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Menos é Mais – Diagramação de Álbuns 3.8/5 (5)

O conceito de Menos é Mais na Diagramação de Álbuns vem do Minimalismo, para quem não se lembra ou não teve a oportunidade de ter aulas de história da arte, refere-se a uma série de movimentos artísticos e culturais de meados da década de 50, que preocuparam-se em expressar a arte pela redução formal de elementos, na limpeza visual dos gráficos, vulgarmente chamados de “estilo clean”.

Este, na minha opinião, é o ponto de partida para que qualquer projeto gráfico dê certo. O resultado da aplicação deste conceito é o óbvio, a valorização do conteúdo principal (das fotos, no caso) e não das firulas e enfeites que mais atrapalham que ajudam. Existem portanto, designers que conseguem trabalhar com esta linguagem de texturas e linhas complementares, sem que passe do limite (muito tênue) do belo para o brega. É preciso utilizar com muito cuidado, sempre.

Dentro deste conceito aplica-se também a regra da Proporção Aurea, (ou Regra dos 3 na fotografia), a qual seguimos o sentido de leitura e de proporção da lâmina para a composição das fotos no layout.

É importante tocar nesse assunto pois pode ajudar muita gente a melhorar seus trabalhos, a pensar um pouco mais na hora de usar aquela fonte poluída ou exagerar nos gráficos das capas e miolos.

Página do livro Elementos do Estilo Tipográfico,
de Robert Bringhurst, Ed. Cosac Naify

Mas como aplicar este conceito nos nossos trabalhos?

Sugiro alguns passos: faça muitas pesquisas, veja modelos de aplicação de fotografia em revistas, livros, posters. Quanto mais referências visuais melhor! Algumas ótimas fontes de inspiração são sites de foundries (empresas especializadas em desenvolvimento de fontes), como a MyFonts.com, livros de viagens (estes muitas vezes aplicam somente fotos em seu interior, para demonstrar a beleza do lugar e da fotografia), revistas de moda importadas, filmes,  enfim, não prenda sua inspiração somente na sua àrea específica, vá mais além e fuja do básico – surpreenda-se com suas próprias criações!

Para fugir do básico, em qualquer sentido é só querer, fontes de inspiração encontramos em todos os lugares, pare para observar e abra a cabeça!

Um exemplo de aplicação deste conceito na diagramação dos álbuns de fotografia é a quantidade de “espaço branco”. É claro que uma foto estourada na lâmina é linda, mas ela menor, com uma “margem” branca tem seu charme. O equilíbro é a questão. Sou a favor de utilizarmos um pequeno espaço entre as fotos de uma lâmina, quando grudamos uma na outra é possível uma pequena confusão mental, inconscientemente fundimos uma imagem à outra, o que é facilmente resolvido dando um espaço de 5mm, por exemplo, entre elas.

A escolha das fontes é outra questão. Hoje em dia muita gente usa somente as que já vem instaladas no computador, não se dão o trabalho de pesquisar por fontes novas e bacanas. Esta é uma pesquisa que vale a pena. Existem muitos sites que disponibilizam fontes muito boas e free (de graça) para baixar. Um ótimo site, com fontes clean é o fontfabric.com. Recomendo.

Resumindo, criar um álbum no estilo clean é simples e muito bacana, mas exige muita pesquisa e principalmente inspiração. Boa sorte!

Agora que leu, avalie o artigo e deixe um comentário mais abaixo:

 

Gosta de algum dos artigos abaixo?

  • Acho que teve algum problema no link por causa dos parênteses. Aí vai de novo: http://albumbox.com.br

  • Vanuza, é muito bom ver as pessoas defendendo o minimalismo na diagramação de álbuns. É cada coisa que aparece em álbuns que, como o Ernesto comentou, a fotografia acaba perdendo a importância. A outra vantagem é deixar o álbum atemporal. Quantos álbuns vc vê hoje que foram feitos há 3 anos atrás e vc bate o olho e vê que é antigo na hora só por causa do tanto de firula aplicada, né? Pra resolver isso e ajudar as pessoas a criarem álbuns minimalistas, sem ter que preocupar com as coisas mais chatas tipo alinhamento e espaçamento, eu criei o Album Box (http://albumbox.com.br) seria legal se animasse dar uma olhadinha e dar sua opinião. Abraços

  • Ernesto Martins

    Parabéns pelo texto Vanuza. Tenho uma encadernação aqui no Rio de Janeiro e convivo com extremos, da mesma forma que chegam trabalhos lindos como um pequeno 15×21 com fotos de uma gestante, diagramado com fundo branco e com o descrito espaço de 5mm entre as fotos da pequena lamina, recebemos também laminas 30×40 com um mosaico de cores e informações que chego a me perguntar se o cliente conseguiu encontrar as fotos de seu evento em meio a tanta informação.

  • Valquriia

    Excelente o post!!! adorei

  • Rafael

    nossa faz tempo que eu admiro o trampo da Vanuza! Ela faz tudo com muita perfeição, uma inspiração pra qualquer designer!

  • Acho que produzir bons textos e publicar em Blogs é um grande trabalho. Exige conhecimento e determinação. Parabéns a Vanuza por seu texto.
    Aproveito para deixar uma dica para aqueles que se envolvem com algum trabalho de arte e diagramação de albuns de fotografia. Ou mesmo simplesmente fotografia. Pesquise e estudem um pouco sobre as regras do Gestalt sobre percepção. Isto vai lhes dar uma nova dimensão na visão.
    Claro que os trabalhos "clean" tem nossa preferência. Todavia, mais do "clean", um trabalho gráfico tem uma missão de gerar uma mensagem. É ai que se escondem os segredos do design. Abraços.

  • Bugarov

    Dica valida, mas vai chegar um dia que a tecnica vai subistituir a arte, ai tudo vai ser monotomo. Creio que não demora muito.

  • Vanuza, lembra de um vídeo da Microsoft, que foi espalhado por um funcionário de lá, que criticava justamente como o pessoal de design de lá andava poluindo muito os produtos? Mostrava como seria a embalagem do iPod se o player fosse da marca, e não da Apple – se não viu/não lembra, procure por ele!

    Adorei saber do FontFabric. Parei com minha mania por fontes, já, mas ainda tenho uns sites do tipo em meus favoritos, e gosto de ver coisas novas ainda, embora hoje em dia não saia baixando tanta fonte sem muito critério, sem destrinchar bem pacotes baixados – agora é ver uma _bem_ legal e pensar se é melhor do que as que já tenho no mesmo estilo.

  • Sergio Villa

    Prezada Vanuza,
    Muito interessante seu post e também sou adepto do design minimalista, creio que é uma ótima tradução da elegância e do bom gosto.
    Que tal dissertar mais sobre o tema com foco prático voltado à fotografia.
    Agradecemos antecipado.

  • Rosângela Sá

    Muito bom o post. Parabéns.

  • Realmente é algo muito necessário, pois tem pessoas diagramando que coloca tanta coisa que a própria foto acaba sumindo em meio a tantas coisas. E essa referência do Robert Bringhurst é perfeita para diagramação…
    Parabéns pelo artigo!

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