Ninguém precisa de fotógrafos 4.62/5 (37)

Acredite: já houve um tempo em que ninguém fotografava.

Os famosos pioneiros deste novo mundo eram gênios simplesmente por fazer algo que ninguém mais fazia. A fotografia em si era a grande atração, não importava o que estivesse nela representado. Por si só já era uma vitória da inventividade humana, um feito esplêndido da química, da óptica e de um monte de ciências reunidas.

Ao longo dos tempos ela foi se popularizando e se tornando parte integrante de nosso dia-a-dia. Chegara então o tempo em que qualquer um podia fotografar, mas a precisão do processo estava nas mãos dele: o inigualável fotógrafo profissional. Um novo gênio. Ele devia ter uns três ou quatro cérebros! Conseguia focar, fotometrar e “enquadrar” tudo direitinho, e o pior: tudo isso ao mesmo tempo! O que o gênio e seus cérebros não perceberam é que eles estavam com os dias contados. Nas últimas décadas a eletrônica deu-lhes um grande golpe: as câmeras podiam focar e fotometrar sozinhas, felizmente não eram para todos, mas com o digital, ah, o digital foi o golpe final! De repente todos eram gênios do foco, da fotometria e do enquadramento. E daí se nem sempre há a melhor iluminação, um desfoque no fundo dos retratos ou outros “detalhes”? O assunto está lá, e está em foco, bem exposto e com cores bem fiéis na maioria das vezes.

Eliseu-Fiuza-Fotografia-01

Mas então, qual o porquê de toda esta historinha?

Simples: se você ainda acredita que fotografia é focar, expor e enquadrar tudo direitinho, ou se você ainda dá aquela respostinha cretina de “escrever com a luz” quando tenta definir a fotografia pra você, cuidado, mas você pode estar no baú das inutilidades. Por mais que doa, admita: ninguém mais precisa de profissionais pra isso. Todo mundo já registra a luz direitinho. Alguns até conseguem, vez ou outra e com alguma sorte gerar uma imagem incrível. Ninguém quer um profissional que registre, apenas. As pessoas precisam de alguém que possa garantir a imagem incrível sem depender só da sorte. Alguém que saiba enxergar a luz ou controlá-la quando quiser ou precisar. Elas procuram o olhar que enxergue sua essência, sua beleza, às vezes além do que elas mesmas conseguem ver. No caso de fotógrafos de casamentos, como eu, as pessoas querem alguém que garanta imagens que contem histórias. Mais que fotógrafos, as pessoas anseiam por poetas, construtores, criadores de imagens. Neste processo, a fotografia torna-se apenas um meio e não um fim.

Tudo bem, eu também me apresento como fotógrafo, mas sinto-me muito feliz quando ouço: “Este não é um fotógrafo, é um artista”. Às vezes isto acontece durante o próprio trabalho, sem que o cliente tenha ainda visto uma única foto. Pode não parecer nada, mas para mim revela o que vai no inconsciente coletivo: artista é algo além de fotógrafo, então é isto que almejo ser. Sempre.

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Eliseu Fiuza

Eliseu Fiuza é fotógrafo de casamentos e família no Rio de Janeiro. Com formação em música, traz do palco e de suas muitas viagens todos os valores e o estilo que se apresenta em sua fotografia. Tendo estudado desenho, pintura e fotografia antes mesmo do trabalho musical, iniciou sua carreira de fotógrafo profissional em 2010. Hoje vive exclusivamente deste mercado, para o qual contribui escrevendo para importantes blogs e sites, especialmente sobre comportamento e reflexões sobre a atividade fotográfica.

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