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O que é uma boa fotografia afinal? 4.5/5 (2)

Com frequência sou questionado por fotógrafos iniciantes se uma determinada foto que eles tenham feito é boa ou ruim, se está correta ou errada. Por mais simples que pareçam, essas perguntas são na verdade complexas e envolvem muitos fatores para serem respondidas.

Antes  precisamos separar os conceitos “certo e errado” de “bom e ruim” e também o gostar ou não gostar, são coisas diferentes.

Sobre uma fotografia estar correta, penso que se a fotografia é aquilo que o autor queria, tem a aparência imaginada antes do click, então está correta, por outro lado se não é o que imaginou, está errada. Simples assim, se o fotógrafo teve técnica suficiente para colocar sua vontade, criatividade e estilo na imagem, conseguiu realizar o que imaginou, então não há o que discutir, mas daí ao julgamento qualitativo há uma enorme distância.

Os conceitos de bom e ruim muitas vezes andam paralelamente com os de gostar e não gostar, achamos bom o que gostamos e ruim aquilo que não apreciamos, mas na verdade devemos separar isso antes de avaliar uma imagem (e também uma comida, uma música, um desenho… qualquer coisa).

Quando falamos de qualidade, entramos em um mundo que é parte técnica e parte subjetividade. Há a qualidade de registro do arquivo (ou filme), se tem ou não ruído, se está focada, corretamente exposta e assim por diante. Em tese a fotografia bem focada, exposta adequadamente, sem ruído, tremido e defeitos é uma fotografia com qualidade no aspecto técnico. Mas não necessariamente no subjetivo aspecto da estética.

Cada um de nós gosta ou não de uma imagem por um grande número de fatores, toda a nossa vida, cultura e estudos entram em cena quando nos deparamos com uma fotografia e numa fração de segundo usamos toda essa informação para dizer se gostamos ou não, se no nosso entendimento é uma boa fotografia ou não.

Vou exemplificar tudo isso com minha opinião, afinal só posso falar pelo que penso e acredito. Penso que a grande fotografia, que nos faz ter orgulho de tê-la produzido, é fruto de um conjunto de fatores, que passam pelo tema perfeito sob uma luz espetacular, num momento inspirado do fotógrafo no qual ele consegue alinhar sua cultura visual com a técnica. E por fim naquele instante em que tudo se alinha, está com o equipamento adequado em mãos. É estar no lugar certo na hora certa e bem preparado para isso.

Nem sempre acontece, por vezes temos técnica e equipamento, mas a luz que a natureza  fornece não é a que queremos. Em outras o tema perfeito está em reforma e coberto por tapumes. Por fim podemos ter tudo certo e simplesmente ter deixado o equipamento em casa. Quantas oportunidades perdemos apenas por não estar com a câmera na hora em que as coisas acontecem.

Mas existem dias raros em que tudo trabalha a favor do fotógrafo, ele está com o equipamento certo, as técnicas apropriadas, no lugar perfeito, na hora certa em que a natureza o presenteia com a mais perfeita luz, lhe permitindo produzir uma grande fotografia.

Esta é tão somente minha opinião. Para uns a qualidade da luz pouco importa, mas sim o momento espontâneo captado, para outros pode ser a cor e o contraste vivos, uns preferem a abstração enquanto outros a aparente fidelidade com o mundo real. Quantas opções temos para chegar a conclusão do que é bom ou não, isso tudo depende da cultura e educação de cada um, da personalidade que é formada ao longo da vida.

As fotos que ilustram este artigo são daquelas que acho muito boas dentro da minha opinião sobre qualidade, primeiro estão corretas pois tem a aparência que imaginei para elas, sem surpresas, o que pensei consegui realizar. Segundo, elas mostram um tema perfeito, sob uma luz linda, captado com equipamentos e técnicas adequados. Terceiro, tive a sorte de estar lá na hora certa. Nessa conjunção de fatores produzi algo que chamo de uma grande fotografia, daquelas que se outro fotógrafo tivesse feito, eu teria uma certa inveja, mas como eu mesmo fiz, tenho orgulho.

Não me importo muito se essas fotos irão se tornar populares, com muita gente gostando delas, elas são ótimas para mim, agradam ao meu ego como autor e aí reside talvez o principal ponto quando falamos de qualidade de imagem, afinal, qualidade para quem, para o autor ou para os outros?

Escrevi bastante e obviamente não dei uma resposta para a pergunta que dá título a este artigo, isso foi proposital, pois quero que cada um de vocês que parou aqui para ler pense nos motivos que levam vocês a acharem algo bom ou ruim, que comecem a entender quais fatores psicológicos os levam a admirar ou ter repulsa por algo, que aspectos culturais os fazem sonhar ao ver uma determinada fotografia, e os façam simplesmente ignorar ou desprezar outra.

Percebam que as escolhas de vocês são individuais, pois fatalmente aquela imagem desprezada, ignorada, tida como feia ou ruim por uns, será adorada por outros, sendo o contrário também verdadeiro.

Lembrem-se que uma coisa é qualidade técnica (foco, exposição, ruído etc.), outra completamente diferente é a qualidade estética, e para esta última, não há regras, verdades absolutas e imutáveis.

Nos falamos em breve,
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Armando Vernaglia Jr

Armando Vernaglia Jr tem mais de dez anos de experiência como fotógrafo publicitário e diretor de arte. Graduado em Publicidade e Propaganda e especializado em Comunicação Organizacional, é também professor de fotografia e palestrante. Seu trabalho pode ser conhecido em seu site - www.vernaglia.com.br . E você também pode seguí-lo no Twitter @VernagliaJr

13 Comentários

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  • Precisamente isso,li em cima um comentario que refere,"O que alguns acham belo outros podem repudiar.",..Foi o nosso amigo (Sergio Villa),..Gostei muito deste seu artigo meu caro amigo,..Excelente mesmo,…

  • Gostei do seu comentário Wagner,sei que a fotografia tem evoluído muito quer as câmaras digitais quer os programas de edição, como cada vez á mais pessoas a fotografar,certo que num grande universo á os que se destacam por várias razões que eu prefiro aqui não falar,mas creio que também são poucos os profissionais que se aventuram a publicar uma foto sem edição,não quero com isto criar uma discussão negativa,quero também agradecer ao Armando Vernaglia a sua forma simples e objectiva de comentar.

    • Olá Peralta, obrigado por comentar.
      Só queria colocar um ponto de vista adicional. Jamais existiu um fotógrafo que publicou fotos sem editar, em nenhum tempo. Veja, vamos ao filme preto e branco. Ao escolher com qual químico seria revelado, o fotógrafo está fazendo escolhas sobre densidade, granulação e contraste, que são os primeiros pontos da edição do preto e branco, e estão na revelação. Depois na ampliação, a escolha do papel, da lente do ampliador, do corte que seria dado na foto fazendo ou não a imagem extrapolar o papel, e por fim a revelação do papel preto e branco com infinitas possibilidades de ajustes, controles etc. A fotografia é fruto de manipulação, quando escolho uma lente estou manipulando uma cena, determinando um recorte de algo segundo meu ponto de vista. O que se discute é o grau de manipulação, mas isso é 100% subjetivo. Meu ponto é o que mencionei acima, se o fotógrafo usa um software para corrigir erros eu acho ruim, mas se ele usa como parte de um processo criativo para melhorar a foto que já veio boa da câmera, é apenas parte do processo, e é natural, o que existiu desde sempre.
      []'s
      Armando

  • Armando,

    em um momento em que softwares como o Adobe Lightroom vem para deixar "praticamente" qualquer foto uma verdadeira "pintura", com uma facilidade incrível, como distinguir esses tipos de imagens tecnicamente corretas ou tecnicamente corrigidas?

    O motivo desta pergunta é que, lendo em diversos outros sites/blogs de fotografia (sempre estou lendo, pesquisando e estudando), me deparo com a seguinte questão:

    "Os softwares de edição estão hoje o que o processo de revelação química era na época analógica". Sendo que, hoje, podemos atingir um maior grau de "arte e perfeição" na qualidade da imagem do que antes.

    Já vi fotos "vendedoras" que, honestamente falando, duvido muito que tenham sido feitas "somente com a câmera", ou seja, sem processamento externo (pelo menos, com câmeras digitais de valores médios de mercado).

    Este é um tema o qual ainda não me decidi. Se a foto vencedora foi editada, no sentido de ganho de latitude, ou simplesmente ter sido tirada com câmeras de alta tecnologia e não passou por nenhum tipo de "processamento digital externo". Digo processamento externo pois TODAS as câmeras na verdade possuem e aplicam o próprio processamento na imagem, caso queira usar JPG por exemplo.

    OBS.: Desde que comprei minha Nikon D5100 que só fotografo em RAW (para não utilizar o processamento interno da câmera) e processo as imagens no Lightroom.

    Desde já, um grande abraço e sinceras admirações minhas pelo seu modo de fotografar.

    • Wagner, há vários pontos aqui. Vamos por partes.
      Primeiro, não há pecado em ajustar, corrigir e manipular digitalmente uma foto, assim como não era pecado fazer isso em laboratório, são ferramentas.
      Onde está meu ponto de vista é, se eu preciso do photoshop ou lightroom como parte de um processo criativo para atingir um resultado, tudo bem, se eu preciso deles para corrigir algo que eu poderia ter acertado na câmera, ou seja, um erro técnico, aí vejo como um problema. A questão não está no apreciador da foto, mas na atitude de quem a fez.
      Fora isso, para olhos treinados, ainda dá para saber bem quando algo é fruto da técnica e quando não é, acredite, tempo e treino lhe darão isso em grande margem.
      As ferramentas são boas quando parte de processo criativo, posso clicar de um jeito explorando a latitude de exposição para na conversão do raw mudar a densidade das coisas, claro que sim, isso sempre foi feito, mas eu sabia no clic o que estava fazendo, ou seja, ter ciência do que faz é processo, não ter e corrigir depois, é erro… mas isso é só sobre técnica, não falamos de temática, poesia, arte… essa resposta versou sobre a técnica pois é o que me parece ser o foco de sua questão.
      []'s
      Armando

  • Armando, concordo plenamente com seus argumentos, mas, principalmente, gostaria de parabenizá-lo pelas fotos que ilustram seu texto. Já as havia apreciado antes e desde que pus os olhos nelas pensei: "nossa, que lindas! Como eu as queria ter feito". E desde então, falo para todo mundo delas – as fotos do Louvre, com uma luz maravilhosa e, simplesmente, perfeitas na técnica e esplêndidas na beleza. Sou muito fã dessas fotos.
    Genial.
    Um abraço,
    Cristiane

    • Obrigado Cristiane! Como eu disse no artigo, tem dias que parece haver um alinhamento de planetas, você está no lugar certo, na hora certa, com o equipamento certo, e preparado tecnicamente e psicológicamente para ver o que está acontecendo. Eu também gosto muito dessas fotos, não por tê-las feito, mas por ter tido a sorte de tudo ter acontecido para mim naquele dia!

  • Olá William,

    Obrigado pelo comentário. Concordo com você sobre padrões, mas o interessante é a variação desses padrões de época para época, isso sempre acontece nas artes, há um movimento aceito socialmente, admirado por maiorias, e sempre vem algo revolucionário que quebra paradigmas e traz novos conceitos sobre o que é belo, e portanto o que é aceito. Vemos isso ao analisar a história da arte, ver como o impressionismo surgiu quebrando barreiras da pintura mais realista, depois os movimentos abstratos e expressionistas, entre outros. Daí esse padrão é transitório, não fixo.
    As fotos que usei para ilustrar o artigo são o que muita gente chama de "fotografia cartão postal", o interessante é que para uns isso é um elogio e para outros é uma ofensa. Os que consideram elogio (eu entre eles), entendem que é muito difícil realizar esse tipo de fotografia, de ter todas as condições ideais para que ela aconteça, e que é preciso um cuidado grande na composição e na técnica que diferenciam a obra, não é fruto de acaso, algo feito corrido, deve ser pensado, elaborado sem pressa e com critérios. Já os que se ofendem enxergam nesse tipo de foto uma imagem comum, vazia de elementos humanos, desprovida de da capacidade de fazer as pessoas pensarem pois todos os significados da imagem estão ali, fáceis de entender. Entendo esse argumento contrário, só não me importo muito com ele pois gosto de fazer foto tipo "cartão postal", é um certo academicismo da minha parte, e que faz parte do meu jeito e meu repertório, mas seja como for, acho que nenhuma imagem agrada a todos, então não me preocupo. =^)
    Grande abraço,
    Armando

  • Prezado Armando,
    Muito interessante seu texto.
    E tenho plena concordância com ele.
    Embora o conhecimento para a prática da fotografia seja algo apoiado em princícios exatos como a matemática e a física o resultado (a própria fotografia) é completamente subjetiva. O que alguns acham belo outros podem repudiar.
    Muito pertinente a separação entre a análise técnica e a análise estética de uma foto.
    Abraços,

  • Concordo com tudo que disso!

    Mas obviamente, mesmo dentro da parte não técnica e sim um pouco mais subjetiva em que o gosto, a cultura e a vida em um todo impacta no "gostar ou não" da fotografia existem predominâncias ou não. Por exemplo, essas fotos suas usadas como exemplo para mim são fotos que serão aceitas como lindas fotos por grande maioria das pessoas, ja outras fotos com a mesma qualidade técnica pode não ser tão aceitas assim.

    Esse grupo "tipos" de fotografias mais aceitas que acabam gerando fotos bastante populares e vencedoras de concurso, pois se não houvesse nenhum tipo de padrão para se julgar a qualidade estética, em um concurso fotográfico sem tema, seria praticamente impossível qualificar a melhor foto, considerando varios candidatos com o mesmo nível de técnica, concorda?! hehe

    Viajei aqui, mas ótimo artigo!

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