O que é uma boa fotografia afinal? 4/5 (3)

Com frequência sou questionado por fotógrafos iniciantes se uma determinada foto que eles tenham feito é boa ou ruim, se está correta ou errada. Por mais simples que pareçam, essas perguntas são na verdade complexas e envolvem muitos fatores para serem respondidas.

Antes  precisamos separar os conceitos “certo e errado” de “bom e ruim” e também o gostar ou não gostar, são coisas diferentes.

Sobre uma fotografia estar correta, penso que se a fotografia é aquilo que o autor queria, tem a aparência imaginada antes do click, então está correta, por outro lado se não é o que imaginou, está errada. Simples assim, se o fotógrafo teve técnica suficiente para colocar sua vontade, criatividade e estilo na imagem, conseguiu realizar o que imaginou, então não há o que discutir, mas daí ao julgamento qualitativo há uma enorme distância.

Os conceitos de bom e ruim muitas vezes andam paralelamente com os de gostar e não gostar, achamos bom o que gostamos e ruim aquilo que não apreciamos, mas na verdade devemos separar isso antes de avaliar uma imagem (e também uma comida, uma música, um desenho… qualquer coisa).

Quando falamos de qualidade, entramos em um mundo que é parte técnica e parte subjetividade. Há a qualidade de registro do arquivo (ou filme), se tem ou não ruído, se está focada, corretamente exposta e assim por diante. Em tese a fotografia bem focada, exposta adequadamente, sem ruído, tremido e defeitos é uma fotografia com qualidade no aspecto técnico. Mas não necessariamente no subjetivo aspecto da estética.

Cada um de nós gosta ou não de uma imagem por um grande número de fatores, toda a nossa vida, cultura e estudos entram em cena quando nos deparamos com uma fotografia e numa fração de segundo usamos toda essa informação para dizer se gostamos ou não, se no nosso entendimento é uma boa fotografia ou não.

Vou exemplificar tudo isso com minha opinião, afinal só posso falar pelo que penso e acredito. Penso que a grande fotografia, que nos faz ter orgulho de tê-la produzido, é fruto de um conjunto de fatores, que passam pelo tema perfeito sob uma luz espetacular, num momento inspirado do fotógrafo no qual ele consegue alinhar sua cultura visual com a técnica. E por fim naquele instante em que tudo se alinha, está com o equipamento adequado em mãos. É estar no lugar certo na hora certa e bem preparado para isso.

Nem sempre acontece, por vezes temos técnica e equipamento, mas a luz que a natureza  fornece não é a que queremos. Em outras o tema perfeito está em reforma e coberto por tapumes. Por fim podemos ter tudo certo e simplesmente ter deixado o equipamento em casa. Quantas oportunidades perdemos apenas por não estar com a câmera na hora em que as coisas acontecem.

Mas existem dias raros em que tudo trabalha a favor do fotógrafo, ele está com o equipamento certo, as técnicas apropriadas, no lugar perfeito, na hora certa em que a natureza o presenteia com a mais perfeita luz, lhe permitindo produzir uma grande fotografia.

Esta é tão somente minha opinião. Para uns a qualidade da luz pouco importa, mas sim o momento espontâneo captado, para outros pode ser a cor e o contraste vivos, uns preferem a abstração enquanto outros a aparente fidelidade com o mundo real. Quantas opções temos para chegar a conclusão do que é bom ou não, isso tudo depende da cultura e educação de cada um, da personalidade que é formada ao longo da vida.

As fotos que ilustram este artigo são daquelas que acho muito boas dentro da minha opinião sobre qualidade, primeiro estão corretas pois tem a aparência que imaginei para elas, sem surpresas, o que pensei consegui realizar. Segundo, elas mostram um tema perfeito, sob uma luz linda, captado com equipamentos e técnicas adequados. Terceiro, tive a sorte de estar lá na hora certa. Nessa conjunção de fatores produzi algo que chamo de uma grande fotografia, daquelas que se outro fotógrafo tivesse feito, eu teria uma certa inveja, mas como eu mesmo fiz, tenho orgulho.

Não me importo muito se essas fotos irão se tornar populares, com muita gente gostando delas, elas são ótimas para mim, agradam ao meu ego como autor e aí reside talvez o principal ponto quando falamos de qualidade de imagem, afinal, qualidade para quem, para o autor ou para os outros?

Escrevi bastante e obviamente não dei uma resposta para a pergunta que dá título a este artigo, isso foi proposital, pois quero que cada um de vocês que parou aqui para ler pense nos motivos que levam vocês a acharem algo bom ou ruim, que comecem a entender quais fatores psicológicos os levam a admirar ou ter repulsa por algo, que aspectos culturais os fazem sonhar ao ver uma determinada fotografia, e os façam simplesmente ignorar ou desprezar outra.

Percebam que as escolhas de vocês são individuais, pois fatalmente aquela imagem desprezada, ignorada, tida como feia ou ruim por uns, será adorada por outros, sendo o contrário também verdadeiro.

Lembrem-se que uma coisa é qualidade técnica (foco, exposição, ruído etc.), outra completamente diferente é a qualidade estética, e para esta última, não há regras, verdades absolutas e imutáveis.

Nos falamos em breve,
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Armando Vernaglia Jr

Armando Vernaglia Jr tem mais de dez anos de experiência como fotógrafo publicitário e diretor de arte. Graduado em Publicidade e Propaganda e especializado em Comunicação Organizacional, é também professor de fotografia e palestrante. Seu trabalho pode ser conhecido em seu site - www.vernaglia.com.br . E você também pode seguí-lo no Twitter @VernagliaJr

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