Por que falar de equipamentos? 3.86/5 (7)

Quais os motivos para “perder” tempo discutindo equipamentos fotográficos?

imagem: Shutterstock

 

Não dá pra fugir: uma hora ou outra fala-se de equipamentos. Obviamente quando se está, por exemplo, em meio a um congresso sobre relacionamento com clientes vai ser bem mais difícil ouvir falar de nossas câmeras e ferramentas em geral, mas não dá pra negar que nós fotógrafos andamos muito às voltas em discussões sobre nossos equipamentos.

Assim sendo, decidi listar alguns motivos por que não é ruim falar deles, embora a cada lançamento sempre surja uma turma “cricri” clamando pelo valor das discussões sobre conceitos e afins. Tais discussões são importantes — bastante, aliás —, mas a meu ver penso ser insensato considerá-las como únicos motes dignos para diálogos entre fotógrafos, sejam estes profissionais ou amadores.

Vejamos os motivos que recordei-me. Quem quiser pode sugerir mais nos comentários, estarei aberto a sugestões! ;)

Por que falar de equipamentos?

 

1 – São nossas ferramentas

Mais do que sabermos utilizar nossas ferramentas, precisamos ir além do básico, para sobrevivermos bem no mercado. Mas não adianta querer explorar recursos avançados sem saber firmemente o básico: ao fazer isso a tendência, naturalmente, é ter resultados sem muita consistência ou simplesmente de má qualidade. E não adianta tentar passar pelo básico sem a discussão de praxe sobre equipamentos e, principalmente, seus recursos.

Conseguem imaginar um marceneiro que se preze que não tenha conhecimentos sobre cortes e tipos de madeira, uso de serra/serrote e outros “detalhes” da área? Da mesma forma que o marceneiro e todos outros profissionais, necessitamos conhecer nossas ferramentas de trabalho, mesmo que este seja puramente artístico. O reconhecido escultor Aleijadinho certamente não ignorava aspectos técnicos do trabalho em madeira — afinal como faria uso de suas ferramentas sem saber usá-las?

Como bem disse Lamartiny Sales Santos na rápida pesquisa que fiz em um grupo: “Em absolutamente qualquer ofício, arte ou o que seja tem-se os conhecimentos e os instrumentos de aplicação, e estes últimos podem ser tangíveis (câmera, lentes etc) ou intangíveis (fórmulas, gabaritos, seqüências). A união deles mantêm o ‘machado amolado’ do lenhador.”

2 – Novas tecnologias podem ser úteis, ou não

Falando em recursos, eles estão sempre sendo incrementados, ampliados e por vezes criados como inovações disruptivas. Tecnicamente falando, não temos obrigação de adotar cada nova tecnologia que surge no horizonte — basta saber que há ainda fotógrafo de casamento (área que fotógrafos informados sabem ser “pesada”) que faz uso de câmera analógica, e não só consegue dar conta do recado como produz imagens belíssimas —, mas ter conhecimento das novas tecnologias e saber no que elas podem nos ser úteis certamente amplia nossas perspectivas futuras de trabalho, nos dando mais base para ideias.

3 – Anúncios suspeitos não resistem a análises frias

Por anúncios suspeitos não falo de ofertas de pessoas/organizações imbuídos de má-fé, e sim de empresas que, naturalmente, querem vender mas precisam, por assim dizer, de um certo grau de desinformação e/ou apenas resumir o mundo de informações referentes a seu produto para que o consumidor foque no mais importante, ou não veja tão evidentemente possíveis desvantagens em relação a outros modelos.

Aquele produto ou recurso que pode parecer fabuloso na descrição do press release enviado pela marca pode não ser tão incrível assim em comparação a outros. Quem acompanha, especialmente de fora, o mundo da Apple, por exemplo, deve já estar pensando no famoso Campo de Distorção da Realidade, mas todas marcas, através de seus departamentos de marketing e/ou agências de publicidade/assessoria de imprensa possuem esta tendência, de fazer uso de meias-verdades ou enaltecer de forma exaltada o produto lançado para que valha o desenvolvimento, as pesquisas e, claro, rode a roda da fortuna empresarial e estimule a equipamentite aguda nos consumidores.

Citando meu amigo Cristiano Freitas: “É de interesse geral sabermos sobre o desenvolvimento de novas tecnologias. Por exemplo, a OM-D EM-1 é selada, mas vê-la levando uma chuveirada num blog qualquer esclareceu muito.” – disse ele. Em outras palavras, uma análise de consumidor menos comprometida em vender e mais em esclarecer desmitifica os anúncios oficiais inundados de positividade em cada frase.

4 – Opções cada vez mais numerosas

Não é lá muito fácil atualmente escolher uma câmera ou objetiva dentre tantas opções no mercado. Claro que ter o apoio de fóruns como o nosso Digital Foto ajuda, mas isso não muda o fato de que existe um universo cada vez maior de informações a serem vistas e compreendidas acerca dos produtos disponíveis e anteriores (e até futuros!). Como lidar com isso? Discutindo equipamentos! Esse é um dos motivos porque existem inúmeros fotógrafos comparando os modelos da mesma marca, os de marcas diferentes, ficando de olho nas previsões de lançamentos, vendo as apostas quanto à presença ou não do recurso X ou Y, acompanhando a aceitação do mercado…

Como se vê, já é um passado longínquo o tempo em que uma Kodak da vida vendia uma câmera e dizia “você aperta o botão, nós fazemos o resto”. Comprar câmera hoje, se for para comprar a sério, é como comprar um carro — e nem estou me referindo só às câmeras que têm mesmo o preço de um. O “remédio” é informar-se até cansar.

5 – No fundo, muita coisa dá no mesmo

Parece contraditório, especialmente depois do último argumento, mas é isso mesmo. Este motivo, na verdade, é uma consequência dos anteriores, e é algo que percebe-se com o tempo e o aprofundamento nas discussões técnicas sobre os equipamentos e os resultados obtidos.

É chegando a esse ponto que percebe-se que não faz sentido ser fanboy/fangirl, já que quanto mais se pesquisa, mais percebe-se que todas marcas cometem erros (até as grandes cometem falhas grosseiras, inclusive). Afinal, conclui-se, não existem marcas boas, e sim produtos bons.

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E você, tem mais motivos? Discorda de algum aqui exposto? Comente! ;)

 

colaboraram: Raphael Hannesberg, Cristiano Freitas dos Santos, Lamartiny Sales Santos

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Alexandre Maia

Clico, viajo, olho, analiso, converso, e repito — em qualquer ordem!

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