Uma velha e recorrente discussão, Fotografia e Arte – Parte 1

A fotografia de arte contemporânea para galerias e museus

Dias atrás estive participando do Fórum “Fine Arts Inside” realizado pela revista “FHOX” durante a Feira “Fotografar 2013”. Muitos assuntos foram discutidos durante os três dias do fórum, mas o tema principal foi a impressão e a apresentação da fotografia dita “fine art” em galerias, haja visto que os patrocinadores do evento foram os conceituados papéis Hahnemühle e o comerciante de molduras e  acessórios Molducenter.

Como dito, o fórum girou em torno da fotografia que será exposta em galerias, com acabamento em papel fine art e de tiragem única ou limitada. Também houve uma certa discussão sobre fotografias vintage que possuem boa aceitação entre galerias, museus e colecionadores. Mas a grande discussão que seria “qual a fotografia que pode ser considerada artística?” continuou sem resposta em razão de sua eterna subjetividade.

O que podemos entender sobre a fotografia que é bem aceita em museus e galerias é que ela tenha em primeiro lugar um apelo de criatividade que subverta um status quo ou gere uma inquietação para aqueles que a observam. A simples beleza de uma foto bem realizada tecnicamente, raramente irá fazer com que a mesma venha a fazer parte dos acervos de uma galeria ou museu. Este é o ponto crucial e que depende exclusivamente de seu autor.

Foto Erico Mabellini

Foto: Erico Mabellini

O segundo ponto que irá fazer com que a obra seja aceita como arte para galerias e museus é a sua impressão que terá de ser preferencialmente realizada em papel Fine Art impresso por um printer técnicamente certificado pelas respectivas fábricas de papeis e que a obra contenha (quando impressa em papel fine art) um certificado de durabilidade que varia de 80 a 200 anos, quando acondicionada ou exibida em locais que obedeçam as regras de conservação.

fine art

printerUm bom relacionamento entre o fotógrafo e o seu printer é essencial para que a impressão fique de acordo com o desejado pelo artista, a boa harmonia entre artista e profissional para a escolha das provas de cores e contrastes da impressão, assim como as diversas gramaturas e texturas dos papéis fine art será a finalização do trabalho do fotógrafo.

emolduradaO terceiro ponto para adentrar uma galeria ou museu é que a obra esteja bem emoldurada. De pouco adianta uma impressão certificada para permanência de 200 anos se no processo de montagem forem utilizados materiais e técnicas que não garantam a integridade da obra. Muitas vezes a obra é comprometida pela utilização de materiais ácidos (que danificam as imagens com o passar do tempo) e de processos irreversíveis (como a colagem da imagem no suporte).

Outras impressões

Segundo os palestrantes presentes, uma apresentação bem aceita em galerias, mas que no entanto possui uma menor durabilidade, em média 08 anos, é o Metacrilato – Poly (methyl methacrylate) – PMMA, ou Polimetacrilato de Metila,  um termoplástico transparente, usado frequentemente como uma alternativa leve e resistente à quebras quando comparado ao vidro; conhecido popularmente como acrílico, às vezes é chamado de vidro acrílico. No mercado de arte brasileiro, “montagem em metacrilato” passou a ser sinônimo da técnica de siliconar fotografias embutidas entre duas placas de acrílicos cast (face-mounting), prontas para serem penduradas nas paredes, dispensando qualquer outro tipo de moldura.

Processos de ampliação de filmes em papéis fotográficos como ampliações em Cybacrome, D76 e C41, também são bem aceitos por galerias, museus e colecionadores. Mesmo que sua durabilidade não seja tão grande quanto a dos papéis Fine Art.

Esse mercado fotográfico de galerias tradicionais inicia com valores de aproximadamente U$ 2,000.00 a obra e pode chegar a alguns milhares de dólares. Sendo que as obras únicas e tiragens pequenas aumentam o seu valor.

Uma característica desse mercado artístico, no caso o da fotografia, é sua capacidade intrínseca de reprodução, portanto muitas obras são comercializadas levando como documentação um certificado do artista onde estará acordado que a obra será substituída por outra caso venha a se deteriorar.

Galerias com um conceito de maior acessibilidade comercial

Dentro deste universo de fotografia autoral ou “Fine Art”, surgiram outras galerias com um conceito mais tangível ao publico médio, em razão dos valores mais acessíveis praticados. A preocupação com a qualidade dos artistas, das obras e do acabamento permanecem, porém as tiragens são realizadas em maior numero e existe a possibilidade de o comprador escolher a dimensão da obra que estará adquirindo. Fazendo com que esse mercado inicie com valores de R$ 500,00, e ultrapasse os R$ 10.000,00

O termo Fine Art

Muito se discutiu também o termo Fine Art. Será que o nome se aplica à fotografia artística ou é apenas um recurso de midia? Não seria mais correto chamar de Fotografia Autoral, Fotografia Conceitual ou simplesmente Fotografia? Existem termos diversos para a Pintura, a Escultura, Desenho ou Xilografia?

Conheça algumas galerias brasileiras

No próximo artigo, o mercado de obras fotográficas vintage

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Erico Mabellini

Erico Mabellini, com mais de trinta anos de experiência como fotógrafo, trabalhou nas mais diversas áreas: moda, fotojornalismo, publicidade, eventos, documental.... É também jornalista e graduado em Direito, com especialização em Direito Autoral e Direito Ambiental. Leciona Fotografia e História do Direito. Fundador a editor da ONG Tribuna Animal, atualmente dedica-se à fotografia de animais e natureza.

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