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A culpa é do maldito equipamento

Pode notar que quase todos que possuem esta mania de culpar equipamento por sua estagnação também costumam culpar outros fatores

Assuntinho recorrente, mas parece que nunca é demais falar da forma superestimada com a qual fotógrafos tratam o equipamento.

Não muito raro, costumo ver uma relação meio doentia de dependência. A tecnologia vive dando voltas e sempre refaz a mentalidade dos profissionais e amantes da fotografia. Agora mesmo tenho visto um enorme frenesi por conta do suposto lançamento de uma câmera de meia centena de megapixels. Tudo bem que isso deve ter utilidade real pra alguém, mas todos nós precisamos mesmo disso?

Acho extremamente engraçada essa relação de amor e ódio com os equipamentos fotográficos: lançou, eu amo incondicionalmente. Ralo, me viro, me enrolo, compro e me esbaldo. Saio afirmando que é a melhor coisa que existe. Lança um novo e começa a difamação: “Preciso trocar de equipamento!” “Esse lixo já não presta mais.” “Eu vou pirar se continuar trabalhando com essa porcaria”.

Eu creio realmente que se podemos e precisamos melhorar, devemos fazê-lo, mas fico perplexo com o sofrimento de quem vive para esse ciclo interminável e esquizofrênico. Sim, esquizofrênico!

Na cabeça do sujeito existe uma grande foto, uma grande melhora, uma mágica mudança associada ao momento que ele melhorar seu equipamento.

A-culpa-é-do-maldito-equipamento

Geralmente esta patologia fotográfica se manifesta nos primeiros momentos da carreira. Gente completamente pirada e até envergonhada por estar empunhando um equipamento de entrada. Eu nunca pirei com isso. Usei em cada fase cada equipamento até seu limite.

O que utilizo hoje tem mais resolução ou ISO do que eu realmente preciso, mesmo assim é obsoleto para alguns. Não importa, pois me atende perfeitamente. Minhas prioridades sempre foram investir em mim, no conhecimento e nas experiências que pudessem me fazer uma pessoa melhor e, por consequência, um fotógrafo melhor.

Pode notar que quase todos que possuem esta mania de culpar equipamento por sua estagnação também costumam culpar outros fatores, como o orçamento dos eventos que cobre, a classe social de sua clientela, as locações de seus ensaios, o mercado de fotografia de sua região e mais uma infinidade de baboseiras. É preciso encarar a fotografia de maneira maior que isso.

Se esses fatores forem deixados de lado e a gente concentrar energia e esforços em fazer o melhor que se pode em vez de reclamar e sofrer por conta do que não temos, veremos apenas a melhora natural e inevitável em todas as áreas.

“Equipamentite” é curável se identificada no início, então, especialmente se você é iniciante, observe as cinco afirmações abaixo:

  •  “Não vejo a hora de comprar uma full frame pra resolver isso.”
  • “Preciso saber qual equipamento ele/ela usou pra fazer essa foto!”
  • “Quando eu tiver uma câmera com este recurso vou arrebentar!”
  • “Que droga! Mal comprei este e já saiu outro modelo com tantas melhorias que realmente fariam diferença.”
  • “Quando eu tiver uma lente de abertura enorme vou finalmente fazer fotos lindas por causa do fundo borrado.”

Se você se identificou com essas afirmações, admita: você precisa de tratamento! A melhor terapia está nas coisas que te inspiram e na vontade de conhecer e praticar cada vez mais. Explore, experimente, arrisque. Tenho certeza que você ainda pode realizar muito mais com o que tem.

Eliseu Fiuza

Eliseu Fiuza é fotógrafo de casamentos e família no Rio de Janeiro. Com formação em música, traz do palco e de suas muitas viagens todos os valores e o estilo que se apresenta em sua fotografia. Tendo estudado desenho, pintura e fotografia antes mesmo do trabalho musical, iniciou sua carreira de fotógrafo profissional em 2010. Hoje vive exclusivamente deste mercado, para o qual contribui escrevendo para importantes blogs e sites, especialmente sobre comportamento e reflexões sobre a atividade fotográfica.