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Mercado Fotográfico – Seu nome, sua marca

Dando continuidade ao artigo 5 dicas para um bom Retrato vamos falar agora sobre alguns tabus do mercado fotográfico: preços, clientes, carreira, e principalmente sobre o posicionamento profissional frente a valorização de seu nome, ou seja o reconhecimento de sua marca.

Espero que o artigo leve você a uma reflexão saudável na gestão de sua carreira.

Mercado Fotográfico

O mercado fotográfico realmente é um seguimento atraente e pode ser bem lucrativo se você souber aproveitar as oportunidades. Claro, isso se você trabalhar de maneira correta, tiver visão comercial/empresarial, buscar capacitação adequada e a medida do possível procurar investir em equipamentos.

Porém, um dos melhores investimentos que você deve fazer ao longo de sua carreira – e por que não dizer, ao longo de sua vida – pode ser resumido numa simples palavra.

Relacionamento.

A arte de se relacionar com as pessoas é um fator decisivo em qualquer modelo de negócio bem sucedido.

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Mas a grande “magia” desse mercado, em minha opinião, é a falta de uma legislação adequada, que poderia de certa forma criar uma consciência fotográfica moldada à grande massa de profissionais que surgem gradativamente em busca de uma profissão repleta de mistérios e glamour.

A facilidade na aquisição de equipamentos e a disponibilidade de acesso a informações, o crescimento constante de empresas e profissionais voltados à arte de ensinar, impulsiona – às vezes de maneira equivocada – um grande número de pessoas a optarem pela fotografia como profissão.

Esse número crescente de novos profissionais, por vezes vindos de outras profissões, – como no meu caso, por exemplo – acabam sendo filtrados pelo próprio mercado.

A fotografia permite que qualquer um seja fotógrafo, mas poucos conseguem se estabelecer como profissionais. Entendam profissionais, aqueles que sobrevivem exclusivamente da fotografia. Alguns fatores determinam essa curta permanência dos novos fotógrafos no mercado.

Um dos principais fatores se deve justamente por falta de uma entidade de apoio, que seja responsável por criar honorários mínimos para cada trabalho. Aqui no Brasil, temos associações como a ARFOC, ABRAFOTO, que cumprem seu papel, com tabelas, normas de condutas, leis, mas são entidades destinadas aos profissionais, e não para os aspirantes a profissionais.

Temos outros tipos de associações e até mesmo alguns sindicatos, mas como disse, a grande maioria voltada aos profissionais do mercado. Alguns cursos técnicos, nos trazem uma visão acadêmica, e porque não dizer um pouco poética sobre o mercado fotográfico. Portanto nem sempre adequada a realidade diária do mercado fotográfico.

Viver de fotografia é uma tarefa árdua, e assim como qualquer outra profissão requer investimento e planejamento constante. Poucos fotógrafos conseguiram se estabelecer apenas com o conhecimento acadêmico, que nos ensina como a fotografia deveria realmente ser, contemplando estúdios e equipamento de ultima geração, mas de difícil acesso a grande maioria dos candidatos a profissão do fotografo.

Outro fator, que acredito ser de grande influência para o filtro, é a falta de união de classe, que gera um grande tabu: Preço

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Afinal quanto cobrar determinado trabalho?

Poucos, e porque não dizer raros fotógrafos profissionais estabelecidos abrem seus preços, pois afinal estão defendendo seu território. Mas enquanto isso acontece, os aspirantes sem saber quais os valores corretos devem praticar, por vezes acabam cobrando muito pouco por determinado trabalho. Nesse momento passam a ser alvo de criticas dos profissionais estabelecidos, por estarem “sacrificando” o mercado fotográfico.

Mas como diria o PC, “ Mas pôxa vida” – então vamos ensinar o pessoal a cobrar direito! Ao passo que, os profissionais iniciantes souberem quanto e como cobrar, teremos a livre concorrência.

Certa vez, ouvi de Jorge Príncipe a seguinte frase: “Não me importo em falar de preços, pois quando você tiver dez anos de fotografia, eu terei dez anos a sua frente, o que é natural, e, portanto nossos clientes não serão os mesmos

Aprendi muito com essa frase, pois é a mais absoluta verdade. Um fotógrafo com dez anos a mais de experiência não irá atender o mesmo cliente que um aspirante no inicio de carreira atenderá, não é mesmo? Agora se o cliente – o que é muito comum – vir com aquela conversa de sempre, falando que não tem orçamento, a verba é curta, nem perca seu tempo.

Se não existe verba suficiente, não existe trabalho satisfatório. Mas lembre-se, tenha sempre bom senso. E por falar em bom senso, porque nós, fotógrafos estabelecidos não falamos abertamente sobre preços? Eu falo.

Em minhas aulas, palestras, falo abertamente quanto e como cobro. Certa vez, durante um workshop no IIF, ao mostrar para os alunos minha forma de cobrar, fiquei muito feliz, pois um participantes havia feito um curso fora do Brasil, e nos contou que essa era a mesma que ele aprendera com o “gringo”, e que sua vida havia mudado depois que passou a cobrar assim.

Acredito que isso se deva ao tal “consciente coletivo”, talvez. Mas afinal, como eu elaboro minhas propostas? Simples, separando serviços de produtos.

Serviços: Fotografar, editar, gravar em DVD.

Produtos: Todos os itens restantes, como livro, clipe, álbum, fotos impressas, ensaios externos, retrospectivas, hotsite, livro de assinaturas, e serviços de terceiros, como produtores e maquiadores.

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Trabalhando dessa forma, você tem controle real sobre seus ganhos e gastos, e saberá qual margem de negociação poderá aplicar a cada produto ou serviço oferecido.

Mas cuidado!

Nesse mercado nem sempre é fácil identificar pessoas que buscam aproveitar a situação dos iniciantes, prometendo muitas indicações de clientes e trabalhos.

Fique atento!

Amor de verão passa rápido, assim como relacionamentos criados por meios de barganhas.

Clientes de promoção só aparecem na época das promoções e não valorizam seu trabalho. Seu trabalho é bom, adequado, preço justo, isso gera custos, concorda? Você acha justo trabalhar sem cobrar, por acreditar que virão indicações? Eu não acho.

Obviamente, existem casos onde uma boa parceria pode gerar novos trabalhos, mas nem sempre isso acontece. Conheço inúmeros profissionais de foto e vídeo, com anos de mercado que por vezes caem nessa conversa.

Alguma vez, você conseguiu comprar um carro, por um preço menor alegando que seu irmão no próximo ano também irá comprar um carro? Certamente não.

Se assim fosse, deveríamos trabalhar no mercado de leilões, e não no mercado fotográfico. Não faça leilão de seu trabalho.

Ao ser questionado sobre valores, diga: Meu preço não é caro, meu preço é justo.

Acredite às vezes perder um trabalho é ganhar mais. Valorize seu nome, valorize sua marca. Ninguém ira contratar seu trabalho se você não for o primeiro a a se valorizar. Ao valorizar seu nome, estar em evidência é apenas uma questão de estratégia e de tempo. Pense nisso!

Sucesso para todos nós, sempre!

Para saber mais sobre associações acesse:

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Sobre Tyto Neves

Fotógrafo Paulistano que tem por especialidade a fotografia de pessoas. Tem trabalhos publicados em revistas especializadas, como Fotografe Melhor, Fotografe Digital, Revista FHOX e Digital Photographer. Com vasto portfólio e visão artística apurada, em sua carteira de clientes destacam-se: Rede Globo, Droga Raia, Kalunga, Everest,IPL, Kallas Engenharia e muitas outras. Professor de Fotografia, periodicamente ministra palestras em congressos, feiras e eventos de fotografia.

17 comentários

  1. Artigo muito bom, muito bom mesmo!
    me ajudou a abrir os olhos onde eu tinha duvidas!

  2. Top de mais esse artigo…

  3. Este tipo de texto é o de que tanto os fotógrafos quanto os clientes deveriam ler atentamente!

  4. Gostei muito desse post. Eu que sou Designer Gráfico me vejo muitas das vezes com as mesmas perguntas.
    Achei bem interessante suas colocações sobre preço e "parceria".

  5. Achei otimo o artigo. Existe algum algum outro artigo que fale somente de orçamentos?

  6. Tyto, primeiramente, quero parabeniza-lo pelo post, é um ótimo assunto! Então gostei da parte que vc diz que devemos separar serviços de produtos. Eu trabalho com fotografia de pessoas (books). Então passo o meu dia todo por conta disso, saio cedo e chego a tarde e fico até o dia seguinte editando 50,100 fotos por 300, 350 reais pra depois entregar no DVD/CD e tenho visto que isso não da certo porque como disse a Claudia Regina do DDF ''Fotos em DVD/CD não são fotos, são arquivos.'' Então minha pergunta é, você acha que vale mais a pena pra mim e para meu cliente fazer 20,30 fotos no álbum ou fotolivro e dou o DVD de brinde? Abração e sucesso para todos nós.

    • Airton, como disse no Face – esquece brinde! Cliente bom não se importa com isso. Valorize seu trabalho imprimindo as fotos. Foto boa é foto impressa. Ok. quer agradar, dê uma ampliação, mas dvd não. O Cliente deve pagar por isso. E para fechar, fotos em DVD são esquecidas rapidamente. Imprima suas fotos. Abraços!

  7. Que genial esse artigo. Já compartilhei com alguns grupos no face e com alguns amigos. Aqui em minha cidade estavamos discutindo exatamente esse ponto, mas infelizmente tem muitos "profissionais" com mente pequena, e talvez só o tempo (e muito) fará isso mudar.
    Parabéns pela postura….

  8. Muito legal o post, várias dicas, porém digo uma coisa, aqui na minha cidade Teresina, não interessa se o fotógrafo tem 10 anos na frente de um que tá começando, infelizmente muitos clientes pegam pelo preço, preço baixo. Trabalho com fotografia publicitária e atualmente estou fazendo casamentos com minha namorada, na hora de orçar sempre é uma dor de cabeça, pois leva o trabalho que cobra menos, e nos casamentos ainda tem os tais brindes, pois aqui tem fotografos que dão mais brindes que qualquer outra coisa. E aí, o que fazer? Qualidade sei que temos, preço, sei que cobramos pelo nosso olhar e experiência….

  9. Uma vez eu vi um profissional, que ao discutir o preço (pois o cliente achava extremamente caro e queria pagar cerca de 60% do valor) pegou um pedaço de papel e começou a escrever todos os gastos envolvidos que ele teria para fotografar o casamento do cidadão, ao terminar a conta o valor que ele deveria cobrar para cobrir o evento ainda era um pouco mais caro do que o que ele estava cobrando, e ainda não tinha margem de lucro para o profissional).
    De qualquer forma o cliente não fechou com este profissional. Eu gostaria de saber se em alguns casos esta pratica de mostrar todos os gastos e todos os preços pode ser aceitavel para valorizar o nosso trabalho?

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