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O número guia e a “fitametria” 4/5 (5)

O número guia (NG, ou GN, em inglês) é a chave para fitametrar corretamente. Não, não foi um erro de digitação. Vamos usar uma fita métrica e um pouquinho (não se assuste) de matemática para encontrar a exposição correta relacionando abertura do diafragma, ISO, potência do flash, e distância do flash em relação ao sujeito. Como faço para saber o número guia do meu flash? Fácil. Está no manual de instruções, nas especificações técnicas do equipamento. Normalmente os flashes trazem um número guia para o cálculo em metros, e outro para pés. Calcular a exposição também é simples.

Suponhamos que nosso flash imaginário tem um número guia 22 (métrico). Isso quer dizer que para uma distância de 1m, em carga máxima (1/1), e ISO 100, a abertura do diafragma deverá ser f22 para se conseguir a exposição correta. Temos uma exposição perfeita nessas condições, mas e se quisermos uma abertura maior, ou aumentar a distância entre o flash e o sujeito da foto? Para isso precisamos nos lembrar de duas regras elementares na fotografia.

A primeira é a lei da reciprocidade. Sempre que eu abro um ponto na exposição, de f8 para f5.6, por exemplo, ou de 1/60 para 1/30, ou ainda no ISO (ex: de 100 para 200), o dobro de luz atinge nosso sensor. Da mesma forma, quando fechamos um ponto (imagine todos os exemplo citados, só que ao contrário. Quero evitar a fadiga de escrever tudo de novo), recebemos a metade da luz. Sempre que encontramos a exposição para uma cena e queremos alterar um dos valores, outro valor deverá ser alterado da mesma forma, para compensar. Exemplo: encontramos a exposição para ISO 100, 1/125 e f8. Se quisermos mais profundidade de campo e fecharmos o diafragma em um ponto, devemos compensar com um ponto no ISO, ou na pontência utilizada no flash (aqui suponho que você já leu os artigos do Vernaglia sobre fotometria e flash  e sabe que a velocidade influencia apenas na luz ambiente, e não na luz do flash).

Outro fundamento que devemos nos lembrar é a lei do inverso do quadrado da distância. É simplesmente a lei que rege o universo. Gravidade, ondas de rádio, radiação etc. Muita coisa no mundo (e fora dele) obedece esse princípio. Para entendermos como isso se aplica à luz, vamos pensar de trás pra frente. Distância, quadrado, inverso. Exemplo: já achamos a exposição para 1m. Distância = 1; quadrado = 1²; inverso = 1/1². O resultado é 1. Temos exatamente a luz que queremos, sem perda. Mas se afastarmos o nosso flash para 2m, temos: distância = 2; quadrado = 2²; inverso = 1/2² = 1/4. Temos somente 1/4 da luz que encontramos anteriormente! A 3 metros, a mesma lógica: 3m; 3²; 1/9.

Voltando à nossa fitametria, jogando tudo no liquidificador e levando ao forno até dourar, chegamos à seguinte conclusão:

O número guia do nosso flash imaginário é 22, lembram? De novo, isso quer dizer que medindo exatamente 1m na nossa fita métrica, ISO 100 e carga máxima, o diafragma deve ser é f22. Mas eu preciso de mais espaço. Quero afastar meu flash para 2m. Sabemos que a 1m temos f22, e sabemos que afastando para 2m temos 1/4 da luz que tínhamos a 1m. Sabemos também que se abrirmos um ponto, o dobro da luz entra. Ora, ora, ora… Quer dizer então que, uma vez que encontramos a exposição para 1m, é só abrirmos 2 pontos para que o quádruplo de luz entre e, assim, chegamos à exposição para 2m? Exatamente! Se a 1m temos f22, a 2m teremos f11! Mas e se eu quiser f11 a 1m de distância? Moleza! Se a 2m perdi 1/4 de luz e compensei abrindo 2 pontos no diafragma, se voltarmos para 1m teremos o quadruplo de luz a f11, certo? Então que tal manter f11 a 1m e diminuir a potência do flash? de carga máxima, 1/1, para 1/4 de carga. Bingo! Temos exatamente a mesma exposição!

Mas o número guia do meu flash é 28 e a abertura mínima da minha lente é f22! Ai, meu Deus! Vou morrer!“. Para de drama. Perceba que fechando um ponto de f22 temos f32. E que sua câmera provavelmente trabalha em terços. f28 seria 2/3 de ponto, nesse caso. É só diminuir 2/3 na potência do seu flash e você encontra exatamente a mesma exposição para um flash de número guia 22 em carga máxima. Lembre-se: tudo está relacionado. ISO, abertura, potência do flash, e distância do flash em relação ao objeto fotografado. Quando encontramos a exposição que queremos e alteramos um deles, algum outro deve ser alterado para manter a mesma exposição.

Vamos à prática! Pegue sua câmera, seu flash, sua fita métrica e seu raciocínio rápido intergalático e teste todas as possibilidades, pensando nas duas leis fundamentais de que falamos.

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Leo Neves

Leo Neves é fotógrafo freelancer em São Paulo e Rio de Janeiro. Entusiasta dos flashinhos speedlight, não troca a praticidade, portabilidade e versatilidade dos flashes compactos por nada. Também ministra oficinas sobre o assunto.

21 Comentários

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  • Ola o uso de difusor altera estes numero e quando o motivo esta em movimento por ex a noiva entrando na igreja

  • Minha câmera é D-700, meu flash é SB-900. Meu NG em Iso 100 é 34, em Iso 200 é 48. Tenho uma lente 24-120mm 3.5-5.6. Quando a lente está em 24mm a abertura é f-22; quando está em 120mm, a abertura é f-36.Com o flash em Manual, como vou descobrir quantos f-stop a mais, quanto a menos, se quando vou diminuindo ou aumentando o zoom ela vai alterando o f-stop?

  • Eu tenho um SB800 e minha câmera começa no ISO 200. Sei que o número guia do meu flash é 38 (em ISO 100). E agora meu Deus…vou morrer!!

    Alguém pode me ajudar, montar a formulinha pra eu guardar e tentar entender com base no equipamento que tenho??

    meu e mail é marcioyuzo@gmail.com

    Obrigado

  • Cara agora tu pirou meu cabeção!
    Estou terminando o curso básico e ainda sou Cabaço em flash!
    O máximo que eu sei fazer e calcular o número Gn da camera com a abertura para descobrir a distancia em metros.dobrar a potência aumentando o ISO da camera e olhe lá rsrs.
    Tu poderia me dar algumas dicas sobre Multiflash usando o flash da camera?
    Tenho uma 7D e ela tem esse recurso no flash interno e tem tbm flash de duração.
    Quero treinar as tecnicas Multiflash e Splash…

  • Uma correção ao que está escrito: "Perdemos 1/4 da luz que encontramos anteriormente! " você diz, mas na verdade perdemos 3/4 da luz e ficamos com 1/4. Cada vez que dobramos a distância da fonte de luz, ficamos apenas com 1/4 da luz, como fica claro na explicação do outro parágrafo.

  • Excelente aula!!

    Ah! se o flash estiver rebatido, vamos ter que usar pitagoras nesse calculo, simples, a soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa, ai é só continuar com os calculos rsrs

  • Muito bom esse artigo. @nevesleo já começou arrebentando! Pergunta: chega um momento q tudo fica automático (no cérebro) e as contas não são mais necessárias?

    • Mais ou menos. Quer dizer, de tanto fazer e explicar isso nas oficinas eu já sei certas leituras que meu equipamento dá. Eu sei que com minha sombrinha grande posso jogar f11 em externa que meu sb800 segura até pouco mais de 1m, e sei que o mesmo nao acontece com o octa, por ter duas camadas de difusão. De tanto repetir o processo acaba caindo no sangue mesmo. Se algo sai fora, é questão de um ajuste pequeno. Mas o caminho é praticar e, mais importante que praticar, observar o que está fazendo durante a prática.

    • Se o flash estiver rebatido, ou se você usar algum modificador de luz, tem que pensar em compensar. Mas isso é apenas para o modo manual. Trabalhando em automático ou TTL, o próprio flash calcula a quantidade de luz necessária. O problema é que em TTL você entrega o controle da luz para o flash. No manual em tenho consistência. Tenho a mesma luz a cada clique. Eu já conheço meu equipamento e sei mais ou menos o quanto de luz eu perco com cada modificador que eu uso, então sei que se eu usar meu octabox grande preciso compensar quase 2 pontos. A chave é praticar muito para conhecer o seu flash e os seus modificadores.

        • O TTL vai sempre ler o que passa pela lente (TTL = Through The Lens). Se eu mudo o modo de medição, ou a composição da foto, o flash muda a quantidade de luz. Consistência é no manual mesmo.

          • ..na real o controle do TTL é na câmera, pois é "ela" que vai informar ao flash quanto de potência utilizar, e quem vai dizer a câmera quão claro ou escuro é o objeto (dependendo da cor predominante que irá refletir a luz para o fotômetro da câmera "ATRAVÉS DA LENTE") somos "nózes".

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