O que aprendi no Natal de 2015

Este texto pode ser considerado um relato ou um mini diário recorrente do mês de dezembro de 2015, é diferente de outros artigos escritos anteriormente, onde sempre mantinha uma voz um pouco indireta. Escrevo no sentido de compartilhar visões pessoais sobre aquilo que presenciei. Espero que os leitores, (não apenas profissionais da área da fotografia) se identifiquem em algum ponto.

– Aprendi que crianças especiais merecem fotos lindas, são dignas de atenção, sendo que a sociedade é excludente. Se tais crianças são rejeitadas lá fora, no meu estúdio: jamais!

Recebi um menino lindo no estúdio o Luiz Miguel, que nasceu prematuramente com 5 meses e meio, filho de uma jovem que atualmente tem 16 anos de idade. Ele tem cabelos loiros e olhar grande de cor verde, é especial, e a sociedade no geral não está nem aí, infelizmente, ele é excluído, e ganha o mínimo que o governo pode oferecer. A mãe que é bastante jovem, encara um peso forte nas costas, e todo dia é alvo de preconceito e recriminações. A fotografia pode sim fazer com que várias crianças em condições especiais, existam, fez me lembrar o meu projeto fotográfico de Maria Clara e Maria Eduarda as ex-gêmeas siamesas que ganharam destaque mundial.

Luiz MiguelLuiz Miguel

– Aprendi que fotografia de casamento não é o que eu quero, pois consigo enxergar pouca essência.

Dentro disso fazer freelancer para um amigo fotógrafo de casamento está mais para um compromisso do que para um retorno financeiro justo, trabalho muito e ganho pouco. E cada vez mais quero dedicar aos meus sonhos, seguir um foco, ser o protagonista da minha profissão: fotógrafo de família, mesmo que o casamento possa entrar nesta categoria não é algo que me atrai, este estilo não se comunica comigo, amo paternidade, maternidade e seus pequeninos bebês e crianças. Quem sabe um dia poderei mudar de ideia, mas enquanto isso dedicarei muito aquilo que me atrai.

Maria LuizaMaria Luiza

– Aprendi que todos aqueles que querem e merecem ter fotos bonitas dos seus filhos, merecem sim ter, e não precisam pagar por isso, pagam apenas aqueles que tem condições.

Recebi o pedido de uma mãe via Facebook que queria muito um ensaio natalino de seus três filhos, mas não tinha o valor total para pagar as fotos, pelos cálculos poderia pagar apenas três. Pedi que viesse ao estúdio e que iria fazer o ensaio, no dia da sessão disse que daria as fotos de presente de Natal. Ela se encantou e me agradeceu, creio que infinitamente. O ensaio foi incrível, meninos alegres, tranquilos e sorridentes. Aprendi muito com eles e pude deixar marcado um momento muito especial, e para a vida toda.

Heitor, Gabriel e Pedro LucasHeitor, Gabriel e Pedro Lucas

– Aprendi que fotos noturnas externas infantis é algo lindo, um estilo muito pouco explorado.

Pude testar os meus limites, da minha câmera e luzes, e percebi que granulação e corres berrantes, ou foto escura são um estilo que a ocasião pede. Tentei usar o mínimo possível do flash, levei-o apenas como emergência. As regrinhas técnicas merecem ser exploradas, mas não suprimidas. E a minha roupa após a sessão fotográfica mereceu um cuidado mais que especial na máquina de lavar, pois a sujeira é de tom mais denso, foi o resultado de se sentar no chão e me arrastar, em calçadas e ruas. O processo de produção não é algo bonitinho, mas o resultado sim.

LíviaLívia

Espero que o Natal de 2016 traga frutos necessários para o meu crescimento, assim como de anos posteriores.

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Mateus André

Mateus André faz da fotografia sua arte e profissão, é também formado em Letras pela Universidade Federal de Goiás e atualmente mora em Catalão/GO.

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