS-C, a Nikon tem de criar uma nova montagem com uma distância de flange mais curta. Isto, obviamente, será muito caro para a empresa e vai demorar um pouco para recuperar o atraso com boas lentes. Em vez de duas montagens, a Nikon terá que concentrar-se em três deixar pra lá as DSLRs DX no futuro. Mas se isso não acontecer e a Nikon optar por manter a a mesma distância flange, as câmeras mirrorless APS-C da Nikon estarão sempre em desvantagem em termos de tamanho e volume. Através da criação de uma nova montagem para APS-C, a Nikon pode fazer objetivas e corpos de câmera menores/mais leves.

  2. Manter a montagem F, mas livrar-se do espelho: este é, obviamente, o caminho mais fácil e o mais barato, e aquele que garante a compatibilidade com todas as lentes Nikon de montagem F. Com o espelho deixado de fora, as câmeras mirrorless APS-C poderiam ser menores em altura (sem pentaprisma), mas, obviamente, teriam a mesma profundidade, uma vez que a distância do mount ao sensor tem que manter-se a mesma. Corpos de câmera seriam potencialmente ainda como caixas, já que é difícil projetar com boa ergonomia. Ao mesmo tempo, os corpos de câmera maiores iriam equilibrar-se bem com lentes maiores / mais longas.

  3. Matar o DX: se Nikon não quiser desenvolver um mount separado para APS-C ou de transição destas para as mirrorless com a mesma distância flange, ela também tem a opção de matar o formato DX completamente e concentrar-se apenas nos formatos CX e FX. Este cenário é menos provável de acontecer.

 

FX

  1. Criar um mount mirrorless diferente para sensores full-frame: basicamente, a Nikon pode fazer a mesma coisa que a Sony fez com suas câmeras A7 e A7R. Este cenário é muito improvável que aconteça, pois iria paralisar todos os proprietários de lentes existentes. Com mais de 80 milhões de lentes vendidas até agora, a Nikon estaria atirando no próprio pé, fazendo um novo mount de câmera mirrorless tipo full-frame. Além disso, seria uma grande tolice tentar fazer câmeras full-frame menores. A Sony mudou-se para um corpo de câmera menor, mas eles têm de fazer transigências em relação às objetivas. É opticamente impossível fazer lentes full-frame com um círculo de imagem completo muito menor do que o que são hoje em DSLRs. A Sony pôs-se em risco fabricando lentes mais lentas (f/4 vs f/2.8), então qualquer coisa mais rápida resultará em enormes lentes e problemas de equilíbrio.  A Nikon deve permanecer mantendo a montagem F para full-frame, como discutido abaixo.
  1. Manter a montagem F, mas livrar-se do espelho: isso é mais provável que a Nikon acabe fazendo no futuro. Todas as lentes atuais e as antigas Nikkor irão continuar funcionando, uma vez que a distância flange será a mesma. Câmeras FX de nível Pro ainda serão pesadas e volumosas para um melhor equilíbrio com lentes longas, enquanto as câmeras FX menores e mais leves também estarão disponíveis para aqueles que se preocupam com o peso.

Futuro das mirrorless Canon

Eu acredito que a Canon está em um barco muito melhor do que a Nikon para se mudar para mirrorless. Em primeiro lugar, ela não tem um pequeno formato de montagem para manter, como o Nikon CX. Em segundo lugar, ela já se mudou para mirrorless com sensor de tamanho APS-C — a Canon EOS M é a sua primeira geração [nota: já existe a EOS M2]. Naturalmente, a Canon irá, ao final, passar todas suas câmeras EF-S APS-C para o mount M. A única coisa que vai ficar é o full-frame EF, que provavelmente seguirá o mesmo destino do mount F da Nikon, sem um espelho, mas com a mesma distância flange. Desta forma, a Canon só vai se concentrar em duas montagens — EOS M e EF.


agradecimentos a Lamartiny Sales,
por compartilhar o link pro texto original

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Está oficial e plenamente aberta a discussão sobre câmeras sem espelho (mirrorless) versus câmeras com espelho (DSLR) aqui no DG. Opinem aí nos comentários, no nosso fórum ou na fanpage — queremos saber o que acham da questão!

PS: lembrando ainda que possíveis lapsos na tradução podem ser corrigidos, é só darem o toque! ;)

Alexandre Maia

Clico, viajo, olho, analiso, converso, e repito — em qualquer ordem!

Também estou no Atelliê Fotografia.

8 Comentários

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  • Alguém sabe me dizer se esse problema da sutileza do contraste na EVF é algo apenas do visor ou na imagem produzida pela mirrorless?

    • De marcas de mirrorless (além de Canon e Nikon) o texto, que me recorde, não cita mais nenhuma. Você está referindo-se às pequenas notas que pus em referência à Fuji X-T1?

      Quanto às OMD, me parecem boas, mas não sei como está a situação do lag no EVF nelas, e a bateria "rende" o mesmo (350 fotos), além do sensor ser menor e e eu ter sérias dúvidas se pode se sair tão bem quanto um X-Trans, que além de ser APS-C ainda tem arranjo diferente.
      Por outro lado o fps é bom, tem mais pontos de foco e a pegada parece bacana. Pena a EM1 ser tão cara.

  • Fala Maia, legal que abordou o contraste do EVF, e este seguirá sendo o grande problema para uma fotografia mais criteriosa, mas pro dia a dia, férias, fotografia de rua… aí tranquilo.

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