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Como se manter na profissão de fotógrafo em 2016 mesmo com a crise

Não se fala em outra coisa aqui no Brasil ultimamente, é crise daqui, crise dali, que vai piorar muito ainda, alguns dizem que vai melhorar, que é psicológica, enfim, o meu objetivo aqui é que você entenda como você pode se beneficiar da “crise” e buscar novas oportunidades na sua profissão de fotógrafo durante essa fase.

Inflação

5 reaisCom a inflação em níveis de 2 dígitos é importante também entender e repensar a sua estratégia de preço. Por exemplo, há 1 ano atrás se o orçamento que você passava ao seu cliente era de R$ 1.000,00 por um serviço, devido a desvalorização da moeda se você continuar cobrando os R$1.000,00 estará efetivamente recebendo algo próximo a R$ 900,00. Por isso minha sugestão é que você reveja suas margens de lucro e veja se ainda está valendo a pena manter os preços praticados. Faça uma revisão também nos seus custos, pois alguns como combustível, por exemplo, podem até ter aumentado mais do que a média da inflação em 2015.

Dólar

Dólar

Ah! Mas o dólar não me afeta! Pois eu vendo meus serviços em reais. Será mesmo que o dólar não te afeta, fotógrafo? Mesmo que as suas entradas e despesas sejam em reais, sempre existirá um componente importado, pois as lentes e câmeras que utilizamos são importadas (algumas de entrada são de fabricação nacional, porém com componentes importados) e quando colocamos o fator depreciação no cálculo dos nossos serviços levamos em conta isso. (Alguns calculam os custos pelo número de clicks), não importa qual o método que você utiliza, o fato é que se a sua câmera já está com um número de clicks elevado e apresentando sinais de desgate é hora de pensar em trocá-la e ao trocar por um modelo novo você pode ter uma surpresa desagradável se comprou a sua máquina anterior há uns 2 anos atrás quando o dólar ainda estava na casa dos R$ 2,35 e agora está na casa dos R$ 4,00. Considere este novo valor de um corpo de câmera por exemplo na sua depreciação e esse valor mensal irá aumentar. É uma despesa que também irá influenciar o seu orçamento final.

Tá, mas os clientes não vão querer ou aceitar um repasse, o que fazer?

Neste caso, existem algumas saídas. Uma delas é: reveja novamente a sua margem de lucro. Se você estava operando com 30% de margem, veja se consegue reduzir para 20, ou 15% para acomodar a inflação e aumento de custos fixos e depreciação de equipamentos. Se não tiver uma margem de lucro muito grande, existe uma outra estratégia : Oferecer um diferencial no seu serviço, seja ele qual for e cobrar mais por isso para compensar essa perda. É claro que irá depender também do seu público-alvo. Outra opção é buscar um maior número de trabalhos que compensem a menor margem de lucro. E por último você pode também diversificar os seus serviços. Por exemplo se você é fotógrafo de casamento, porque não explorar outros nichos? Por exemplo Still ou recém-nascidos, ou uma combinação deles.O Segredo é inovar. Muita gente diz que você precisa se especializar em uma área da fotografia. Sim esse é o mundo ideal, mas na crise meu caro e com as contas para pagar, uma das saídas pode ser diversificar, sem perder é claro o foco do seu trabalho.

Seria bom se eu ganhasse em dólar com essa crise, não é verdade?

ImageBriefFoi exatamente este pensamento que me ocorreu e comecei a ir atrás de empresas que me pagassem em dólar. A melhor maneira que encontrei foi em banco de imagens internacionais. No site www.imagebrief.com é possível ficar atento a diversos “briefings” onde os clientes solicitam ao site determinadas imagens e explicam em detalhes como querem a foto. No plano básico (explorer) você consegue ter um portfólio básico sem nenhum custo e também submeter até 10 fotos para cada briefing. Normalmente os valores dos briefings mais simples pagam US$ 250,00 e você fica com US$175,00 líquido. O que nos dias de hoje significa R$ 700,00 para nós brasileiros.

O site é ideal para quem tem muitas fotos de lugares diversos e situações diversas. Para quem já trabalha focado em banco de imagens, eu diria que é o site ideal. As fotos são solicitadas para diversos usos, sendo alguns editoriais e até alguns publicitários. Já vi valores chegarem a US$ 5.000,00 para um briefing. É claro que você também vai estar concorrendo com o mundo todo, mas é uma ótima forma de você entender o que o mercado internacional está querendo, quais as fotos que mais vendem e com isso você acaba melhorando suas próprias fotos e melhorando o nosso mercado como um todo, além é claro de ganhar em dólar pelo paypal. Não é fácil ganhar um briefing. É necessário muita qualidade técnica, criatividade e inovação, principalmente nos briefings que pagam melhor.

Só um lembrete: o site está em inglês, mas isso não deve ser problema para você, certo? O que? Você não fala, nem lê, nem escreve em inglês ainda? Bom nesse caso é hora de procurar urgente um curso, não deixe as oportunidades passarem. Saber inglês hoje em dia já não é mais um diferencial em muitas áreas. E para driblar a crise esse pode ser o diferencial que faltava para você.

Abraços e bons negócios!

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Ale Rodrigues

Ale Rodrigues é formado em Engenharia Mecânica. Nasceu em São Paulo, Brasil; começou a fotografar com filme em 2006 numa câmera Yashica, um presente de seu pai. Trabalha com fotografia de paisagens, arquitetura, eventos corporativos e still. Possui material publicado em várias revistas do ramo e se especializou em criar imagens autorais utilizando de técnicas de longa exposição em que tenta passar uma mensagem para que as pessoas estejam conectadas no momento presente.

9 Comentários

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  • Eu valorizo artigos de modo geral pois entendo que além do trabalho em formula-los, muitos podem contribuir com a atividade.
    No entanto é preciso dizer com todas as letras que fotografia (comercial) está muitíssimo difícil de ser exercida.
    O serviço fotográfico passa, e não sei se este quadro vai melhorar, por um período péssimo.
    As propostas colocadas por todo lado, a priori, falam de inovação, criatividade, diferenciação, marketing, maneiras de se fazer de forma diferente, enfim, uma enormidade de sugestões e orientações que na prática já não estão surtindo o efeito esperado.
    Há no mercado gente demais, há no mercado muita gente boa, com propostas boas e nem por isso com preços altos, e mesmo assim o mercado se pulveriza muito. Se exige do fotografo, hoje, que ele seja um super sujeito, um cara multi facetado e fantástico, coisas não necessárias em profissões de alta relevância na sociedade, bla bla bla, só isso. Fotografo não ganha para ser tão super assim, mesmo os chamados top do mercado

    A classe alta e alta/média já está muito assediada com bons profissionais, classes média media/baixa, idem, classes C e D pagam mal não permitindo ao profissional planejamento em crescimento técnico e de equipamentos. Todas os níveis estão lotados de opções para o cliente, ou seja, tem bem mais fotografo que casamentos e eventos em geral e, valores tem caído muito e não vai ser criatividade que vai resolver essa questão.

    Para piorar a situação, conteúdos sobre fotografia, produtos e serviços do gênero dispensam muita energia em direção ao consumidor final, as "novidades" e um monte de coisas sem sentido (como a ênfase dada a noiva que colocou uma go pro no cachorro) produzindo assim mais e mais sensação de inutilidade dos profissionais de captação, foto e vídeo.

    Quando o assunto é regulamentação, na tentativa de melhorar o meio, os ignorantes, que não são poucos, enchem as mãos de pedras contaminando o restante da classe com suas opiniões equivocadas

    Por conta desses a fotografia caminha a passos largos para ser vista mais e mais como algo subjetivo, artístico, meramente criativo e, até onde sei esse papo paga as contas de muito pouca gente por ai.

    Meio hipócrita, classe hipócrita, que propaga mentiras e meias verdades nas redes sociais e agem de outra forma no dia a dia.

    Fotógrafos pela falta de clientes criam cursos de fotografia, mas até estes cursos, mesmo os famosos tem sentido dificuldades de impor preços e formar turmas diante de tanta concorrência

    Resumindo, se continuarmos a tratar e aceitar que a fotografia comercial sofra o descredito e a banalização que vem sofrendo, vai ser tornar uma atividade agregada de outra, um plugin de alguma outra profissão séria e valorizada.

  • Ale, boa noite…a respeito do ImageBrief, gostaria de saber se esse "imagebank" recebe fotografias para análise e posterior negociação, ou, se somente disponibiliza clientes para os fotógrafos, que, neste caso estarão concorrendo uns com os outros. Não sei se consegui me explicar corretamente…obrigado.

    • Olá Marcos, ele recebe as fotos que você enviar para análise do cliente final. O imagebrief é um intermediador apenas, ficando com um percentual da venda, caso ocorra. Ficou claro?

  • Muito legal, gostei dessas dicas de negocio, diante dessa crise ficamos vulnerável, sem saber como agir, com essas dicas ficamos mais atentos ao mercado, obrigado.

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