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Impressão Fine Art – Parte 2 5/5 (1)

Na primeira parte desse artigo, comentei sobre as novas tecnologias de impressão jato de tinta que abriram caminho para uma discussão sobre impressão Fine Art, os papéis utilizados nesse tipo de impressão. Agora irei falar sobre os cuidados que os fotógrafos precisam ter no momento da captura e depois no tratamento das imagens para que a imagem final seja a mais adequada possível para uma impressão de qualidade.

Tecnologia nova, papéis novos, as mudanças no processo de impressão jato de tinta foram bastante significativas. Como isso afeta a nós, fotógrafos? Precisamos mudar a nossa forma de trabalho para acompanhar essas mudanças? Sim, precisamos, mas nada muito radical. Os profissionais consultados concordam plenamente nos cuidados básicos que precisamos ter durante a captura de imagens para usufruir mais tarde de todos os benefícios que a impressão Fine Art oferece.

Araquém Alcântara - O Pulo do Jaguaretê

O Pulo do Jaguaretê – Araquém Alcântara

Todos foram enfáticos em afirmar que quanto melhor a qualidade da imagem capturada, mais fácil fica o processo como um todo. Fotografar sempre em RAW é essencial para garantir essa qualidade desde o momento da captura. A Marina sugere o uso de boas objetivas e não abusar de ISOs altos. O Clício acrescenta que trabalhar com a exposição favorecendo a claridade da imagem ajuda depois no processo de edição, pois recuperar informações de áreas escuras é mais difícil quando se tenta evitar o surgimento de ruídos na imagem. Por outro lado, o Alex adverte que por melhor que seja o sistema de impressão e o papel escolhido, as perdas de informação são inevitáveis. As impressoras não são capazes de reproduzir todos os detalhes nas extremidades nem das áreas escuras, nem das altas luzes. Portanto, trabalhar no limite da latitude da câmera pode não ser uma boa ideia quando se tem a impressão como objetivo final. Segundo o Alex, uma imagem um pouco menos contrastada, menos saturada e com mais informação, é uma matriz perfeita para ser impressa.

Durante o processo de pós-produção da imagem, o ideal é manter essa qualidade da informação obtida durante a captura e quando precisar salvar a imagem em outro formato que não o RAW para usar em algum software de edição de imagens, utilizar o formato TIFF e o espaço de cor Prophoto 16 bits ou se então, AdobeRGB 8 bits. O espaço de cor Prophoto 16 bits é mais amplo que os formatos AdobeRGB e sRGB, e trabalhando com arquivos 16 bits, preservamos a qualidade da informação capturada. Se não for possível, o ideal é usar o espaço de cor AdobeRGB, mais amplo que o sRGB, com arquivos de 8 bits. Apesar de não ser tão rico em informações quanto o conjunto Prophoto 16 bits, o AdobeRGB 8 bits também preserva as informações necessárias para que qualquer equipamento, seja ele monitores ou impressoras, sejam utilizados nos limites máximos de suas especificações, além de ser um formato padronizado mundialmente.

Ubatuba - Matheus Dalmazzo

Ubatuba – Matheus Dalmazzo

Quando se trata de captura de imagens já impressas, ou seja, digitalização para futura impressão, a Marina recomenda digitalizar sempre dentro da resolução óptica do scanner, sem interpolações, em 16 bits e sem clipping (perda de informação nas altas e baixas luzes). A melhor digitalização é quando se preserva toda a informação que o original tem.

Espaços de cores, formatos de arquivos, monitores, papéis, são muitos os aspectos técnicos que interferem no fluxo ideal de trabalho desde a captura até a impressão da imagem final. Conhecer sobre gerenciamento de cores é fundamental para um fotógrafo hoje em dia. Pessoalmente eu recomendo o livro do Alex Villegas, já li e aprendi muito sobre o assunto com ele. Todas essas informações serão úteis durante as etapas de pós-produção, como por exemplo, saber como relacionar a imagem vista em monitores com a imagem impressa.

A Marina aborda essa questão quando questionada sobre os cuidados necessários durante a pós-produção das imagens. “Para imprimir uma imagem, precisamos sempre fazer uma transposição entre realidades, pois as imagens normalmente são vistas em monitores, em uma realidade de luz emitida com alto contraste e depois serão impressas em papel, onde a luz é refletida, fazendo com que o contraste máximo possível seja muito menor do que o possível na tela. Além disso, a maior parte das pessoas ainda trabalha sem calibrar o monitor, o que faz com que o que é mostrado nem sempre corresponda ao que o arquivo é numericamente de fato e fazendo com que o tratamento interpretativo que o fotografo faz não corresponda à realidade do arquivo. Neste caso temos sempre que vistoriar o arquivo em um monitor calibrado para nos certificarmos de que o arquivo bate com a expectativa criada pelo fotografo dentro do seu fluxo de trabalho. Uma vez acertado o resultado temos que fazer um ajuste com a simulação do perfil do papel que será usado, feito especificamente para a impressora que será usada, para podermos prever as mudanças que teremos nesta transposição de realidades e ter o resultado mais próximo possível da expectativa do fotografo no material escolhido. Além disso, existe o tratamento interpretativo que é feito junto com o fotografo para conseguir tirar o máximo da imagem, dentro da proposta de leitura pretendida e que, de preferência, deve levar em conta o material de saída para não gerar uma expectativa que não pode ser correspondida na saída final.

Priscila Werneck

Gerbera – Priscila Werneck

O Clício, como fotógrafo experiente e autor de livros sobre Lightroom e Photoshop, dá dicas mais práticas sobre o processo de edição. Começando com a captura em RAW, usando o Lightroom para edições iniciais de ajustes tonais, luzes e cores, o arquivo permanecerá no formato RAW. Caso seja necessário a exportação do arquivo para o Photoshop ou algum plug-in a fim de realizar mais ajustes/edições, o ideal é usar o formato TIFF, no espaço de cores Prophoto 16 bits. Se o software de edição de imagens ou plug-in utilizado não aceitar este formato, que seja exportado então em TIFF, no espaço de cores AdobeRGB 8 bits.

Clício alerta ainda que o formato JPEG não deve ser utilizado nesse processo, pois esse formato é um formato de saída, ou seja, de destinação final para o arquivo. Por exemplo, para o envio desta imagem para exibição na web ou em monitores. JPEG não é um formato adequado para tarefas de pós-produção (tratamento e impressão de imagens), para isso deve ser usado formatos como TIFF ou PSD.

Na última parte desse artigo irei falar sobre a fase de impressão; como escolher os papéis mais adequados para cada tipo de impressão e como os profissionais de impressão podem auxiliar os fotógrafos nesta fase. Até a próxima!

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Carlos Alexandre Pereira

Fotógrafo brasileiro especializado em fotografia abstrata, minimalista, paisagem e urbana; com uma paixão por fotografia P&B que reflete no seu portifólio quase monocromático.

2 Comentários

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  • Volto a comentar, é bastante superficial, ideal para quem começa a querer entender o processo como um todo. Há como prever o que está no seu monitor quando for impresso e isso deve ser levado em consideração – As prova de impressão virtuais de deixam muito próximo do que ira acontecer com sua imagem após impressa. Além disso gosto de testar a imagem observado-a (virtualmente. ou seja na tela do computador) com a simulação da cor que melhor se adequa ao paspatur a ser usado.

    • A simulação de cores do paspatur é uma boa dica que acabou não sendo incluída na versão final do artigo. Valeu a lembrança Pepe!

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