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Onde estão os inquietos?

Acho que estou ficando velho, talvez rabugento, e em virtude desta percepção, resolvo aqui propor uma discussão. Nenhum dos artigos que escrevi até o momento, seja aqui no FotografiaDG ou em todos os sites e revistas com os quais colaborei, precisou tanto de opiniões e comentários como este, assim peço a opinião de todos para aquilo que irei escrever abaixo.

Antes vou contar uma história, a minha. Quando comecei a fotografar elegi meus ídolos, entre eles estavam Philippe Halsman com sua espetacular foto Dali Atomicus ou seus belíssimos retratos em capas da revista Life, ali estavam as pinturas de Salvador Dali e seu surrealismo que para mim era como mágica pintada em tela, também estava um filme que até hoje é meu mantra visual, 2001, de Stanley Kubrick, e suas composições que conseguiam ser planas e profundas ao mesmo tempo, com sua luz que conseguia ser chapada e contrastada ao mesmo tempo, entre outras referências.

Em todas as minhas referências eu não questionava se Kubrick filmava com 35 mm, Super 35 mm, com uma Arri ou Panavision. Pouco me importava se Dali pintava com óleo ou acrílica e tão pouco ligava para se Halsman iluminava com flash ou luz contínua, se era médio formato ou 35 mm. Minhas dúvidas se relacionavam às idéias, como elas tinham surgido, como foram possíveis, como aquela estética surgiu, de onde vinha a criatividade.

A técnica sempre me pareceu algo dentro do reino das obviedades, algo que com treino, tentativas, erros e um pouco de estudo, cedo ou tarde seria dominada. Saber os diafragmas, os filmes, o ISO, os formatos de câmera, as funções de cada botão do equipamento etc., isso existe em livros, em manuais etc., mas a estética e a idéia, onde elas estavam?

Essa era minha inquietação quando comecei e ainda é hoje. Ela me faz ir a museus e ficar olhando pinturas, faz ir ao cinema para ver como textos, roteiros e falas viram imagens poéticas, me leva a ver o trabalho de outros fotógrafos e tentar compreender de onde surgiram as idéias. O como foi feito é detalhe, nada que treino, estudo e muitas tentativas não resolvam, mas o máximo que isso me traria seria conseguir copiar a técnica, mas jamais me traria uma idéia tão boa quanto a original. Esse sou eu, um sujeito inquieto e curioso sobre a estética, a harmonia, a criatividade e as idéias.

Além de atuar diariamente como fotógrafo e cinegrafista, sou professor de fotografia e vídeo nas escolas Riguardare, Instituto Internacional de Fotografia e Instituto Candela, e sou  colunista e colaborador aqui do FotografiaDG e da revista Digital Photographer Brasil.

Dentro desse mundo, o de quem ensina e escreve sobre o assunto, além de viver dele, considero que tenho uma responsabilidade imensa para com quem quer aprender, para com aqueles que entram em sites e compram revistas buscando conhecimentos dos mais diversos, sejam eles dentro do universo da técnica ou das idéias.

Essa responsabilidade é grande pois se falar ou escrever uma bobagem, terei de alguma forma feito muita gente acreditar que aquela bobagem tem valor ou pertinência, daí a necessidade de me manter atualizado, estudando, pesquisando, debatendo com alunos e colegas de profissão sobre tudo o que cerca nossa atividade, e de manter uma mente aberta para as artes, manifestações culturais, questões sociais e tudo aquilo que compõe o mundo ao nosso redor.

É verdade que manter a mente aberta não significa aceitar ou concordar tudo o que vejo, isso inclui muitos auto proclamados artistas que em minha opinião produzem muito lixo embrulhado em belos discursos, mas essa parte é assunto para outro artigo em outra oportunidade. Só devo dizer que em todos os tempos, inclusive os atuais, sempre há muita coisa boa sendo produzida, e muita porcaria.

Voltando ao ponto, dessa noção de responsabilidade, unida à minha natural inquietação sobre a criatividade, surgem vários questionamentos e inconformismos e colocarei alguns deles aqui:

1 – Não consigo me conformar quando fotógrafos sem experiência nem aprendizado em didática se propõe a oferecer cursos e workshops por aí, pois ensino não deveria ser apenas uma questão financeira e sim uma questão de responsabilidade social e cultural. Quem ensina o que mal sabe está fazendo um mal à sociedade e está ignorando as responsabilidades que assumiu como formador de opinião e propagador de informações.

2 – Igualmente não consigo me conformar quando escolas de fotografia aceitam oferecer cursos e workshops que apenas propagam obviedades que seriam encontradas gratuitamente na internet ou folheando o manual da câmera ou ainda perguntando para um colega mais experiente. Esses cursos apenas tiram dinheiro de pessoas desinformadas. Um curso básico ou uma publicação voltada a iniciantes nunca deveria se contentar em apenas dizer qual botão faz o quê e qual regrinha de composição deixa algo mais ou menos estético, desde o básico as pessoas deveriam ser incentivadas a ver além e buscar se aprofundar. Um bom curso básico ou uma boa revista voltado a iniciantes deve falar de regra dos terços sim, mas deve dizer de onde ela veio e mais importante, que existem milhões de outras formas de harmonizar uma imagem. Devem dizer qual botão faz o que? Sim, mas devem também falar das relações disso com a luz, com a arte e com a estética. Ditar regras é fácil, qualquer ditador faz isso, por outro lado fazer refletir, pensar e se inquietar com as coisas, essa é a função e responsabilidade de professores, escolas e publicações.

3 – Jamais vou entender as pessoas que buscam cursos querendo apenas saber qual botão faz qual coisa em suas máquinas sem sequer fazer testes para saber o efeito de tal botão numa imagem. Não sei se essas pessoas são vítimas de cursos e publicações equivocados como os descritos em minhas perguntas 1 e 2, ou se são apenas preguiçosos. Mas aí repito, a função do educador, orientador e de quem resolve escrever e publicar sobre o assunto é ir além para provocar a inquietação, se conformar com a preguiça ou com a falta de preparo alheia é errado.

4 – Por quais motivos tanta gente se ofende com um comentário negativo sobre uma foto na internet ou mesmo em sala de aula? Qual a razão de pessoas buscarem tanto elogios fáceis, maternais e se negarem a receber negativas sobre sua obra, mesmo que sejam iniciantes recebendo feedback de pessoas experientes? Faça um teste e critique educadamente mas severamente uma foto que você tiver achado muito ruim de alguém e veja a reação da pessoa. Sites como Flickr, Orkut e Facebook viraram um mar de elogios fáceis a absolutamente tudo que ali é publicado e quando alguém levanta a voz para uma crítica, por mais suave que seja, é confrontado com argumentos do tipo “isso é questão de gosto”. Não, não é questão de gosto, a crítica artística vai muito além do gostar e não gostar, qualquer um pode não gostar de algo e entender o valor artístico, ou gostar de algo que sabidamente não tenha valor nenhum, no entanto no mundo internético pare difícil o ato da crítica ser entendido sem que o criticado ache que é questão pessoal, ou de um simples gostar/não gostar.

5 – O que leva tanta gente a se preocupar se um fotógrafo fez uma foto com câmera de marca X ou Y, se ele usou um obturador assim ou assado, se usou ou não usou o photoshop, e tão pouca gente perguntar qual deve ser o histórico cultural daquele fotógrafo que o levou a ter aquela idéia?

6 – Por que é tão complexo para a maioria das pessoas entenderem que grandes obras só nascem de grandes esforços e não de coisas simples que um truque pronto resolva? Lembrando que Picasso chegava a fazer 300 esboços para um quadro e que Kubrck chegava a rodar uma mesma cena 100 vezes para tirar o máximo de seus atores, então por que tanta gente acha que fotografando uma vez por semana, tendo uma aulinha aqui e ali, usando um preset de Lightroom e postando suas fotos no Facebook estaria produzindo grande arte a ponto de não poder receber críticas ou não perceber que precisa ir mais fundo em seus estudos e pesquisas? O que impede as pessoas de ir além, estudar, ler, praticar mais e sofrer um pouco para poder colher resultados realmente satisfatórios?

A fotografia, como qualquer arte, para obter grandes frutos, necessita de grandes esforços, que incluem estudo e treino. Grandes fotos não nascem do acaso, não nascem do qualquer, e sim do preparo, do olhar aguçado, da soma de técnica e estética, do controle da luz, da interpretação da luz para que a mensagem seja levada adiante.

Não consigo pensar nessas perguntas sem lembrar da caverna de Platão e daquele único sujeito que conseguiu sair da caverna e ver a origem das sombras. Afinal, qual a razão para apenas um querer ver além da sombra?

Assim gostaria que meus amigos, leitores, colegas e alunos que passam por aqui, poderiam tecer seus comentários sobre as perguntas que fiz acima? E também à pergunta título, onde estão os inquietos?

Nos vemos em breve,

[]’s

Armando Vernaglia Jr.
www.vernaglia.com.br

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  • Ricardo

    Muito Bom seu comentário e muito esclarecedor. Principalmente para mim que estou iniciando nessa arte, apesar de te-la como um Hobbie, mas sinto necessidade de mais estudos para melhorar meu conhecimentos na Arte de Fotografar.
    Parabéns,

  • Janaina

    Ola Armando, gostei muito do artigo. Muitas vezes em minhas pesquisas sobre fotografia, na busca de melhorar meus conhecimentos, penso: isso eh tudo que podem dizer sobre a fotografia? Sinto muita falta de uma abordagem mais artistica da fotografia. E penso que o bom fotografo tras uma bagagem tambem de filosofia, literatura, arte… Porque tudo que ele eh, viveu, estudou, pensou ate ali tras qualidade a sua fotografia…

  • A crítica mais construtiva é a crítica em si mesmo. Sou iniciante em fotografia, e estou aprendendo o básico lendo aqui e ali, e testando sempre, mas o mais importante é que a cada vez que aprendo algo novo, que a cada dia, consigo achar defeitos ou pontos onde poderia ter melhorado minhas fotos anteriores. Se você está pronto pra se criticar, com certeza irá receber positivamente críticas construtivas e saber o foco desta, sem trocadilho.

  • Jose Nilton

    Li seu post, assim como faço com todos que você escreve e apesar de não ter um senso crítico apurado, acho excelente, dos melhores que encontro na internet.
    Leio muito sobre fotografia há algum tempo e cada dia descubro que sei muito pouco sobre o assunto. Entretanto isso não me desanime visto que sou meia boca em quase tudo que faço. Sempre gostei muito de futebol, entendo bem as regras do jogo, mas sempre fui incapaz de ter a precisão de uma falta do Zico, das defesas do Gilmar, das infiltrações do Messi, dos gols do Pelé.
    Nas artes também sempre fui meia boca, já que mal consigo traçar uma reta com ajuda de uma régua. Passei a vida trabalhando como técnico em eletrônica e apesar de criar e formar meus filhos, sempre que participei de cursos e treinamentos, sempre me achei meia boca, pelos menos ao comparar os feitos dos meus colegas.
    Hoje aposentado, busco aprender um pouco da difícil arte da fotografia e olha que não é fácil. Hoje até já sei o que é obturador, foco, abertura, fotometria, já aprendi que o que faz a foto é o fotografo e não o equipamento, mas que para fazer certas coisas o equipamento que tenho não é adequado e vai por aí. Diante de tudo, já aprendi que uma boa composição, uma iluminação adequada, um bom enquadramento não é para qualquer. Até já enxergo boas possibilidade de uma foto legal, mas quando tenho que combinar velocidade, abertura, fotometria, Isso, composição, enquadramento, fundo, perspectiva, diagonais, regra dos terços, rácio de Fibonace e etc, ai a cobra fuma. E como sempre fui meia boca, minhas fotos dificilmente representarão uma arte, mas apesar de tudo me dão satisfação e isso conta muito pra mim. Mas vou continuar lendo, muitas abobrinhas, mas também muita coisa interessante de pessoas interessantes como você por exemplo.

    • Armando Vernaglia Jr

      Olá José, obrigado pelo comentário! Sugiro uma reflexão para você. Quais motivos o levam a se julgar um meia boca? Digo isso pois aparentemente é uma questão de comparação com outros, ver outro fotógrafo e achar o trabalho dele melhor ou algo assim. Mas sugiro pensar outra coisa, o trabalho que produz, a arte que sai em suas imagens o agrada? Satisfaz seus propósitos? Então já acertou o público principal. Digo sempre a meus alunos o seguinte, certo é aquilo que pensamos e conseguimos executar conforme o imaginado, errado é o que pensamos e falhamos em executar, o resto, o mercado, a opinião de fora, é tudo bobagem pois cada um opina conforme os próprios referenciais. É como a tal regra de terços, tem gente que acha um erro não utilizá-la, eu quase nunca a utilizo, e quero ver alguém conseguir provar para mim que estou errado… arte é relativa, mas seja como for, é a inquietude de querer melhorar que nos leva adiante, por isso, não se conforme com esse título de meia boca que aparentemente você mesmo conferiu ao seu trabalho, brigue contra isso pois é a inquietude que nos move.
      []'s
      Armando Vernaglia Jr

  • pineze

    É, tem muita coisa pra falar nesse tópico. Eu confesso que não li todos os comentários, portanto, não sei se falaram disso que vou falar e já peço desculpas se o assunto for repetido.

    Eu comecei a dar aulas de fotografia a pouco tempo (um ano mais ou menos) e comecei justamente por conta dessa queixa, que vem tanto do mercado quanto dos próprios fotógrafos. Ao meu ver esta problemática também está ligada ao ensino, aliás, tenho descoberto que está mais ligada ao ensino, e ao professor, do que ao aluno ou ao mercado.

    O mercado reclama de tantos despreparados entrando e fazendo besteira na fotografia. O aluno reclama que não dá pra fazer aquilo que ele quer fazer e acaba investindo em equipamentos desnecessários acreditando que eles, magicamente, solucionarão seus problemas com a fotografia. Daí comecei a reclamar também… rsrsrsrsr. Então resolvi atender alguns pedidos de curso mas montei meu próprio esquema.

    Primeiro: nada de turma! Sempre uma turma é nivelada pelo mais baixo, pelo mais devagar, pelo que menos está entendendo ou dando conta das atividades. Acho isso uma sacanagem com os pouquíssimos que querem aprender e estão em um nível de disposição e até conhecimento mais avançado.

    Segundo: Tentei muito montar um material didático mas como não aceitei as turmas ficou muito difícil. Hoje tenho uma biblioteca de coisas que conheço muito bem e personalizo TODO curso que vou ministrar, independente do nível ou do assunto.

    Terceiro: Tive que escolher entre ser um professor de verdade ou ganhar dinheiro com cursos de fotografia. Escolhi ser um professor de verdade, que ensina e aprende junto com o aluno e que não tem um pingo de medo, insegurança ou receio de dizer pra um aluno criar vergonha na cara e cumprir com suas obrigações. Do contrário o curso acaba, DE VERDADE! Resultado, tenho poucos alunos, mas tenho alunos melhores, com resultados melhores.

    Saber identificar o que o aluno precisa e oferecer a ele o que ele quer ou necessita naquele momento é crucial e durante o curso ele entende o porque das coisas. Não sou vendedor, não sei fazer o aluno escolher um curso que vai acarretar em outro e em outro e de repente lucrar muito em cima de um aluno. Já aconteceu de fotógrafos me procurarem pra fazer o curso avançado e eu mandar eles lerem o manual da câmera primeiro pra depois me procurar. Primeiro que não eram fotógrafos de verdade e sim pessoas que compraram câmeras e mudaram o nome no facebook para Fulano(a) Fotógrafo(a) e segundo que nem o básico seria tranquilo pra eles visto que realmente não sabiam nem do que se tratava o manuseio de seu equipamento… não foi soberba minha não. Esses eu acho que são os mais fáceis pra se lucrar em cima. A receita pra mim tem funcionado nessa medida… menos empresário, menos vendedor… mais professor, mais fotografia de verdade.

    É um caminho difícil porque eu confesso também que vez ou outra bate um sentimento de fracasso ao ver cursos lotados e as pessoas obtendo um "sucesso" mais rápido… mas é um sucesso inconsistente, com base fraca e que logo desmorona. Vivem do agora.

    Bom, foi o caminho que eu escolhi e, no geral, estou feliz sendo um "personal fotógrafo". Tenho muito o que melhorar nessa didática ainda e estou encontrando formas diferentes e eficazes para tal, porém, difíceis e trabalhosas de serem implementadas… mas creio que é nisso que devo me basear, pois se eu ensinar errado, vão aprender errado e o resultado é esse que temos visto por ai.

    Abraço Vernaglia!

    • Armando Vernaglia Jr

      Olá Pineze! Muito obrigado pelo comentário. Sobre seus pontos, vamos lá:
      Sobre turmas: eu faço o contrário, nivelo pelo mais alto e aviso a turma que terão que correr para alcançar aquele patamar, me desdobro na aula para poder tirar as muitas dúvidas que irão surgir daqueles que estão num nível de conhecimento um pouco abaixo, mas nivelo pelo topo e cobro de todo mundo, foi meu jeito de viver com essa questão de forma tranquila.
      Sobre material didático, o negócio é ter uma base, um eixo condutor, mas que seja flexível o suficiente para manobrar conforme o aluno, conforme a turma, material igual para todos não serve mesmo. Eu fui buscar capacitação em didática para me ajudar nisso, para entender as inteligências do ser humano e assim ir desenvolvendo um material mais abrangente, mas ainda assim é preciso ter flexibilidade, o material não substitui o professor, é ele quem tem que saber para que lado manobrar e levar a aula. Isso é um ponto falho de muitos professores, pois não estudam didática, e nisso concordo muito com você, o problema está cada vez mais no professor e nas escolas do que no mercado em si, afinal, se o material que chega ao mercado não é bom, ele teve uma origem, e aí deve residir o problema.
      No terceiro ponto, você fez a escolha certa. Não se ganha dinheiro dando aula, se ganha dinheiro fotografando para clientes, aula a gente dá por gostar e achar importante, é uma questão de sociedade, de ser humano, não de bolso. Lógico que temos que cobrir custos e pelo menos tirar uns trocos, vivemos no mundo do capital, mas não é o foco, você está 100% certo.
      Grande abraço e boa sorte na jornada.
      Armando Vernaglia Jr

      • pineze

        Estava pensando sobre o que vc disse sobre seu jeito de lidar com as turmas. Acho que é isso mesmo que tem que acontecer, nivelar por cima. Mas não como está seu trabalho de ensino no tempo e espaço. O meu está no começo e talvez por isso não consigo trabalhar com turmas, porque nem tenho tantos interessados assim pra formar uma turma dentro de um determinado nível também. Ao mesmo tempo em que dou aula pra alguém que preferiu começar o curso pra decidir qual equipamento comprar, estou com outro aluno que já estava fotografando e dando cursos específicos para fotógrafos. Ai fica difícil de formar uma turma mesmo. Acho que no futuro, caso a procura pelos cursos aumente, isso venha a se modificar e talvez daí sim eu consiga separar algum material específico, como você mesmo disse, um básico pra seguir, pra determinados níveis. Esse começo é que tá difícil porque não tenho feedback suficiente para trabalhar um material bacana para cada nível ainda.

        Abração e sucesso!

  • SAbrina

    Parabéns! sou iniciante e vc descreveu algo que eu sinto mas não sabia descrever, aliás estou à procura de suas aulas, obrigada!

  • Cheguei nesse texto nem sei como e li achando que era recente. Só me dei conta da data de publicação quando comecei a ler os comentários, mas acho que ainda é válido responder, né?
    Bem, acho que algumas perguntas podem ser respondidas pelo fenômeno que em mídias sociais a gente chama de "orkutização", isto é, todo mundo tem acesso à ferramenta mas não sabe usá-la de maneira correta. Fotografia é fascinante e hoje, como é muito barato adquirir uma boa câmera, todo mundo pensa que é fotógrafo. E acredita que fazendo um curso que ensina a apertar botões vai fazer dele um profissional de sucesso.
    Acho que isso também justifica o aumento de cursos tabajara por aí: aumentou a quantidade de "lambe-lambe" (até pq não são profissionais, né?) e alguns vêem as aulas como uma forma de se destacar no mercado. Isso não acontece só na fotografia não, viu? Sou arquiteta e publicitária e vejo cursos pipocarem nas duas áreas o tempo todo, com profissionais de qualidade questionável.
    Em todas as áreas, seja na fotografia, na arquitetura, na publicidade…, saber utilizar bem as ferramentas claro que facilita o trabalho. Mas de nada adianta se a mente (ou o olhar) não gerar idéias. E acredito que, com o tempo, o público vai perceber que são essas idéias que fazem a diferença entre o profissional e o "operador de máquina"; que não adianta a pessoa saber usar a câmera se fizer igual a todo mundo. Aí, sim, teremos o devido reconhecimento aos Dali's e Kubrick's da fotografia.

    • Armando Vernaglia Jr

      Olá Natalia, obrigado pelo comentário. Sim, o que acontece na fotografia é comum a outras áreas, já aconteceu no design, na tipografia, até no jornalismo… a democratização das coisas é importante, mas deve ser vista como um passo e não um fim, democratizar o acesso é um passo, o fim deve estar mais adiante, mais evoluído estudado, pesquisado… e meu receio é que a acomodação de muitos gere a impressão de que o todo mundo pode tudo e todo mundo é artista acabe sendo o fim e não haja discussão posterior. Essa acomodação tem durado anos, é bom ver se as pessoas começam a se mover, estudar, buscar mais, a fotografia é uma arte complexa, aliás qualquer arte é por si complexa, mas o ato de fotografar é simples e isso cria uma falsa impressão… mas vamos ver o que o tempo produz e se o trabalho dos inquietos faz efeito espalhando a ideia. :)

  • FlavioRB

    Vamos as questões:

    1) Fotógrafo sem experiência e nem didática (pode ser aprendida ao natural, acredito nisso), oferecendo cursos e workshops. Vejo que possam estar agindo de má-fé ou que possam achar que sabem. Os primeiros se julgam espertos e aproveitam da preguiça (trato sobre isso depois) alheia em buscar conhecimento sozinho, os outros, não sabem que não sabem e não tem condições de ensinar, podem ter sido vítimas dos que agem de má-fé ou de escolas (item 2).

    2) Escolas e cursos que fazem isso, estão agindo de má-fé, resolvem agir assim por saber que existe uma multidão de preguiçosos que não buscam o conhecimento só querem as receitas prontas ou aceitam serem iludidos.

    3) Eu creio piamente que muitos são preguiçosos, uns poucos não conseguem ter iniciativa de estudarem sozinhos o material ou tem receio da tecnologia envolvida e, apenas alguns, são vítimas das escolas e dos espertos ou vitimados, acima, nos itens 1 e 2.

    4) Vivemos numa época em que não saber é feio ninguém mais assume que não sabe algo pois tem medo do que vão falar. Depois dessa fase onde as pessoas não assumem suas limitações , vem a segunda geração que acredita que sabe tudo e que ninguém pode contrariar a sua “santa” sabedoria. No fundo é uma eterna infantilização, o indivíduo prefere morrer ignorante a admitir que possa ter algo a aprender. Mas quando vemos pessoas se ofendendo com um comentário e dizendo que é o seu gosto, ela está somente se defendendo da profunda tristeza de ser um nada. São pessoas que riem dos outros, mas não querem que riam delas.

    5) Só acho inútil querer saber a marca e modelo da câmera. Desejar saber quais os valores da exposição e que tipo de processamento foi feito é uma questão válida, até o tipo de lente utilizada, principalmente para o iniciante, quando já não é mais iniciante saber da cultura a qual o fotógrafo está inserido vem naturalmente para apreciar uma fotografia e saber buscar sua identidade como fotógrafo. Pessoas que têm preguiça de aprender ficarão perguntando a câmera e a lente.

    6) Vivemos no mundo do imediatismos, desfrute sem trabalho, ser aprovado sem precisar ser avaliado ou estudar, entre inúmeras coisas. No fundo temos uma geração de preguiçosos e infantis. É isso que leva a querer ter resultado sem praticar.

    Finalmente, "Onde estão os inquietos?" A maioria dos que eu tenho o privilégio de conhecer, estão bem quietinhos fazendo o seu trabalho sem alarde, afinal quem precisa de farol é navio perdido.

    Muito bom o seu texto.

    Grande abraço.

    Flávio RB

  • Uma árvore se conhece pelos frutos!!!
    Antes de se tornar árvore, foi semente, que precisou morrer para se tornar árvore!!!
    Um processo doloroso… mas gratificante!!!
    Visto os frutos que dão!!!

    Sou iniciante na arte, muitas pessoas gostam do que produzam, mas sempre, sei, onde e o que há de melhorar…
    Estou longe de ser um bom fotografo, mas estou correndo atrás!!!
    Recuso trabalhos, pois sei não possuir conteúdo o suficiente, mas sei que logo poderei arriscar-me, porém, não tenho pressa!!!
    Sei que tudo terá seu tempo!!!
    Infelizmente, passei nas mãos de alguns desses "mercenários", mas, também, encontrei muita gente boa e estou em contato com muito mais gente assim, graças a Deus!!!

    Bom, obrigado por nos fazer pensar nesse assunto, pois eu tenho muita dificuldade em encontrar livros que inspirem ou ensinem tal criatividade, tudo depende de "eu por eu mesmo"!!!

    Abraço!!

    • Armando Vernaglia Jr

      Obrigado pelo comentário! Sobre inspirar a criatividade, as vezes não é questão de livro ou curso, mas de olhar para dentro, de ver a própria vida, as pessoas que nos cercam, o cotidiano, e começar a ver a poesia que deixamos passar por não dar atenção. Outras vezes precisamos de estímulo externo, mas aí sempre penso que uma boa visita a um museu de arte ou uma ida ao cinema rendem mais, pelo menos para mim. É como a leitura, sempre prefiro um bom exemplar da literatura do que um livro técnico.
      []'s
      Armando

  • Vernaglia, obrigado por postar um artigo tão interessante e que gera muitas discussões. Bem resumidamente, eu diria que a facilidade de "apertar um botão" hoje em dia e as tendências tecnológicas do mercado, Iphone, Instagram, etc… faz com que muitas pessoas acreditem que são fotógrafas, na verdade eu acredito que seja mesmo a preguiça que está gerando seres humanos cada vez mais dependentes da tecnologia e cada vez menos seres pensantes, em pensar na arte que está fazendo e não apenas nos ajustes mecânicos, mas sim se preocupar em : Qual a mensagem que eu quero passar? O que eu quero dizer com essa foto? E assim por diante, vou dar um exemplo do GPS para o carro: Eu particularmente não uso, acredite prefiro ainda estudar o mapa de como chegar no local, no guia e se me perder pergunto, porém existe a classe de pessoas que confia "cegamente" no GPS e quando ele está errado, as pessoas entram em pânico, realmente, isso que está acontecendo não é só na fotografia, mas em várias áreas da sociedade e do mundo. Enfim, querem cada vez menos seres pensante e cada vez mais replicantes, para terem uma certa facilidade em controlar e assim aumentar os lucros de grandes corporações, assunto que se extende e que não cabe discutir isso aqui agora. Bom respondendo a sua pergunta, os inquietos existem mas tem que tomar muito cuidado para não se deixarem levar pelas falsas facilidades que automatizam tudo e sim questionar, questionar questionar, o que levou o ser humano a esse nível que temos hoje em dia de tecnologia, foi sempre o questionamento e só não estamos melhores ainda, porque muitas pessoas não questionam e aceitam as coisas impostas como verdades absolutas, seja por preguiça mesmo, seja por comodismo/automatismo de não quererem sair da zona de conforto. Parabéns pelo trabalho que você vem desenvolvendo, assim como você sou um questionador pra tudo. Estarei em breve com um site onde eu gostaria de opiniões suas. Um grande abraço e sucesso!

    • Armando Vernaglia Jr

      Olá Ale, é bem por aí. O que você falou do GPS acontece na fotografia, já vi gente entrando em pânico quando algo não funcionava numa DSLR, as vezes pelas falhas das próprias pessoas, mas elas ficam furiosas com os equipamentos… é um tempo estranho esse de confiança cega nas máquinas… sempre me lembra aquele desenho, o Wall-E.

  • André Jorge

    Oi Vernaglia,ai vai um comentário e um desabafo: Esta falta de escrúpulos de alguns profissionais (se é que são), se deve em muito a falta de regulamentação de nossa profissão. Qualquer pessoa pode dar curso de fotografia sem estar preparado para tal, basta anunciar e faturar em cima dos incautos. Comecei a fotografar profissionalmente a 35 anos atrás, mas parei depois de 15 anos, trabalhava na cidade de Sorocaba S/P e parei por causa da invasão de “curiosos” que não conseguindo trabalho, vendiam o filme “película” para o cliente sem ampliação das fotos, como forma de baratear o preço do serviço. Se nossa profissão fosse regulamentada, e os cursos oficializados, e se nós tivéssemos que apresentar uma credencial para o cliente, esse bando de aventureiros não teriam espaço para brincarem de fotografo, sendo que aqueles que realmente quisessem se tornar profissionais, teriam que freqüentar cursos profissionalizantes. Nossa classe, e me incluo nela apesar de não estar trabalhando como fotografo, é muito desunida, chegando ao cumulo de uma “colega” tentar se passar por uma cliente, somente para saber quanto o outro estava cobrando pelo seu serviço, que muito mais do que calcular os custas de material e operacional, valem pelo seu talento e qualidade do seu trabalho.
    Acho justíssima sua preocupação,

    Gr/ Abraço

  • pedro mendes

    excelente artigo!!

  • Perdão, acho que posteii no lugar errado. Vou repostar aqui.

    Caro Armando,
    pude perceber quão inquieto vc está, e não é a toa.

    Devo confessar que até passei pela faze onde achava que entendia, mas ao começar a pesquisar e ler não pude deixar de perceber minha ignorância.

    Desde então, comecei a pesquisar e ler (e muito aprendi aqui da fotografia DG) e hoje posso dizer que nada mais sou do que um aprendiz.

    Como mero aprendiz, posso dizer que parte de seus questionamentos vem, de fato, como uma consequência do período em que vivemos e do baixo custo de equipamentos fotográficos.
    Vivemos hoje em um período onde a crítica é pecado, diciplinar os filhos é crime e ensinar é errado.

    Como então podemos querer pessoas interessadas em informação, em saber e entender a arte e sua abstração?

    As pessoas não querem se esforçar para melhorar suas técnicas ou passar um dia inteiro para conseguir uma foto boa. Elas querem que todas as fotos sejam boas sempre e por isso compram cameras cada vez mais caras na esperança que a câmera faça o serviço que na verdade é do fotógrafo.

    Digo isso pois vi um conhecido meu comprar uma camera igual a minha e ficar com aquele ar de "agora eu tiro foto que nem você." Mas não sabe nem o que é diafragma ou obturador. Após um evento ele vira pra mim e pede "você tem como passar umas fotos pra mim depois? porque as minhas não ficaram boas…"

    Por isso existem cursos que ensinam a apertar botão, apertadores de botão e maus profissionais apresentando workshops, porque eles falam e ensinam aquilo que o "povo" quer ouvir.

    Para terminar, e ser um pouco redundante, volto a dizer que devido a nossa sociedade vive numa cultura imediatista e mesquinha, que faz pessoas que não tem conhecimento de arte quererem tomar o lugar dos artistas, querendo que sua arte sem esforço seja reconhecia como a arte dos grandes mestres, sem contudo aceitar a crítica e a opinião que apesar de as vezes doer, serve para nos ajudar a crescer.

    Para finalizar, não quero colocar simplesmente a culpa na sociedade e "deixar para lá". Antes da culpa ser da sociedade, esta é daqueles que constituem a sociedade e se acomodam com a situação.

    Entretanto, alguns inquietos aqui e ali não farão diferença, frente a uma maioria esmagadora da sociedade.
    Podemos e devemos lutar, mesmo que a causa seja perdida, usando a maior arma que podemos usar, a informação. Não para sermos arrogantes e agravarmos essa situação ainda mais, mas para passar essa informação adiante e criarmos novos artistas; sim, artistas; aqueles que não se negam a aprender e que abrem os ouvidos para as críticas e sugestões, analisando e as ponderando de forma a refinar sua técnica e conhecimentos.

    Aliás, seria um ótimo tema para um café numa tarde despreocupada…

  • Simplesmente um dos melhores textos que já li sobre a fotografia em geral (e olha que não foram poucos). Meus parabéns !

  • Certa vez entrei em uma escola de artes aqui de Campinas, eu queria fazer curso de fotografia.
    E após ter conversado por 5 minutos com o "professor" a exigência do curso era ter uma câmera profissional…
    Fiquei muito frustado, pois esperava do curso a visão artísticas das fotos, era conceitos de artes atras das imagens… algo do tipo
    Para finalizar o "Professor" disse: Vou ensina-lo a mexer com sua câmera…
    Respondi educadamente que Não obrigado, tem certeza que qualquer equipamento vem com Manual de Instruções

  • daniela seco

    Muito bom o texto!
    Me identifiquei bastante qdo vc pergunta sobre as pessoas q estão dando workshops por aí, são taaantos!!!
    Me identifiquei tbm no mar de elogios q as redes sociais se transformaram, pensando em mim mesma, no meu conforto em ver os elogios ali, isso é ruim, pq estabiliza o trabalho.
    Muito obrigada por dividir suas experiências e me ajudar a aceitar as críticas!!!

  • wilquem

    Acho que esse texto foi mais um desabafo do que uma pergunta. Sobre os cursos de apertar um botão eu acho valido por que a maioria dos alunos querem isso mesmo,querem aprender a tecnica e não a arte,se voce ficar filosofando demais eles não saem satisfeito do curso. Sobre ser apto ou não em dar aula, um professor precisa de quantos anos de faculdade para poder dar aulas? 4 anos?? acho que é a media de quem ensina fotografia, a partir de 4 anos de pratica,não vejo problema nenhuma desde que tenha um bom conteudo. O que eu acho absurdo são os preços cobrados por workshops,cada vez mais caro e quando é internacional o preço dobra impulsionando assim a valorização dos de fora e não os da casa que acho que tem muito cara bom.

    Tem gente que tem preguiça de aprender na internet ou não conseguem entender, nem todos são autodidatas então acho que os cursos ou workshops com coisas obvias só suprem uma demanda que apareceu.
    Uma coisa é fotografar por hoby outra é viver da fotografia, qual profissional nunca fez uma foto que achou linda,maravilhosa e tal,composição,luz,enquadramento tudo perfeito e o cliente olhar e dizer na sua cara que a foto é um lixo ou não gostar,e voce vai ter que usar aquela foto por que o cliente é que manda.Trabalho somente com fotografia a 3 anos, Não sou artista e minhas fotos estão longe de serem artes(um dia eu chego lá daqui uns 20 anos talvez) mas até la existe um longo e dificil caminho a ser percorrido e não tenho a certeza que chegarei lá.

    Tudo faz parte de um processo,ontem a pessoa queria saber como funcionava o obturador,hoje iluminação,amanha o olhar,depois a composição e assim vai até chegar a "perfeição",devemos respeitar o processo de cada um. Quem nunca na vida quis saber a configuração da camera daquela foto que atire a primeira pedra,faz parte do aprendizado também.

    Se o cara comprou uma reflex,tira foto "boa" e vive disso meritos dele que faz o que mais gosta e ainda consegue viver da fotografia,ele já é um artista só pelo simples fato de viver de fotografia.

    Quando lançarem um curso onde me incentive ver além,que me mostre as milhoes de formas de harmonizar uma imagem,me incentive a ir além para provocar a inquietação e que me mostre o histórico cultural daquele fotógrafo que o levou a ter aquela idéia, eu serei o primeiro a me inscrever e se for voce Armando será melhor ainda por que acho voce um otimo professor.

  • É Armando, não está nada fácil, até mesmo as informações nas redes são controversas, as vezes o que aprendemos parece ser a coisa correta a se passar a frente e quando vamos mais a fundo no assunto vemos que estamos aprendendo de forma errada a internet veio para ajudar e muito porém ainda existe publicações de livros de pessoas totalmente despreparadas para o assunto que o fazem apenas para suprir uma de suas necessidades financeiras (eu acho) já fui e continuo indo atrás de informações erradas difícil é saber onde encontrar veracidade em seus temas abordados recentemente me deparei com um DVD da editora iPhoto, fiquei decepcionado com a informação ali contida explicada de forma incoerente que talvez usado termos subjetivos traria um melhor aprendizado ao receptor.

  • Cristiano Zamith

    Olá Armando!
    Quero parabenizá-lo pelo texto, pois reforça o que eu penso sobre fotografia enquanto arte e sobre a importância de planejamento e de referências fotográficas para quem busca um lugar ao sol. Sou mais um apaixonado por fotografia que tem o sonho de um dia me profissionalizar na área. Só que tenho uma vida profissional estável e uma família para sustentar e jamais faria a loucura de trocar de carreira de repente. Assim, iniciei o aprendizado das técnicas, da história da fotografia e seus principais expoentes. Faço vários cursos e workshops, leio muito sobre temas diversos para complementar meu conhecimento e pratico continuamente sem deixar de investir em equipamentos e acessórios. Sinto falta de opinião profissional sobre minhas fotos, mas isto é natural quando se inicia em uma nova atividade. O caminho do conhecimento é árduo e não há garantias, mas quando se ama aquilo que faz e se há planejamento envolvido, as chances de sucesso são maiores. Conheço pessoas que fizeram um curso básico e já divulgam seus "trabalhos", mas não acho que esta seja uma abordagem inteligente para quem quer viver de fotografia.

  • Joel

    Ola Armando, Gostei muito do seu texto ele me faz abrir a mente para continuar aprendendo, a arte de fotografar, sou fotografo amador apaixonado por fotografia, e devido minha condição pessoal na vida, busco o conhecimento especialmente, na internet, revistas especializadas e livros, não vivo da fotografia e provavelmente nunca viverei e acho que esse é o gostoso da fotografia fotografar só por prazer de registrar um momento.
    E na minha busca por conhecimento, tenho visto muita gente ensinando coisas que estão no manual do equipamento, outros vivendo da fotografia só por que comprou uma reflex e agora ela faz fotos "boas".

    Acredito que as inquietações do artigo só tem a piorar, por que o amango da questão é a falta de moral, que vive a sociedade humana como um todo; que é refletida em todos os campos da atividade humana.

  • Celso

    Olá! Moro no Japão e sempre que posso leio seus artigos! Que além de ótimos, são esclarecedores e nos levam a pensar e ver as coisas por outro lado! Sou um fotogrfo amador querendo me tornar um profissional!
    Aqui, também não é diferente do Brasil, há vários profissionais ótimos, como também outros que mal saíram de um cursinho básico e já se intitulam “photographer”, e ainda o usam como se fosse um sobrenome, se não fazem Ws, estão abrindo uma “escola de fotografia”.Não generalizando, alguns desses “photographers” também tiram boas fotos!
    Aqui a aquisição de uma câmera semi-pro ou até uma pro não é difícil! Uma entry level então nem se fala! Tem aqueles que dizem: “com uma câmera dessa até eu tiro uma foto assim”, e o que fazem? compram uma câmera X top de linha, colocam no “verdinho” e saem batendo fotos!! Se dizem auto-didatas, fazem um”curso” no YouTube e saem dizendo por aí que são fotógrafos profissionais!! E nem sabem o que significa GN, muito menos o porque de abrir ou fechar o diafragma ou obturador!!!
    Agora falando dos profissionais, tem uns poucos, mas valiosos, que sempre estão dando conselhos e ensinando aqueles que um dia serão também profissionais! Esses sim são de se tirar o chapéu!! ( Você também pode se considerar nesse meio)
    Criticas? Se você critica uma foto sobre composição, ou sobre o horizonte, ou foco, vão dizer: ” você fala isso porque tem uma câmera boa!” ou seja a culpa nunca é da pessoa!!
    Bom, devo ter falado de tudo um pouco e deve ter ficado estranho, mas com todos esses comentários acima não tem mais o que falar, só assinar em baixo!!! E como já foi falado, esse post deve estar no lugar errado, pois até agora não li um comentário contra! Pelo menos todos são conscientes de que fotografia não é tirar foto! E sim fotografar algo, desenhar com a câmera!
    Abraços!!

  • Michel

    TODOS AQUI TEM CULPA DISSO QUE ESTA ACONTECENDO…DE UM JEITO OU DE OUTRO.

    EU SOU INQUIETO.

  • Brilhante como sempre meu amigo!

    A partir do momento em que nos atentarmos mais para os equipamentos do que para o estudo da matéria prima do nosso trabalho, a luz, vamos nos tornar especialistas apenas em equipamentos.

    E sendo especialistas em equipamentos, seremos apenas robôs ensinados a ler um manual e apertar um botão, deixando toda subjetividade, poesia e encatamento de lado.

    Conte comigo sempre para levantar essa bandeira da defesa da fotografia como ela essencialmente é, e não como constantemente vem sendo mostrada.

    Grande abraço e parabéns!

    • Armando Vernaglia Jr

      Muito obrigado pelo comentário Diogo!
      Você tem toda a razão, e digo mais um ponto, ser especialista em apertar botão é algo com dias contados, qualquer máquina fará a técnica sozinha cedo ou tarde, aliás a técnica hoje já não precisa de grande parte da precisão que existia, fotografar em filme cromo com 5 pontos de latitude não permitia qualquer erro, hoje digital, com cartões que suportam milhares de fotos, com latitude de 9 pontos ou mais em RAW… sujeito conseguir errar na técnica tem que ser muito esforçado na direção errada! =^) Então o que nos diferenciará no final? Arte.
      Abração,
      Armando

  • Ricardo Inada

    O óbvio é aquilo que a grande maioria vê, acredita e pratica, ficando inerte em suas limitadas possibilidades; os gênios se destacam porque enxergam muito além disso – o mito da caverna de Platão exemplifica bem o fato e cai como uma luva – a sorte dessa maioria é que alguém vai investigar a origem das sombras; se não for considerado louco, e morto pelos demais, vai tentar compartilhar e disseminar essa descoberta – será esse o motivo da escassez dos inquietos?

    Vernaglia, parabéns pelo belo texto.

    • Armando Vernaglia Jr

      Olá Ricardo. Obrigado pelo comentário.
      O ponto da minha curiosidade é justamente esse, será a zona de conforto, mesmo que sem conforto nem nada, mais poderosa que a curiosidade? Parece que sim, e este seria o motivo, o que é algo bem ruim na verdade.
      []'s
      Armando

  • Ricardo

    A maioria das pessoas esqueceu a pratica da autocritica, sendo assim não aceitam criticas.
    Talvez as pessoas tenham esquecido que a critica e a autocritica sao de extrema importancia no processo de aperfeiçoamento, não somente no processo criativo e artistico como tambem no processo produtivo.

    • Armando Vernaglia Jr

      Autocrítica é algo em extinção, as pessoas estão acostumados com o qualquer coisa é arte, então qualquer coisa está bom… é triste para quem se esforça.
      []'s
      Armando

  • E precisa dizer que esse é mais um dos seus ótimos artigos? :)
    Não vou me estender a comentar o que já está aí.

    Fico perplexa de como hoje se precisa de tanto esforço para coisas tão simples, como breves comentários. O ócio reina e a polêmica precisa ser das boas pra gerar a indignação e então o ato, mesmo que ele venha lentamente… Quase se implora por algo que costuma ser benéfico para todos.

    O mais legal é que eu já trabalhei propagando cursos de outros fotógrafos (go capitalism!) e isso me ajudou profundamente a entender esse nicho. Sempre me fez pensar mil vezes mais antes de aceitar qualquer proposta do tipo: vem aqui dar umas aulinhas pra galera… independente do meu nível de experiência e outros fatores que são relevantes mil.

    Enfim, tô com orgulho alheio da quantidade de gente que venceu toda a preguiça (ou seja lá como se nomeia a sensação atual de ver um monte de letras) e além de ler o fantástico texto ainda se inspirou pra comentar também. Incrível o quão saudável se tornam esses debates, quem é capaz de digerir só tende a crescer. :)

    • Armando Vernaglia Jr

      Olá Mariana, obrigado pelo comentário e opinião!
      Você tem razão, hoje em dia qualquer pessoa gasta horas falando de amenidades ou futilidades, mas perde-se pouco ou nenhum tempo discutindo arte, uma piada numa rede social viaja por milhões de pessoas, já uma dica de exposição artística mal chega nas dezenas de pessoas, imagina então as pessoas gastarem tempo com crítica artística! Por isso concordo com você, também estou com orgulho com todo o retorno que este texto gerou, muita gente viu, opinou, somou coisas, bem legal mesmo!
      []'s
      Armando

  • Márcia

    Caro Armando,
    Ao degustar o seu texto com todas as reflexões não pude deixar de pensar na "Teoria das Idéias de Platão" e no "Banquete", que aprofundam bastante a questão da origem e da procura do belo. Para aprofundar e acrescentar sugiro a leitura destes textos, se você ainda não o fez, que só serão bem entendidos por aqueles que já saíram da "caverna" e buscam a razão das coisas.
    Pra mim a fotografia, assim como qualquer arte é uma tentativa de se recriar o belo (absoluto) e, quanto mais próximo, ou menos distante, estiver da sua essência, melhor a sua expressão (forma). Somente o contato com a ideia vai possibilitar a criação de grandes obras como as que você citou e que nos resgatam um pouco o sabor da essência que está em cada um.
    Saudações,
    Márcia

    • Armando Vernaglia Jr

      Olá Marcia, obrigado pelo comentário e opinião!
      Conheço apenas superficialmente os textos que indicou, irei me aprofundar, obrigado.
      []'s
      Armando

  • Armando, acompanho seus posts em sites e nas redes sociais, não sou profissional (estou longe de ser, sou um policial rsrs) mas acho que me encontrei na fotografia. Na verdade sou um apaixonado por Imagem em geral, seja fotografia ou cinema. Comprei minha primeira reflex há mais ou menos 2 anos e desde então venho consumindo muito material na internet via sites, fóruns e redes sociais, também comprei alguns livros e o interesse só vem aumentando, gostaria muito de fazer um curso presencial, mas por enquanto não tenho condições financeiras tampouco tempo para tal. Tenho algumas ressalvas e receios para com o 'Mundo de Glamour da Fotografia'.

    Percebo que a picaretagem, a falsidade, a inveja e a falta de união dão o tom entre os profissionais da imagem e isso foi acentuado depois que a tecnologia nos trouxe o fácil acesso à informação. O mercado está saturado, ninguém quer estudar. Os poucos que querem tem dificuldade de encontrar uma escola ou um instrutor confiável. Alguém precisa fazer alguma coisa, pois do jeito que as coisas estão indo a profissão vai acabar e os próprios clientes farão suas fotos.

    • Armando Vernaglia Jr

      Olá Alexandre, obrigado pelo comentário.
      O que você cita, do cliente fazendo a foto, já existe. E quanto à falta de união, também sempre existiu, é que como hoje tem mais gente na área, dá impressão de um problema maior, mas acho que só é reflexo do aumento dos participantes do mercado.
      Você diz que alguém tem que fazer algo, e eu lhe respondo quem deve fazer: o consumidor. Quem não quer ser enganado pesquisa, quem não quer jogar dinheiro fora pesquisa, e fazendo isso não contrata serviço ruim, seja de fotografia ou de ensino de fotografia.
      Para o mercado ser melhor, devemos nos repensar como consumidores também. Costumo dizer o seguinte, se eu achar normal comprar um software caro numa banquinha pagando uns trocos e achar isso normal, alguém achará normal me pagar pouco ou nada pelo meu trabalho, se eu achar normal não pagar por um bem de consumo ou serviço qualquer que seja, alguém irá achar normal o mesmo pela fotografia, então temos que refletir o que somos como consumidores também.
      Grande abraço,
      Armando

  • Jefferson

    Engraçado, lendo seu texto, vejo um anuncio, curso de fotografoa online "só 29,90"…….

    • Armando Vernaglia Jr

      É, devo concordar… a parte que me deixa satisfeito é que não sou responsável pelos anúncios e pela parte comercial da coisa toda, meu negócio é a fotografia e o cinema, e o ensino de ambos. Quem compra um curso desses não pode esperar grande coisa, mas talvez a pessoa sequer queira muita coisa, então podemos dizer que o produto tosco encontrou seu público de baixa exigência… faz parte do mercado e do ser humano.
      Grande abraço,
      Armando

  • Suelen

    Ótimo texto, eu como inciante que sou sinto muita falta da critica de meus colegas mais experientes, NÃO QUERO somento elogios, quero ser criticada, educadamente, para poder crescer e enxergar os meus erros mais frequentes que eu não vejo…

    • Armando Vernaglia Jr

      Olá Suelen, obrigado pelo comentário.
      Vou dizer o que já comentei para outros, exercite a auto crítica, mais do que esperar que pessoas pretensamente mais sábias ou experientes o façam. Quem detém uma posição no mercado nem sempre é melhor em absolutamente nada, então abra revistas e livros, olhe o que de bom é publicado, compare com o seu e seja impiedosa na auto crítica, faça o seu caminho que é o melhor jeito.
      []'s
      Armando

  • Mario

    A obra de arte vem do ato do artista, na sua relação entre o que quer fazer e o resultado deste exercício, o que a crítica e as pessoas vão opinar a respeito é consequência. A internet e a informática popularizou e viabilizou certos ofícios, que deixa quem os pratica em um estatus de celebridade, talvez seja por isso que todo mundo hoje em dia é DJ, Fotógrafo, Escritor, Filósofo…etc…pois, o que os atrai em tais ofícios é a consequência de algo que eles não estudaram, não praticaram ou não se comprometeram por paixão, é como fazer o caminho de trás para frente. Acredito que o que muitas pessoas querem, é uma auto-realização acompanhada de reconhecimento em nível célebre, é claro que isso não se aplica a todas as pessoas, O lobão disse uma vez sobre um assunto parecido "a platéia subiu no palco".
    Querer ser pai é uma coisa, querer ter um filho é outra totalmente diferente.

    • Armando Vernaglia Jr

      Olá Mario.
      100% de acordo, não tem o que somar ao seu comentário, há uma inversão, hoje as pessoas buscam o ato pela consequência, e não pelo ato, acho que você respondeu grande parte das minhas perguntas, obrigado.
      Agora resta saber o motivo dessa inversão… =^)
      Abração,
      Armando

  • Excelente texto, cara!

    E é mais do que importante pra mim, que estou engatinhando no ensino, ler opiniões desse tipo. Conheço muitos professores que não se preocupam mesmo com essas questões e só querem o bolso cheio. Por um tempo pensei que o mercado do ensino de fotografia era isso mesmo, mas é um bálsamo conhecer gente como você, o Villegas e oturos colegas que estão sempre dispostos a sentar, discutir e ensinar a ensinar. Todo mundo começa de algum lugar, e eu sinto que vocês não olham para os novos (os de bom senso rs) não como uma ameaça, mas como alguém que está começando e precisa desses toques. Todo mundo já foi inexperiente um dia. Tem gente que entende isso e recebe o novo professor para ajudar e formar. Obrigado por fazer parte desse grupo.

    Por outro lado, acho que cada professor atrai o tipo de aluno que merece. Não acho que a fotografia, por si, seja arte. Existe o ofício da fotografia, o evento, o produto, a publicidade, a pauta nossa de cada dia. Quando a gente consegue fazer disso arte, ótimo. Mas tem muita gente aí procurando só o ofício mesmo. Esse se importa só com a técnica. Os porquês de suas fotos tem mais a ver com os elogios e as contas a serem pagas do que com arte. E não vejo exatamente um problema nisso. É um mercado. O problema é realmente que esses fotógrafos procuram os professores fáceis, que vão dar fórmulas mágicas, e esses professores não se sentem responsáveis por apresentar o outro caminho. E não sei se um dia se sentirão.

    O que me deixa inquieto nisso tudo, como novo professor, é que tem gente que não me conhece, nunca assistiu uma aula minha e me joga no mesmo saco de algum lixo que ele conhece. Esse tipo de gente é exatamente igual ao aluno que quer o caminho mais rápido. Não se dá o trabalho de conhecer, conversar, discutir ideias. Somente usa a fórmula mágica que aprendeu para julgar as pessoas de acordo com a idade e outras besteiras irrelevantes. Esses nasceram sabendo de tudo, imagino. Mas ainda bem que existem! Pra mim, eles são uma referência do que não ser.

    Obrigado pelo texto e continuo te dando a liberdade de puxar minha orelha quando necessário.

    • Armando Vernaglia Jr

      Fala Leo! Obrigado pelo comentário por aqui!
      Como eu te disse, sobre seu caminho na fotografia e no ensino, se você não fosse um cara batalhador, inquieto, não chegaria a lugar algum, então se está subindo, merece cada degrau que subiu.
      No meu começo ouvi um monte de besteiras, teve fotógrafo/professor mais antigo que saiu por aí falando mal da minha pessoa pelas costas sem nunca ter visto aula comigo ou sequer ver minhas fotos. A barreira de entrada não é nova, sempre existiu e sempre foi pesada, negócio é ignorar, ouvir a crítica que ajuda, ignorar aquela que só quer detonar e seguir em frente.
      Hoje todo mundo que falava mal de mim tem vergonha de fazer isso ou de ter feito isso pois viu a história que segui construindo, então negócio é tocar o barco, fotografar, estudar, treinar, fotografar mais, estudar mais e assim ir seguindo.
      Abração,
      Armando

  • Marcelo Brunelli

    Completando meu post.
    Meu sonho é que peguem as minhas fotos e me falem todas as críticas quantas forem necessárias, é ai que eu vou aprender.
    Porém, isso ninguém quase tem disposição em fazer…
    Mostrar as fotos a um profissional, ele se limita a dizer bom ou ruim e só.
    Me parece que ensinar as técnicas é um processo que poucos fazem com vontade mesmo.
    Eu me inspiro no Henri Cartier-Bresson, o que ele fez com o pouco que tinha foi um absurdo.
    Você olha as fotos dele e já entende a mensaqem. E foi um homem que dominou o conceito de luz como poucos.
    Armando, já pensou em um forum de discussão sobre este tema, mas ao vivo e a cores?

    • Armando Vernaglia Jr

      Olá Marco, obrigado!
      O ponto aqui é o seguinte, muitos dos grandes nomes das artes nunca tiveram alguém para dar feedback, aliás tiveram só negativas, por exemplo Mozart foi renegado por quem detinha posições mais altas junto a corte, Monet e outros impressionistas foram ignorados solenemente pela academia francesa de artes, Kubrick foi o cineasta mais ignorado por Hollywood só tendo recebido um Oscar depois de morrer e assim por diante… não podemos depender disso, temos que correr atrás, a auto crítica é um processo fundamental, e hoje anda meio em desuso.
      Nem sempre quem detém uma posição no mercado irá ajudar quem está começando, isso em qualquer área, então é preciso se virar. No meu começo eu recebi críticas pesadas de gente que sequer me conhecia, teve gente falando mal de mim pelas costas para clientes, então se me dessem feedback seria o pior possível, negócio é ignorar e seguir o caminho.
      []'s
      Armando

  • Cris Montheiro

    Oi Armando, concordo com vc sobre a preguiça acho que é o que reina! Na verdade não é nem a preguiça, é achar que já nasceu rei e que tudo vem à mão sem muito esforço. E gente… a vida é um esforço!!! Sobre as perguntas 1 e 2 acho que tem mais é que existir cursos que só ensinam as funções da câmera mesmo, pois (fala sério) a maioria das pessoas nem quer aprender mais (dá muuuuito trabalho). Quem quer, sabe onde procurar e estudar! Penso que este caos atual, com inúmeros "reis" que não podem ser contrariados ou criticados vem da educação. No passado, o peito do frango era do pai e hj de quem é??? Tudo de bom vai para os filhos, que são reis dentro de casa (e isso independe da classe social). Crescem achando que tudo vem muito fácil, que a vida é só mar de rosas, sem frustrações e críticas, e mais… que o mundo gira ao seu redor (claro, foi isso o que aprendeu em casa) e quando crescem aprendem, a duras penas (ou pior, não aprendem nunca), que a vida é bela sim mas sem esforço não há crescimento. Sobre as críticas… ok tem pessoas que criticam realmente só p jogar p baixo, mas, se for uma pessoa "do bem" eu vou querer muito que ela use de toda sua bagagem de vida e conhecimento e "perca" seu tempo comigo para me dar um feed back do meu trabalho para o meu crescimento. Uma crítica bem feita deveria ser encarada como um favor!!! Alguém que não gosta de vc irá ver seu trabalho, ver coisas que podem ser melhoradas e não irá falar nada, quer mais é que vc se ferre e fique ainda muito tempo fazendo da maneira "errada". Adorei seu post!

    • Armando Vernaglia Jr

      Obrigado Cris.
      É, a questão da educação é central, mas infelizmente não vejo como isso possa ser alterado, parece um curso definitivo com múltiplas raízes sociais, econômicas etc., então não haveria um jeito? É algo para pensar. Obrigado.
      []'s
      Armando

  • Marcelo Brunelli

    Eu tentei escrever mais, mas o site não permitiu.
    Excelente texto, mas o dominio de técnicas envolve anos de experiência e também tentando e errando muito.
    Não sou profissional, mas vejo que o mercado hoje torce o nariz para a entra de novos profissionais.
    Mesmo que um dia eu domine as principais técnicas, a entrada no mercado, caso eu o faço, será dificil.
    O mercado está bem marginalizado, e mesmo assim, ainda é dificil.
    Fico inquieto com isso, tenho minhas vontades, mas sei que o caminho é bem longo.

    • Armando Vernaglia Jr

      Olá Marcelo, obrigado.
      Penso que o mercado sempre torce nariz para os novos, em qualquer área, imagino que engenheiros, dentistas, contadores, todos tenham algum tipo de receio de perda de seus "territórios" quando gente nova entra, e esse processo é acentuado em profissões sem controle e sem base de educação formal. Então isso não é o problema central, acho que o problema vem antes, exatamente na falta de um sistema educacional melhor (em todas as áreas, incluindo as artes), a falta de vontade das pessoas em pesquisar boas escolas e bons professores. Entre outros pontos como essa tendência internética de todo mundo querer ficar famoso no mundo virtual em cinco minutos, é uma coisa dos novos tempos e é estranho, eu levei quase vinte anos para estar onde estou, mas hoje parece que ninguém quer demorar nem um décimo disso.
      []'s
      Armando

  • Marco

    Parabéns pelo texto. De muita coerência e bom senso!
    Sou professor de Matemática e para tal, estudei, me formei e fiz matérias específicas, como didática, metodologia e outras coisas que precisamos para estarmos ali, em frente aos nossos alunos ministrando tal conteúdo. Agora, dominar o conteúdo é algo que nem se questiona, pois inconcebível seria um professor dando aulas sem saber o que faz. ( sei que isto existe, mas não é o mérito da questão.)
    O que mais me indigna são pessoas que se metem a ser professores sem pelo menos um curso extra de metodologia, didática ou pós-graduação, que o torne apto a ministrar tal matéria. Destes "professores" o mercado está cheio e inclusive na fotografia. Não quero aqui dizer que quem não tem estes cursos não sejam bons, pelo contrário, quero dizer que quem tem um curso que o torne apto a ser docente, que isto seja um diferencial e via de regra, obrigatório. Imagina eu, resolvendo extrair um dente por minha conta, ou abrindo uma farmácia e assinando como farmacêutico, ou ainda, defendendo um acusado perante o juíz?! Pois é, então porque para ser fotógrafo, temos tanto lixo por aí e principalmente tantos "professores" dando aulas de fotografia ou ainda melhor, tantos fotógrafos que se dizem professores? Pois é, assim fica difícil! Isto é assunto para o resto da vida…

    • Armando Vernaglia Jr

      Olá Marco, obrigado pelo comentário!
      É como você disse, o domínio do conteúdo deveria ser um pressuposto, e infelizmente não é, aí entramos na questão ética de quem faz isso.
      Mas mesmo dominando o conteúdo, o conhecimento do processo ensino/aprendizado é certamente um diferencial. Conheço gente que dá aula muito bem sem isso, mas devo dizer que mesmo no meu caso, eu já dava aulas há dez anos e era bem reconhecido por isso, mas do momento em que fiz a pós e cursei prática e didática de ensino, muita coisa mudou, entendi melhor certos processos, e até coisas que eu fazia certo passaram a ter base e assim pude buscar me aprofundar ainda mais.
      Mas realmente, nas escolas de fotografia, teremos poucos profissionais com esse tipo de habilitação, da mesma forma que temos tão poucas faculdades de cinema e fotografia, enquanto países muito menores que o nosso em população, como Italia, França e Canadá, tem muito mais instituições nessas áreas.
      Obrigado novamente pelo comentário.
      []'s
      Armando

  • anderson

    Concordo com o texto, mas não sejamos hipócritas, a maioria das pessoas que elogia o texto faz ou já fez pelo menos metade dos pontos negativos que o autor citou e sobre o ir alem das funções técnicas sobre fotografia sinto falta dessa inquietude inclusive nas publicações que o autor escreve periodicamente!!

    • Armando Vernaglia Jr

      Olá Anderson, obrigado também pelo comentário. Sou obrigado a concordar com você, inclusive na parte que toca às minhas publicações, mas também me sinto obrigado a lhe dar uma explicação.
      Tanto aqui, como na Digital Photographer Brasil, publicações com as quais contribuo regularmente, há um mix de matérias e conteúdos, de diversos autores e vários temas e tópicos, e todos os autores variam um pouco sua temática de pontos mais voltados a arte aos mais voltados a técnica pois acreditamos (eu pelo menos acredito), que um não se sustenta sem o outro, assim não vejo arte sem a existência da técnia, pois essa é a ferramenta, é o pincel e a pincelada da mão do pintor. Assim como não adianta técnica sem arte, sem profundidade etc.
      Ao longo do tempo publiquei aqui, gratuitamente pois não ganho um centavo pelos meus artigos e todos recebem esses artigos sem pagar por eles, artigos técnicos em sua maioria, pois acredito que essa parte do conhecimento está ou deveria estar dentro da parte óbvia e acessível, daí até e-book de graça eu ter lançado, sequer cobrei por essas coisas pois acho mais que isso deve ser acessível, assim o dia que ninguém mais tiver uma dúvida técnica, quem sabe todos se concentram na estética finalmente. Esses são meus motivos e acho que lhe devia, a você e a todos, essa explicação, por isso agradeço seu comentário pois é verdadeiro.
      []'s
      Armando

  • Zé Ninguem

    O engraçado é a escola que vc dá aula contratando, justamente, professores de ws sem didática e sem conteúdo, mas enfim

    • Armando Vernaglia Jr

      Olá amigo, obrigado pelo comentário, se puder e quiser, me escreva diretamente em meu e-mail pois sinceramente gostaria de saber sobre qual escola, e se possível qual curso você se refere, dou aulas em 3 lugares, e não sou o responsável pela programação das 3. Então verdadeiramente gostaria de saber do que estamos falando pois sequer conheço todos os cursos e professores das 3 escolas, conheço parte apenas, então se puder gastar um tempinho mandando um e-mail para mim com esse feedback, seria útil para mim e para a escola em questão pois posso conversar com eles, obrigado.
      []'s
      Armando

  • Virgilio

    Armando, estas suas questões vão realmente no âmago da discussão que mais me incomoda._A resposta para a pergunta central do seu artigo é simples e ao mesmo tempo complexa._Talvez a resposta não se encontre nos avanços tecnológicos, tão pouco na enxurrada de novos fotógrafos. _Vou dar um exemplo que talvez pareça que não tem nada relacionado com o seu artigo?_Outro dia fui a uma grande livraria, como faço uma vez por semana religiosamente, ao ir até o caixa para pagar pela publicação que escolhi, entrguei a moça que me atendia uma nota de R$100 e ela precisava cobrar R$73. Muito bem,ela fez todo procedimento, código de barras lido,registrou o valor da cédula com que paguei e apertou o botão que acionou a gaveta de dinheiro mostrando no visor luminoso que o troco deveria ser de [email protected] Foi quando eu disse que tinha R$23 para facilitar o troco. Pois é, com isto eu causei uma tremenda confusão na cabeça da moça, a máquina já havia feito as contas para ela, e eu oferecendo algo que a faria recalcular o que já estava ali com o resultado estampado, finalmente com um sorriso amarelo ela me disse que não precisava e me agradeceu._Voltando aos seu artigo, tenho a impressão que a maioria das pessoas estão se tornando escravos da tecnologia e quanto mais facilidades melhor (para eles)._A tendência com todo este movimento (ou com a falta dele) é imagens cada vez mais parecidas uma com a outra. Não percebemos inquietudes na forma de agir e nem na obra produzida. Infelizmente._Grande abraço

    • Armando Vernaglia Jr

      Olá Virgilio, obrigado pelo comentário. É verdade, a facilidade vicia, o recurso pronto não nos provoca a pensar, é um mix entre a questão da evolução tecnológica e o fato de que não somos educados a viver sem isso, só pensamos sem recursos quando somos obrigados. Isso me leva a mais um ponto, seria nossa própria evolução a causa de tudo, seria nossa própria busca por conforto e tranquilidade na verdade a busca por uma situação que nos permita a preguiça? Isso me deixou agora com a pulga atrás da orelha… vou pensar mais, obrigado pelo comentário.
      []'s
      Armando

  • Olá Armando,

    Acho que você publicou o texto no lugar errado. Digo isso porque lendo os comentários ainda não vi nenhum se opondo ou defendendo a outra parte. Ao menos para mim, isso indica que as pessoas que vieram até aqui e leram todo o seu texto, já foram selecionadas naturalmente e por isso a opinião geral é favorável.

    De certo modo, é bom. Afinal, temos esperança. Por outro lado é ruim, porque não dá para mensurar a quantidade de boabagens que as pessoas tem propagado por aí. Eram esses que eu esperava ver aqui, com comentários inflamados, tentando se justificar, perdendo os parcos argumentos que tem e partindo para a ofensa direta e gratuita.

    Ou será que estão tão cegos que ainda não perceberam que o texto é para eles?

    O que eu sei é que gosto de fotografia, tive que reaprender muitas coisas e espero estar evoluindo. Ainda tenho muito chão pela frente antes de começar a atender profissionalmente. Talvez seja um erro, porque eu vejo muito profissional fazendo um trabalho muito primário, muitas vezes ruim e cobrando caro por isso.

    O que acontece com a fotografia é parecido com o que acontece com o marketing e publicidade em geral. As pessoas não sabem o que é, mas se dizem mestres no assunto. Vi pessoas que leram um livro ou um artigo na internet e querem dizer que sabem mais que 10 anos de prática profissional. Que fazem um curso on-line de 2 anos e já querem derrubar argumentos de Kotler e Drucker.

    A fotografia ainda tem um fator complicador: virou moda.
    Agora é "chique" dizer que é fotógrafo(a). As máquinas baratearam e depois de descarregar o cartão pela primeira vez, pronto! É profissional.

    O mundo sempre esteve cheio de gente medíocre e sempre será assim. Se todas as pessoas fotografarem, é a mesma pequena parcela que continuará a fazer bons trabalhos. Uns outros que terão um trabalho razoável e muita politicagem e o resto… Bom, o resto é resto!

    A diferença é que antes ninguém, fora uns poucos azarados ao alcance, nunca ficavam sabendo o quão ruim era o "trabalho" deles. Agora eles disparam isso na internet e sabe-se lá onde isso vai parar. Pior! Pode parar na mão de alguém que vai gostar daquilo e achar o máximo e sair propagando por aí.

    As pessoas são preguiçosas, nunca saem da sua zona de conforto.

    • Armando Vernaglia Jr

      Olá Ricardo!

      É sempre um prazer receber seu comentário, tanto pessoalmente quanto virtualmente, obrigado.

      Você tem razão, ou o texto está no lugar errado, pois aqui todo mundo tem essa noção, o que traria esperanças pelo volume de retornos positivos, ou falta auto crítica. Mas conhecendo a galera que frequenta aqui o DG, creio que seja a primeira opção, pois sempre tem muitos artigos bem legais e úteis aqui, não só de técnica, então acredito que essa galera tenha a noção, mas sempre é bom reforçar! =^)

      Você novamente tem razão quando compara com o marketing, se lembrar dos nosso tempos da faculdade, era a grande moda ser publicitário, e isso se relaciona com a fotografia hoje, é moda, é "cool" dizer que é fotógrafo mais ou menos na mesma medida que DJ. E da mesma forma como vemos DJs que não sabem o que fazem e levam programações prontas para a festa e deixam o computador fazer tudo sozinho, sem aprender nada de música, sem ter repertório, temos fotógrafos no mesmo caminho, que acham que apertar um botão, dar uns tapas no photoshop e fazer uns efeitos fakes e toscos está de bom tamanho.

      Mas tudo isso é fruto de falta de educação, coisa que quem se dedica a ensinar tem obrigação de tentar ajudar, corrigir, orientar de alguma forma, e aí entra o bando de picareta que também vemos por aí, fotógrafo que sabe fazer uma luz só criando workshop de luz e assim por diante. E as pessoas, por preguiça, seguem alimentando esse sistema besta de jogar dinheiro fora.

      Nós dois temos uma longa história nisso tudo, na fotografia e na publicidade, sabemos o quão complicado é conquistar uma posição, definir uma linha de trabalho, se aprofundar e criar algo diferenciado, mas a zona de conforto é uma praga que amarra a maioria.

      Posso ser utópico, mas tenho a idéia de que um dia isso vai mudar e que teremos mais inquietos do que acomodados, é um sonho, mas é isso que me mantém na ativa. =^)

      Abração, e obrigado pelo comentário, como sempre pertinente e embasado, obrigado.
      []'s
      Armando

    • Elder

      Oi Ricardo, quando você diz: "Acho que você publicou o texto no lugar errado. Digo isso porque lendo os comentários ainda não vi nenhum se opondo ou defendendo a outra parte.", pense em outra possibilidade:
      a carapuça talvez tenha servido em muita gente e essas pessoas não tiveram coragem (?) de se manifestar!
      Artigo muito necessário, ainda mais hoje, quando a quantidade e variedade de informações, assimiladas sem critério, possibilita o aparecimento de muitos "professores"!

  • Ana E.W.

    Como Anna Paula acima, também virei fa! (desculpas, nao tenho acentos no meu keyboard).

    Excelentes pontos!
    Eu leio diariamente sobre fotografia em revistas, livros, internet e tambem vejo uma profunda perda do
    aspecto artístico aonde as técnicas podem se tornam quase uma obsessão! Concordo que estas sao boas de saber mas duplicar nao ha como.

    Um ponto em particular que gostaria de dar minha opinião, o no. 4.
    Detesto o silencio internetico!!! Quando se pergunta pela opinião de uma pessoa as vezes vem o silencio…..estes também nao querem dar suas opiniões, mesmo que negativas mas construtivas, pois provavelmente já fizeram isso e mais do que provavelmente receberam patadas de volta!

    Adorei seu artigo…..excelente para manter o foco no que realmente 'e importante.

    (Quero muito atender a umas de suas aulas!!!!)

    Ana

    • Armando Vernaglia Jr

      Ana, existe um ponto aqui, ninguém é obrigado a comentar. Hoje também criou-se um costume na internet de que todos devem estar o tempo todo disponíveis e isso é falso. Eu mesmo recebo e-mails que não respondo, pois é impossível responder a tudo, eu não trabalharia, e além disso, quando vejo que a pessoa pergunta algo que o Google responderia em 3 segundos, vejo que não vale o tempo de responder algo pois a pessoa teve preguiça de pesquisar. Lógico que não devemos generalizar, mas são fatos que acontecem. Além disso, como na internet virou mania só elogiar, e quando há uma crítica a imensa maioria reage negativamente, muitos fotógrafos, eu inclusive, simplesmente desistimos de criticar em sites como Flickr e Facebook, eu por exemplo deletei minha conta do Flickr pois não dava mais.
      São coisas para pensar. Obrigado pelo comentário.
      []'s
      Armando

      • Armando Vernaglia Jr

        Anna, existe um ponto aqui, ninguém é obrigado a comentar. Hoje também criou-se um costume na internet de que todos devem estar o tempo todo disponíveis e isso é falso. Eu mesmo recebo e-mails que não respondo, pois é impossível responder a tudo, eu não trabalharia, e além disso, quando vejo que a pessoa pergunta algo que o Google responderia em 3 segundos, vejo que não vale o tempo de responder algo pois a pessoa teve preguiça de pesquisar. Lógico que não devemos generalizar, mas são fatos que acontecem. Além disso, como na internet virou mania só elogiar, e quando há uma crítica a imensa maioria reage negativamente, muitos fotógrafos, eu inclusive, simplesmente desistimos de criticar em sites como Flickr e Facebook, eu por exemplo deletei minha conta do Flickr pois não dava mais.

  • Cleiton Lima

    Parabéns pelo excelente texto, o que vemos hoje, é a banalização geral no mercado, falta educação do mercado consumidor de fotografia e falta educação do mercado fornecedor de fotografia. O que vejo hoje, é o nivelamento por baixo, tem muita gente talentosa fotograficamente falando, mas sem postura profissional, inseguro comercialmente, sem posicionamento de mercado e sem público alvo. Atirando para qualquer lado, inclusive no próprio pé.
    Abraços

    • Armando Vernaglia Jr

      Olá Cleiton, concordo com você, mas devo ressaltar que absolutamente tudo que acontece no mercado é culpa dos fotógrafos. Se fotógrafos estudassem mais e valorizassem mais seus trabalhos, nada disso aconteceria, infelizmente este é o fato com o qual devemos lidar.
      Quando falamos em mercado fica sempre meio abstrato, mas devemos lembrar que o mercado somos nós no final das contas.
      []'s
      Armando

  • Jacy Júnior

    Olá !
    Sempre fico convocando a minha esposa para que possamos fazer "novos" cursos. Sabe o que ela me responde ?? "Não, pois tenho medo que novas técnicas possam atrapalhar a sua arte."
    Abraços fraternos,

    Jacy Júnior e Jeany
    São Fidélis RJ

    • Armando Vernaglia Jr

      Novas técnicas nunca atrapalham Jacy, ter mais ferramentas só ajuda na hora em que resolvemos usá-las, técnica nunca é demais, Picasso pintou com muita técnica até que resolveu abandonar algumas e criar suas próprias, mas o fato dele abdicar da pintura acadêmica não significa que tenha abandonado a técnica, a metodologia, o estudo e a pesquisa, é importante sabermos diferenciar isso. Técnica é sempre bom, mesmo quando não a usamos.
      []'s
      Armando

  • Muito interessante Armando.

    Fazendo uma analogia, pensando no volume de informação no mundo de hoje, ninguém mais se aprofunda em coisa alguma… compram discursos prontos na internet, nos títulos dos jornais, de revistas, nas chamadas da TV… é tudo tão fugaz e passageiro e são poucos que vão mais a fundo em um assunto, descobrir a origem das informações, os motivos, outros pontos de vistas, os fatos… enfim, formar a própria opinião. Afinal está tudo pronto ai, não….

    Vejo na fotografia a mesma coisa… todos querem fórmulas prontas, o sucesso instantâneo, nem que isso seja um simples comentário elogioso. Pra que se aprofundar, estudar se posso copiar receitas prontas de sucesso?

    Vejo também a dificuldade de se criar uma linguagem, uma identidade visual… isso realmente é difícil e leva tempo… É difícil encontrar uma pessoa que se mantenha coerente com uma linha de trabalho, conceitos…

    Efeito manada?

    Não sou fotógrafo profissional, não vivo disto… apenas gosto de criar fotografia… e se for pra criar, que seja de qualidade e que represente algo da minha bagagem cultural. Mudanças ocorrem, uma coisa que você gosta hoje pode não te agradar amanhã. As suas inspirações também certamente mudaram, mas acho importante que se mantenha uma identidade e concordo que isso é difícil…

    Como hoje ninguém tem paciência… produzir algo criativo, que tenha identidade e conceito leva tempo… então o caminho mais fácil é a tentação.

    Para quem que precisa do sucesso rápido e fugaz, a opção é sair atirando para qquer lado pra ver se acerta alguma coisa.

    • Armando Vernaglia Jr

      Olá Christian, concordo, só vejo que quanto mais gente atirando para todo lado, menos alguém acerta alguma coisa, as pessoas precisam tomar consciência de que a coisa não é fácil, não é o "qualquer coisa é arte e qualquer um é artista"… é preciso haver reflexão, pensamento, profundidade, o que tento com esse texto é incentivar, a julgar pelos comentários está funcionando! =^)
      []'s
      Armando

      • É muito bom ter alguém que possa levantar esse tipo de discussão, que traga esse tipo de provocação… pois acaba fazendo com que as pessoas pensem e escolham um caminho melhor…
        Parabéns e grande abraço.

  • Joao J Dell Osso

    Amigo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!Texto primoroso, não ha o que dizer cabe sim refletir e nos colocar honestamente dentro da fotografia………ai fica a cargo de cada um ou busca o conhecimento ou continua mediocre. Parabesn

    • Armando Vernaglia Jr

      Obrigado pelo comentário João!
      []'s
      Armando

  • Ricardo Sanchez

    As pessoas querem tudo imediato, mas não existe jeito imediato de aprender. Não existe supletivo para arte !!!!

    • Armando Vernaglia Jr

      É por aí Ricardo, não existe caminho fácil, não existe instantâneo, foto em pó, joga água e temos arte, o caminho é longo, exige treino, estudo, pesquisa, coisa que muitos não tem vontade para fazer.
      []'s
      Armando

  • Juliana Varajão

    A respeito dessa mediocridade em torno da fotografia, todos nós podemos dizer, com segurança, que isso não diz respeito somente a ela, mas a qualquer coisa, digamos assim. Concordo com você, Armando, me vejo em suas palavras nas duas posições: a de inconformada e a de medíocre, mas, não sei se (talvez por me pegar nesses pensamentos constantemente), esse é o "texto que me salvou". É sim um "beath of fresh air", mas ainda não vejo uma solução! Pra você, qual seria? Aliás, essa é a grande graça: a busca. Cada um tem uma, certo?

    Acabei me contradizendo, não me fiz muito clara, creio eu, mas, como diz Oswaldo Montenegro: você só faz sucesso quando houver quem te odeie. Famosos estão aí por motivos que desconheço (pelo visto, você também) em muitas das vezes… =)

    Obrigada pelas questões levantadas! Voltarei para lê-las novamente.

    • Armando Vernaglia Jr

      Olá Juliana, é como respondi ao Sandro, para mim a questão está nas novas misturas, veja os filmes do Tarantino, são geniais mesmo sem ter uma única cena inédita, ele faz um imenso remix de suas referências cinematográficas e o faz de forma genial, pode ser um caminho, eu pelo menos gosto desse caminho.
      []'s
      Armando

  • Sandro Toledo

    Excelente artigo.

    Acredito que seja relataviamente fácil aprender as técnicas, como você disse no artigo, lendo livros, artigos na internet e trocando experiências com fotógrafos mais experientes não há segredo em aprende-las. ISO, diafragama, lei do inverso do quadrado da distância, regra dos terços, ect, isso tudo se aprende com dedicação e estudo.

    Porém ao pegar a câmera para compor a imagem aí a coisa muda, porque mesmo tendo aprendido as técnicas corretamente, mesmo tendo observado o trabalho de outros fotográfos, CRIAR, realmente é para poucos, digo criar com qualidade, porque COPIAR, aí amigos, qualquer um com conhecimento da técnica o faz.

    O que me conforta é saber que eu, uma pessoa que fotografa por puro prazer, mas que busco ter um mínimo de qualidade no que faço buscando ter o máximo de conhecimento, me deparo com uma profissional como Armando Vernaglia Jr. dizer que tem a mesma inquietação: de onde vem a estética e a idéia, onde elas estavam?

    Se alguém sabe, por favor, não deixe de me contar!

    • Armando Vernaglia Jr

      A idéia está dentro de nós Sandro, este é o ponto, depende daquilo que deixamos entrar em nossos cérebros, daí a necessidade de estudo, pesquisa, e mente aberta para o que vemos. Quanto mais repertório, mais podemos fazer novos cruzamentos desse repertório e criar novas misturas, na minha opinião esse é o ponto.
      []'s
      Armando

  • Anna Paula Pacheco

    Sinceramente vc me corta as palavras…

    Parabéns

    Virei sua fã.

    Obrigada pelas suas palavra.

    • Armando Vernaglia Jr

      Muito obrigado pelo comentário! =^)
      []'s
      Armando

  • DiegoD.Paulo

    Texto maravilhoso Armando, muito bom mesmo.
    Acho que pra começar temos que reeducar os consumidores de fotografia, pois só assim toda essa geração de " Fotógrafos " vai realmente buscar um aprendizado de verdade.
    Na minha opinião estes " cursos e Professores " surgem da mesma forma que hj surge " fotógrafos" no mercado, e são esse tipo de profissional que busca esse tipo de aprendizado que infelizmente só vem aumentando…bom acho, que deu pra intender oque acho que está errado, até gostaria de dizer mais mas não sou muito bom com as palavras, e já que no começo do texto vc disse que a maior parte não admite e nem aceitam criticas, bom eu aceito.. .http://www.flickr.com/photos/diego_d_paulo/ este é meu Flickr, pode criticar a vontade vou aproveita-las o mais construtivo possível!!
    Boa tarde.

    • Armando Vernaglia Jr

      Olá Diego, obrigado. O link do Flickr não abriu, e como deletei minha conta lá, não poderia comentar de qualquer forma, mas vou sugerir algo que sugiro aos meus alunos. Antes de tudo, auto crítica, compare suas fotos com a dos melhores, com aquilo que é publicado pelas boas revistas, se estiver perto, aí sim peça ajuda dos mais experientes, enquanto não estiver perto, treine mais, estude mais e não se contente com os elogios fáceis que recebemos na internet. A auto crítica é a mais importante das ferramentas, e é pouco exercida hoje em dia, então é isso que sugiro.
      []'s
      Armando

  • Luciana Martinez

    Fazia um bom tempo que não lia coisas tão relevantes e coerentes… tenho observado tudo isso em silêncio, mas inquieta… nosso senário atual no meio fotográfico está bem aquém do que poderia ser…

    • Armando Vernaglia Jr

      Olá Luciana, é por aí, mas se todos estiverem dispostos a não ser parte do oba oba internético que só busca elogios, a coisa fica mais fácil, se cada um estiver disposto a estudar mais, discutir mais, pesquisar mais, e estar menos satisfeito e conformado, tanto melhor será.
      []'s
      Armando

  • A fotografia é como todas as artes, um ato de liberdade de expressão. Também me sinto indignado ás vezes, e confesso que mais vezes, e mais comumente, quando me deparo com pseudos profissionais desvalorizando o ato de expressar-se, como, onde, e quando, e entitulando qualidades. Ora, não há qualidade na arte, ela é inclassificável, pois depende da cultura, do acervo, do meio, do contexto. Fotografia independentemente de como foi concebida, estando todos os controles no automático, ou não, é um olhar único e instantâneo, não importando regras que muitas vezes lemos os mesmos profissionais pedindo para serem quebradas. Ora, a indignação é pessoal, claro, como toda opinião contrária, mas entre profissionais e amadores me parece que a única diferença muitas vezes é trabalhar ou não com fotografia, e que se garantam todos no direito de se expressar como, onde, e quando acreditarem, em seus contextos sociais.

    • Armando Vernaglia Jr

      Olá Fernando, concordo em partes, penso que a arte seja sim qualificável, do contrário iremos dar validade a algo que acontece hoje, tudo é arte, qualquer coisa é arte e qualquer um é artista, vivemos numa época de artistas auto proclamados e de ausência de crítica, por isso penso que a arte deva ser alvo de crítica e de classificação, embora sempre evitando que isso signifique se ancorar em regras ou em estéticas padronizadas.
      []'s
      Armando

      • Caro Armando,
        pude perceber quão inquieto vc está, e não é a toa.
        Devo confessar que até passei pela faze onde achava que entendia, mas ao começar a pesquisar e ler não pude deixar de perceber minha ignorância.
        Desde então, comecei a pesquisar e ler (e muito aprendi aqui da fotografia DG) e hoje posso dizer que nada mais sou do que um aprendiz.
        Como mero aprendiz, posso dizer que parte de seus questionamentos vem, de fato, como uma consequência do período em que vivemos e do baixo custo de equipamentos fotográficos.
        Vivemos hoje em um período onde a crítica é pecado, diciplinar os filhos é crime e ensinar é errado.
        Como então podemos querer pessoas interessadas em informação, em saber e entender a arte e sua abstração?
        As pessoas não querem se esforçar para melhorar suas técnicas ou passar um dia inteiro para conseguir uma foto boa. Elas querem que todas as fotos sejam boas sempre e por isso compram cameras cada vez mais caras na esperança que a câmera faça o serviço que na verdade é do fotógrafo.
        Digo isso pois vi um conhecido meu comprar uma camera igual a minha e ficar com aquele ar de "agora eu tiro foto que nem você." Mas não sabe nem o que é diafragma ou obturador. Após um evento ele vira pra mim e pede "você tem como passar umas fotos pra mim depois? porque as minhas não ficaram boas…"
        Por isso existem cursos que ensinam a apertar botão, apertadores de botão e maus profissionais apresentando workshops, porque eles falam e ensinam aquilo que o "povo" quer ouvir.
        Para terminar, e ser um pouco redundante, volto a dizer que devido a nossa sociedade vive numa cultura imediatista e mesquinha, que faz pessoas que não tem conhecimento de arte quererem tomar o lugar dos artistas, querendo que sua arte sem esforço seja reconhecia como a arte dos grandes mestres, sem contudo aceitar a crítica e a opinião que apesar de as vezes doer, serve para nos ajudar a crescer.

  • Ana

    Uau!
    Fantástico o que você escreveu.
    Técnica e uso do equipamento são realmente relativamente fáceis de aprender. Não são de maneira alguma assuntos descartáveis, mas são de fácil acesso e por isso, basta querer de verdade.
    Agora… Entender "o que há por trás", melhorar o acervo cultural, se inquietar com a arte, realmente, requer um desejo profundo de ser melhor a cada dia.
    Parabéns pelo artigo!

    • Armando Vernaglia Jr

      Pois é Ana, e isso anda tão complicado… quando vejo por aí pessoas discutindo fervorosamente sobre se equipamento X ou Y é melhor, sem nunca comentar se linguagem X ou Y é mais interessante, vejo que temos um problema.
      []'s
      Armando

  • Leandro Eiki

    Armando, mais um texto PHodido, com PH, como diria o Diego Rousseaux! rs
    Eu sou muito fominha, busco informação incessantemente, e fui para o seu curso com a mente aberta, pra absorver cada relevante informação, e somar o conteúdo aos meus conhecimentos já adquiridos, e a minha experiencia de vida para um dia atingir o meu objetivo, que é ser um professor também. Para isso recebi dicas preciosas de você, inclusive pós curso, como a dica de buscar aprimoramento em didática de ensino, está sendo muito valiosa. Então muito obrigado, e muito sucesso!
    * muitos se ofenderão com seu texto, isso vai mostrar que provavelmente eles não servem pra isso.

    • Armando Vernaglia Jr

      Obrigado Leandro! Pelo comentário, confiança e presença no curso.
      Forte abraço,
      Armando

  • Pedro Rodrigues

    Vernaglia meu amigo, vc tanto eu ja sabemos o que isso vai ter de comentarios…. Mas vai ai o que eu acho, muitas pessoas ate gostam de fotografar tem interesse mas tem preguiça de estudar, achando que fazendo esses cursos expresses ja vão resolver todos os seus problemas… Os mesmo bestinhas que não estão seguros financeiramente no mercado profissional, veem essa brecha p ganhar dinheiro facil ai deitam e rolam.

    Muitos dos bons fotografos tb que poderiam dar alguma opinião, so fazem isso por dinheiro, como mercenarios…. o que acontece??? as pessoas que estão disposta a aprender não tem um comparativo do que e certo ou errado… e ai se a base for dada por leigos vc acha que o nosso mercado ta acontecendo o que?

    Isso e só uma unica opinião meu amigo das conversas

    • Armando Vernaglia Jr

      Olá Pedro, você tem razão, mas o que não entendo é que por preguiça de pesquisar sobre os cursos e professores, pessoas jogam dinheiro fora, então afinal preferem perder dinheiro a gastar um pouco de tempo em pesquisa? É duro…
      []'s
      Armando

    • Eduardo

      Caro Pedro,
      Concordo em parte com o que escreveu.
      Sou amador em fotografia, e quero muito alcançar o profissionalismo. E uma das coisas que me motivou a entrar nessa área foi justamente porque "não me sinto seguro financeiramente no mercado profissional". Sim, um dos motivos é claramente por dinheiro. Não me entenda mal. Não estou dizendo que todo fotógrafo é rico. Muitos passam por dificuldades e isso é normal.
      Sou analista de custos em um grande empresa e até que não sou tão mal remunerado. Mas, como eu quero melhores condições para mim e para a minha família, eu resolvi unir o que adoro fazer com um ramo que vai bem no mercado (dependendo do seu profissinalismo, claro).
      Quero ganhar dinheiro com a fotografia sim, e não vejo problema algum nisso.

      E é exatamente por que quero me especializar na área é que concordo com tudo o que o texto do Armando fala.
      Sei que, mais lá pra frente, vou enfrentar barreiras, jutamente pq é fato que vários pseudo-fotógrafos, na ânsia de angariar "numerários", acabam se "prostituindo" oferecendo seus serviços por meros 150 reais (parece padrão pedir esse valor).
      Mas quer saber? Acho nós, futuros profissionais, e vocês que já estão nesse ramo, não devemos nos preocupar tanto. E te digo o porquê: essa guerra é o que nos motiva a desenvolver nossa criatividade.
      As pessoas não são burras. A maioria, apesar de optar em primeiro momento pelo profissional que cobre menos, acaba sendo seduzida pelo portifólio mais interessante, mais bonito.
      Na festa do primeiro ano da minha filha é claro que eu pesquisei valores. Mas o que mais me chamou atenção foi justamente o ótimo trabalho que o profissional mostrara em seu site.

      E corroboro com o que o Armando falou. Tem muitos cursinhos por aí que querem ensinar como aperta o botão do obturador – safadeza isso.
      Tudo o que aprendi sobre o modo manual da câmera eu devo exclusivamente à internet e ao manual do equipamento. O "resto" da minha jornada agora é só com o meu olhar e minha criatividade.
      A única coisa boa desses cursinhos é que você pode começar a fazer seu networking (é claro que me refiro aos cursos ministrados pelos pseudo-fotógrafos).
      E mesmo aprendendo sozinho, acho de suma importância entrar sim em um curso, cujo objetivo do professor será o de ensinar de verdade.

      Enfim, parabéns pelo artigo. Realmente é um balde de água fria nos que se acham fotógrafos.

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