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A teoria da Cor 4.8/5 (5)

O ano mudou mas nosso assunto continuará a ser a Luz. Abro um parêntesis para dizer que me sinto feliz em voltar e desejo a todos um maravilhoso ano.

Nesse artigo vamos falar sobre a cor da luz.

Figura 01

Newton, baseado em seus estudos de 1666, mostrou que a luz branca era formada a partir da soma de todas as outras cores. No entanto foi William Thomson, também conhecido como Lord Kelvin, nascido em Belfast em 1824, que, a partir dos ensinamentos de Newton, decidiu encontrar uma forma de medir os desvios de proporção na composição da luz branca. Para tal, teve a seguinte idéia:

Um objeto totalmente negro absorve toda luz que incide sobre ele (teoria do corpo negro). No entanto, quando Kelvin aqueceu um objeto negro, este passou a emitir luz, e a tonalidade da luz emitida mudou conforme o aumento da tempertura. Como exemplo, vamos aquecer um pedaço de ferro (um prego seguro por um alicate), observando como ele mudará de cor. Primeiro ficará vermelho escuro. Mantendo o aquecimento, mudará para alaranjado e depois para amarelo. Aquecendo o metal mais ainda, surgirá o verde claro, o azul claro, até atingir o azul escuro.

Figura 02

Quando falamos em temperatura da cor dois aspectos importantes devem ser analisados (Figura 03): a propriedade física da temperatura e o aspecto psicológico das cores. Em um quarto iluminado por velas, temos a sensação de ser um ambiente quente. Psicologicamente, a cor amarela é mais quente e produz um sentimento de fome, enquanto a azul é mais fria e transmite tranquilidade. Mas em seu experimento, Lord Kelvin atestou que a vela possui uma temperatura baixa (em torno de 1000k). Portanto, temperatura de cor e temperatura psicológica da cor são conceitos inversamente proporcionais.

Figura 03

Quando observamos uma cena, nosso cérebro compensa rapidamente a variação de cor e procura interpretar a cena como se fosse iluminada por uma luz neutra ou “branca”, mesmo que esta cena sofra interferência de uma luz de outra cor, como por exemplo, a luz esverdeada das lâmpadas fluorescentes, chamadas “frias”. Nossa câmera fotográfica, no entanto, quando em um ambiente iluminado por uma lâmpada incandescente (luz de cor amarela), por exemplo, sofre a influência dessa luz e todos os elementos da foto ficam contaminados por essa cor. Nossa foto será amarelada, assim como demostrado na figura 03.

Para evitarmos essa contaminação, devemos configurar o white balance (WB), balanço de cores ou balanço do branco.

Figura 04

Para cada situação de temperatura de cor no ambiente, temos uma correção específica de balanço de branco. Abaixo vamos comparar as fotos. Na coluna da esquerda todos estão com seus balanços corretos. Já na direita, ajustei erroneamente os balanços de branco (Figura 04).

Fotografia 05 (Luz do dia) e 06 (Tungstênio)
Fotografia 05 (Luz do dia) e 06 (Tungstênio)
Fotografia 07 (Flash) e 08 (Tungstênio)
Fotografia 07 (Flash) e 08 (Tungstênio)
Fotografia 09 (Flas) e 10 (Automático)
Fotografia 09 (Flas) e 10 (Automático)
Fotografia 11 (Sombra) e 12 (Tungstênio)
Fotografia 11 (Sombra) e 12 (Tungstênio) 

Outro fator a ser considerado é que, para os Arquivos capturados em RAW, podemos ajustar o balanço de branco no pós processamento, longe da pressão do ambiente fotográfico. No entanto, se você não fotografa em RAW e sim em JPG, lembre-se de ajustar seu balanço de branco sempre que mudar a cor da luz de seu ambiente.

Muito obrigado a todos e até o próximo artigo onde discutiremos sobre Direçao e Intensidade da luz.

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Alexsandro Stopa

Quando ainda tinha 12 anos, a admiração por seu padrinho, fotógrafo nas horas vagas e de quem ganhou sua primeira câmera, fez com que Alex Stoppa se encantasse pelo mundo da fotografia. Atualmente fotógrafo e professor de iluminação de estúdio, fotografia básica e web marketing na Escola de Imagem. Com formação em física, é especialista em educação pala PUC MG. Em 2009, Stoppa passou a se dedicar exclusivamente ao que realmente ama atuando na fotografia de espetáculos, casamentos e estúdio.

8 Comentários

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  • Gostei muito da sua explicação nesse assunto, pois é um fator na fator que ainda tenho muitas duvidas e aproveitando aqui gostaria de saber porque minhas fotos estão saindo com uma cor alaranjada (Nikon d7100 flash sb910).

    • Olá Edson,

      Obrigado pelo comentário, geralmente as fotos de Nikons possuem um tom mais quente mesmo, para melhorar isso, sempre, antes de fotografar, ajusto meu balanço de branco da forma mais correta possível.

      Obrigado

  • Gostei do seu artigo, pois um artigo que começa contando a História do objeto fica mais rica e consequentemente mais fácil para compreendermos. Parabéns! Adoraria ser sua aluna, pois estudo fotografia sozinha e esta parte de luz não é tão fácil quanto parece…

  • Gosto de fotografar usando a luz ambiente. O que encontramos no cotidiano é que existem várias fontes de luz em um mesmo ambiente, com uma lâmpada fluorecente e outras incandescentes. Nestes casos, qual a melhor forma de acertarmos o balanço de branco? As vezes percebo que no automático fica melhor, mas acredito que não seja o correto. Obrigado. Lauro.

    • Olá Lauro Favero,

      E obrigado pela pergunta. Não há problema algum fotografar no modo automático, o Autor Sil Arena em seu livro ILUMINAÇÃO: DA LUZ NATURAL AO FLASH defende a utilização do WB em modo automático.

      Procuro observar o ambiente e configurar o WB de acordo com a luz predominante. Mesmo com fontes misturadas, existe alguma predominância, alguma cor mais presente no ambiente. E assim posso ou evidenciar essa cor ou realmente torna a foto neutra dependendo do objetivo da fotografia.

      Muito Obrigado,

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