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Onde fica a porta de entrada do mercado? 5/5 (1)

Outro dia uma aluna perguntou sobre como começar no mercado, como conseguir clientes. É uma pergunta que já ouvi muitas vezes, de alunos, amigos, conhecidos e desconhecidos. Resolvi então escrever este artigo e dividir com vocês meus pensamentos sobre o assunto.

É realmente complicado dizer para qualquer pessoa que passos ela deve ou deveria dar, a experiência de um indivíduo em geral só serve para ele. Aquilo que eu faço para tentar conseguir conquistar um cliente pode ser funcional para mim, segundo meu jeito de ser, as características de meu portfolio e dos clientes que busco, mas as mesmas maneiras de agir podem ser um completo desastre comercial para outro fotógrafo.

Tive e tenho meu caminho na fotografia, mas ele começou há quase duas décadas, então haviam outras condições de mercado que não se assemelham em nada ao que temos hoje, a internet sequer existia, câmeras digitais também não e tudo o que vem junto com essas duas invenções, como a popularização da fotografia, o uso de redes sociais e tantas outras coisas que revolucionaram e mudaram por completo o mercado de imagem.

Mas algumas coisas não mudam e essas costumo apresentar em minhas palestras sobre vendas e marketing, e costumo usar como resposta a quem me pergunta sobre entrar no mercado. São em geral as palavras mais chatas e desanimadoras para se dizer a alguém, mas acho que se ninguém falar, muitos continuarão batendo com suas caras em portas por aí.

Tem coisas que não tem jeito, talvez a pior delas seja o fato de que não se entra no mercado com pressa, de um dia para o outro, nem de um ano para o outro, a curva de subida de um fotógrafo no mercado é grande e lenta, isso sempre foi assim e continua sendo. Do dia em que um fotógrafo se inicia, por exemplo se formando em um curso básico de fotografia, não leva menos de 2 ou 3 anos para começar a ter clientes de forma estável e assim ter um rendimento constante. Isso pouco se relaciona com talento ou capacidade técnica, mas com questões de confiança de mercado, com o fato dos consumidores começarem a perceber quem você é e ter confiança para finalmente lhe contratar.

Outro dia em uma palestra em João Pessoa para o projeto Retrato Social eu disse o seguinte aos ouvintes:

“Quantas pessoas vocês conhecem que se casaram, tiveram filhos, que abriram um comércio, produzem alguma coisa seja artesanalmente ou numa empresa e que nunca contactou um de vocês para a elaboração de fotos de todos esses acontecimentos?”

Quando alguém responde positivamente a isso percebe que as pessoas mais próximas a ela não a procuram quando precisam de fotos. Sendo assim, há algo de muito errado na forma como esse fotógrafo deixa o mundo saber o que ele faz.

Divulgação de trabalho, e consequentemente ter clientes, começa assim, de seus círculos mais próximos para depois os mais distantes. Faça um exercício e reveja sua lista de contatos, familiares, amigos e parentes distantes e divulgue para eles. Peça para que essas pessoas divulguem seu site e portfolio, afinal, se nossos amigos e parentes não fizerem isso, ninguém fará.

Tenho amigos no mundo todo divulgando meu trabalho através das redes sociais como Twitter, Facebook e Google+, no começo eu pedia para eles fazerem isso, a cada vez que produzia algo de novo e interessante mostrava a eles e perguntava se podiam passar adiante, como um favor, hoje eles fazem isso sem que eu peça por que me percebem como artista e gostam do que faço, tive que cultivar isso e esse cultivo leva tempo.

Agora, tenha a certeza de que tudo o que escrevi acima só funciona se na base houver um portfolio realmente bom, com qualidade técnica e artística, com fotografias que as pessoas gostem de ver e de fato queiram mostrar para seus contatos, pois bons fotógrafos existem aos montes, provavelmente aos milhões, então para ter destaque no mercado é necessário ser melhor que a média, e isso exige estudo e dedicação constantes.

Tendo um excelente portfolio e mostrando suas imagens para o mundo através de seus contatos em redes sociais, vender seu trabalho será consequência, e não um resultado a ser perseguido.

Para vocês terem idéia do poder das redes sociais, me tornei colunista e colaborador do Fotografia-DG graças ao conteúdo que eu posto no Twitter, e graças aos textos que aqui publico, fui convidado a dar uma palestra sobre mercado de fotografia, vendas e marketing na cidade de João Pessoa, estado da Paraíba, no nordeste brasileiro. Ilustro este texto com imagens que fiz exatamente na cidade de João Pessoa. Essas fotos, a palestra que apresentei lá, e vários amigos que fiz, só foram possíveis graças ao uso de redes sociais. Pense nisso.

Nos falamos em breve,

[]’s

Agora que leu, avalie o artigo e deixe um comentário mais abaixo:

Armando Vernaglia Jr

Armando Vernaglia Jr tem mais de dez anos de experiência como fotógrafo publicitário e diretor de arte. Graduado em Publicidade e Propaganda e especializado em Comunicação Organizacional, é também professor de fotografia e palestrante. Seu trabalho pode ser conhecido em seu site - www.vernaglia.com.br . E você também pode seguí-lo no Twitter @VernagliaJr

16 Comentários

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  • É exatamente isso que esta acontecendo comigo, sou Analista de Sistemas e a pouco mais de 2 anos venho trabalhando como 2º fotógrafo em casamentos, mas até o momento só fiz um casamento onde o cliente era meu … em paralelo vou fazendo festas infantis onde os clientes já são meus, esse volume ainda é pequeno, mas percebo q vem aumentando gradativamente.

    Quando comecei pensei q seria fácil conseguir clientes através dos amigos, mas não é assim q funciona não, os amigos acham q vc esta fotografando só pq gosta, demoram para perceber q vc esta levando mesmo a sério e quer seguir nessa carreira … eu não vejo a hora de poder largar meu trabalho com análise e poder viver só de fotografia, mas cada coisa no seu tempo.

    Enquanto os clientes não aparecem vou me especializando, lendo muito na internet e fazendo cursos e workshops, como o de Fotógrafo que estou fazendo no Senac-Rio … como a fotografia ainda não é minha ocupação principal a grana q vou ganhando com os freela vou investindo em equipamento.

    Parabéns pelo post Vernaglia.

    • Olá Wagner, você também notou um ponto importante, a coisa toda demora, e muito. É como qualquer carreira, imagina o tempo que levou para você estar na posição em que está como analista, com certeza fez cursos, estudou, treinou, possivelmente fez faculdade, enfim, são anos de preparo para chegar a uma posição no mercado, não seria diferente com a fotografia. Você está no caminho certo, siga investindo e só largue o que tem de seguro quando a fotografia realmente for lucrativa para você, do contrário é um tiro no próprio pé.

  • Tudo beleza, Armando.

    É isso ai, ser profissional exige tempo, muito estudo e reputação, pois são seus clientes que irão atestar seu desenvolvimento, por mais que tenhamos vários clientes, funciona como uma rede, uma hora você estará fotografando o casamento de um amigo ou parente de um cliente que talvez agente nem tenha mais contatos e chegando ao evento encontramos, gratificante viver essa sensação de dever cumprido e eternizado, criando redes de relacionamento e sendo cada vez mais profissional nesse mercado.

    • Alan, você percebeu o ponto mais importante, é uma rede que com o tempo irá se alimentar sozinha, mas que precisa ser construida, mantida, ampliada etc.

  • Ótimo artigo, fiz o curso básico de fotografia,mas tenho plena conciencia que há uma longa estrada a percorrer pra realmente virar um profissional. Fico triste quando vejo alguns que se julgam fotografos profissionais so porque tem uma nikon.. Parabéns vc foi otimo!!!!

  • Parabéns Armando pelas palavras, Meu nome é Luciano Gonçalves moro no RJ e tenho 39 anos, sou apaixonado por fotografias e quero muito ingressar nesse mercado, o que vc me aconselha para iniciar? Devo direcionar especificamente em uma área pois gosto muito de esporte e shows ou eventos como casamento, aniversários e etc? você acha que por eu ter essa idade é muito tarde para mim aprender ou entrar neste mercado de trabalho? Obrigado Armando .

    • Olá Luciano, não existe cedo nem tarde, o que existe é não ter pressa e fazer as coisas mais por estratégia e lógica e menos por paixão e entusiasmo, isso vale para qualquer profissão inclusive.
      A área onde começar é a área na qual você tenha acesso mais fácil, se tiver acesso fácil à área de esportes, conhecidos, amigos nessa área, será natural para você começar aí. Mas no começo não escolhemos muito o que fazer na verdade, então mesmo que você esteja na área de esportes, se um amigo ou familiar vai se casar, por que não fotografar o evento? Com o tempo você acaba se destacando mais em uma área e se especializa mais, eu praticamente só faço fotos de produtos, arquitetura e aéreas, nunca faço eventos. Minha carreira me levou a isso, assim como meus contatos, imagine que sou publicitário por formação, consequentemente tenho amigos em empresas de publicidade e marketing para quem eu podia mostrar meu portfolio facilmente.
      Entende a lógica da coisa? Se divulgue onde for natural para você, onde tenha amigos e conhecidos, isso facilita muito. E não tenha pressa, se está com 39 anos hoje, e começando, você terá uma carteira de clientes relativamente estável só lá pelos 43 ou 44 anos. Mas se é o que quer, então vá em frente sem medo.

  • Olá pessoal, obrigado pelos comentários!

    Alexandre, é por aí, sem pressa, com uma boa base construída em estudo e treino constante, é o caminho. Aí é divulgar sempre, sempre que tiver coisa nova no portfolio, mostrar para todo mundo. Percebi que família e amigos levam uns dois anos para entenderem que fotografia é trabalho hehehe.

    Reuel, manter clientes é importante, mas é necessário saber que boa parte dos clientes do começo não seguirão com você, na medida em que o profissional evolui técnica e artisticamente, seu preço subirá, e muitos clientes não irão acompanhar. Então a busca e conquista de novos é constante.

    []'s
    Armando

    • Sem dúvida que é preciso ir atrás de novos e que nem todos continuarão sendo fiéis por muitas razões, mas não podemos negar a impotancia de mantê-los. Acho que, por trabalhar mais de 10 anos como distribuidor de produtos, eu tenha ficado obcecado por fidelidade pois, queira ou não, se torna uma fonte de renda certa no final do mês. Sei que prestação de serviço é um pouco diferente, mas para mim a máxima continua valendo: cliente satisfeito é aquele que retorna.

      • Olha, é importante sim, só que há momentos da carreira que ou você sobe de patamar ou ficará estagnado pro resto da vida. Hoje, não tenho nenhum cliente dos meus primeiros anos da fotografia, alguns deles são amigos até hoje, mas não clientes. Eles hoje são clientes de alunos meus, de ex assistentes meus etc, pois fiquei caro para eles ao longo dos anos. O importante é você nunca ter ex cliente pela qualidade, você pode ter ex cliente pelo estilo (cliente quer algo que não é sua praia então você indica alguém mais adequado), ou pelo preço, nunca pela qualidade. Depois que atingi um certo patamar estabilizei, tenho clientes hoje que estão comigo há 5 ou 6 anos, e são os que entendem que ano após ano eu tenho que aumentar o meu preço, pois eles aumentam os dos produtos deles. =^)

  • Sábias palavras, Vernaglia. Meu pai, que começou do zero e construiu uma sólida carreira, já me ensinava desde cedo o caminho das pedras: trabalho árduo + contatos. Outra coisa que deve ser lembrada é que, mais importante que conseguir clientes, é conseguir mantê-los. Aí é onde só sobrevive o verdadeiro profissional.

  • Eu não sou profissional ainda (traduzindo: não vivo de foto), mas sem dúvida é um processo lento fazer seus amigos e parentes entenderem que sua paixão é fotografia, e você quer ter isso como trabalho, não simplesmente ser o "clicador de luxo" de motivos dos círculos próximos (festas de parentes, shows com amigos…).
    Por outro lado, quando percebem que você é realmente apaixonado pela coisa, começam a te chamar pra conversar sobre isso, te perguntar coisas que talvez você saiba, te chamar para uma sessão (paga ou não, não vem ao caso), e por aí vai. Graças a Deus estou quase lá, acho. Se tudo der certo, em 2012 estarei começando a viver de fotografia, e não simplesmente "treinando", "cursando" e outros gerúndios.

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