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As 100+ da Time: O terror da guerra

Uma das mais icônicas fotos de guerra é também controversa, porém ajudou a pôr fim ao conflito. O fotógrafo? Nick Ut.

As facetas dos danos colaterais e do fogo amigo em geral não são vistas. Não foi esse o caso da Phan Thi Kim Phuc, de 9 anos de idade. 

No dia 8 de junho de 1972 o fotógrafo Nick Ut, da Associated Press, estava por Trang Bang, cerca de 40,2 km ao noroeste de Saigon, quando a força aérea sul-vietnamita lançou por engano uma carga de napalm na vila. Enquanto o fotógrafo vietnamita tirava fotos da carnificina, ele viu um grupo de crianças e soldados junto a uma menina nua que gritava correndo na rodovia em sua direção. 

© Nick Ut
© Nick Ut

Ut questionou-se: por que ela não está sem roupa? Ele então percebeu que ela foi atingida por napalm. “Peguei muita água e derramei em seu corpo. Ela gritava ‘Muito quente! Muito quente!’” Ut levou Kim Phuc a um hospital, onde ele aprendeu que ela poderia não sobreviver às queimaduras de 3º grau que cobriam 30% de seu corpo. Então com a ajuda de colegas ele conseguiu que a transferissem para uma instalação americana para um tratamento que salvou a vida dela. A foto de Ut com o impacto cru de conflito ressaltou que a guerra estava provocando mais mal do que bem. A imagem também acendeu debates nas salas de redação sobre a veiculação de foto com nudez, forçando muitas publicações, incluindo o New York Times, a ultrapassar suas políticas. A fotografia tornou-se rapidamente um resumo cultural das atrocidades cometidas na Guerra do Vietnã e juntou-se ao Burning monk de Malcolm Browne e a Saigon execution de Eddie Addams como imagens definidoras do conflito brutal. Quando o presidente Richard Nixon questionou se a imagem não seria falsa Ut comentou: “O horror da Guerra do Vietnã gravado por mim não precisa ser consertado.”

Em 1973 o comitê do Pulitzer concordou em premiá-lo. No mesmo ano teve seu fim o envolvimento americano na guerra.

via Time – 100 Photographs


Esta é uma das 100 imagens consideradas mais influenciadoras pela revista Time. Para acompanhar a série siga diretamente aqui no Fotografia DG ou em nossas redes sociais. (Facebook / Twitter)

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Alexandre Maia

Clico, viajo, olho, analiso, converso, e repito — em qualquer ordem!