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O Minimalismo na Fotografia de Flores

Como em qualquer uma das áreas da fotografia, na fotografia de flores também é necessário pensar na composição da imagem final para conseguir transmitir ao expectador o que foi pensado. A composição é o processo pelo qual decidimos o que deve ou não estar em quadro partindo daquilo que queremos transmitir, ela é a tomada rápida de decisões que acontece antes de disparar o botão da câmera. Compreende elementos que vão desde a escolha do assunto, equipamento, enquadramento, luz, técnicas, disposição do assunto no quadro, utilizar cores ou fotografar em preto e branco, movimento, perspectiva, escala e considera até mesmo todo conhecimento cultural e a carga emocional que o fotografo traz consigo e que irão interferir nas escolhas composicionais e resultado final da imagem.

De todos os elementos que compreende o ato composicional na criação de uma imagem com flores, além da luz que é a essência da fotografia, utilizar as técnicas advindas do minimalismo traz outra perspectiva para as fotos. Mas o que é o minimalismo?

A célebre frase do arquiteto Mies van der Rohe “Menos é mais” é o que melhor define este estilo que surgiu na década de 60 em Nova York. Advindo das artes plásticas e influenciando o campo das artes visuais, design, arquitetura e até mesmo a música.

Na fotografia minimalista vamos nos preocupar com a simplicidade, sem ser extremamente simplista, é necessário criar espaços negativos, utilizar padrões geométricos (forte característica do minimalismo principalmente na arte plásticas) e linhas para conduzir o olhar do observador. Outra característica bastante interessante que a fotografia minimalista carrega é o indicio de solidão que é transportado ao expectador através da utilização de poucos elementos em foco e de grandes espaços vazios.

Para não correr o risco de criar uma imagem que não desperte interesse devemos considerar pontos como:

  • Pensar em todo o espaço da fotografia,
  • Remover distrações do olhar controlando a profundidade de campo,
  • Observar a luz,
  • Definir entre uma imagem com cores ou preto e branco,
  • Criar composições geométricas seja com linhas verticais ou horizontais, ou a partir das formas criadas pela sombra,
  • Ao fotografar considerar a regra dos terços para ter uma melhor distribuição dos elementos dentro do enquadramento.

A combinação dos pontos acima vai nos auxiliar a desenvolver uma boa imagem da seguinte forma, inserindo a flor sempre em um dos pontos de ouro da grade da regra dos terços, (que consiste nos quatro pontos de intersecção da grade); de forma que partindo da flor que está sendo focada, o expectador tenha seu olhar conduzido para o espaço negativo (espaço vazio) através de uma linha imaginária e possa criar a sua própria narrativa para a foto. O espaço negativo é criado a partir da utilização das maiores aberturas do diafragma da câmera para diminuir a profundidade de campo fazendo com que os demais planos fiquem em desfoque produzindo a sensação de espaço vazio em grande parte da foto. Trabalhando com uma composição em cores a própria mudança nas tonalidades cria divisões dando a impressão de linhas dividindo a foto em duas ou três partes ou criando proporções geométricas como é possível observar nas fotos abaixo.

Temos a flor em primeiro plano posicionada aproximadamente na linha da grade do primeiro terço, o restante da foto é uma grande área negativa, o segundo plano com alguns elementos desfocados cria a ilusão de distanciamento do primeiro plano e a mudança na cor cria uma divisão na foto a partir de uma linha imaginária.

Nesta foto não há divisão de cores, porém o posicionamento do galho da flor divide a imagem em duas partes e tem a função de conduzir o leitor para dentro da fotografia, uma vez que está posicionado na diagonal e a primeira seção aparece completamente em foco enquanto a segunda seção vai ficando desfocada dando a percepção de distanciamento, como se fosse possível ir mais além dentro da fotografia.

Na foto acima, embora o foco não esteja perfeitamente posicionado no ponto de ouro, a posição dos dois botões e da flor cria uma linha diagonal e a mudança das cores cria dois retângulos que criam áreas distintas na imagem, o olhar do expectador também acaba sendo atraído pelo elemento desfocado que está situado entre os dois motivos que estão em foco. Dependendo da interpretação de cada pessoa a imagem pode acabar no motivo desfocado, ou ele pode conduzir o olho para uma narrativa particular.

A utilização dos elementos de composição advindos do minimalismo propicia maior subjetividade para uma imagem composta com poucos elementos. Fotografando flores sob a perspectiva desse olhar composicional nós evidenciamos a beleza da flor e a partir dela temos a intenção impactar o expectador levando-o a desenvolver uma narrativa própria, a imaginar um algo a mais que não está na imagem e que não pertence nem ao fotografo nem ao objeto fotografado, mas que é próprio do arquivo emocional e subjetivo de cada expectador. Nas palavras de Ernesto Tarnoczy Júnior “a obra minimalista procura atingir o máximo de impacto com o mínimo de meios”.

Aos que tem interesse na fotografia minimalista para além da fotografia de flores, recomendo conhecer a obra do fotografo Michael Kenna que trabalha com uma mestria insuperável o minimalismo na fotografia em preto e branco.

Referencias:

Tarnoczy Júnior, ErnestoArte da Composição -Volume2 . IPhoto Editora, 2013
http://www.michaelkenna.net/gallery2.php?id=11

Virginia Maronese

Formada em Letras e em Fotografia pelo IIF, apaixonada pelas músicas de Luiz Tatit, literatura russa, Van Gogh, semiótica e girassóis. Quanto a fotografia, um caso de amor que se pretende eterno.