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Panelinhas, Veteranos e Bebês da Fotografia

Quando recebi o convite para colaborar com a Fotografia-DG, primeiro fiquei surpresa, depois fiquei muito feliz e honrada com o convite, e aí fiquei com aquele “medinho”, aquele friozinho na barriga, pensando: será que vou estar à altura dos meus novos colegas colaboradores, que já acompanho e admiro há um tempo (tem que ter a rasgação de seda né)? Euforia passada, eu simplesmente entrei em pânico! Sobre o quê, finalmente eu vou escrever? E surtei, porquê não fazia a menor idéia do que escrever no primeiro artigo, afinal, a primeira impressão é a que fica, não é verdade?

Então resolvi seguir o conselho dos meus colegas cientistas sociais e me entregar ao ócio criativo. E que maravilhosa desculpa pra ficar sem fazer nada!!

Aproveitando o meu ócio criativo, me vi pensando nas minhas experiências e em como poderia contribuir para a fotografia. Realizei que sou apenas um bebê, engatinhando nesse fantástico mundo das imagens! E assim sendo,  é para os meus colegas bebês da fotografia que dedicarei este primeiro artigo.

Pois bem, em conversas com vários amigos que estão começando ou que já começaram a se inserir no mercado de trabalho da fotografia, percebi que uma reclamação constante de todos eles é a famosa panelinha dos veteranos. Ouço sempre que estes últimos “dificultam” a inserção no mercado de novos fotógrafos, omitindo informações ou “esnobando” novatos, não permitindo a entrada destes  no “seleto grupo dos grandes fotógrafos de tal lugar”.

Vou falar um pouco sobre as minhas impressões desse assunto. Primeiro, acredito que fotografia é uma arte, uma profissão e não marçonaria. Por isso mesmo ninguém precisa de um convite à portas fechadas ou de algum “batismo” pra aprender a fotografar, é só se matricular num curso e pronto! Não quero dizer com isso que basta fazer um curso e PIMBA! Você é um fotógrafo profissional. Mas esse seria um dos primeiros passos.

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Segundo, vejo muita ansiedade dos meus colegas bebês fotógrafos. Assisto muito por aí garotos e garotas que fazem um curso (ou aprendem por outros meios), se apaixonam pela arte e saem por aí com um portfólio debaixo do braço direto para a Magnum!

Exageros à parte, eu faço uma súplica: Gente, calma! A fotografia enquanto profissão, é uma profissão como qualquer outra. É preciso começar por baixo e trilhar com calma (e muito esforço e dedicação) o caminho para a realização profissional. A escada do sucesso foi feita para ser subida degrau por degrau e não pulando de dois em dois. Começar como assistente é um bom começo para adquirir experiência e aprender com quem sabe. Mas esse não é o único caminho, ainda assim pra mim o mais recomendável.

E sobre esses  fotógrafos veteranos que não gostam dos mais novos… não sei não… Eu tive e tenho muita ajuda dos meus amigos veteranos. Entre conselhos e indicações, sempre encontro colegas abertos e dispostos a contribuir, compartilhando os seus conhecimentos e experiências. E olha que tenho uma grande cara de pau! Quando gosto do trabalho de alguém, vou atrás, insisto, entro em contato e peço aquele famoso “minuto do seu tempo”. Não é vergonha pedir ajuda e conselhos para quem já “está lá”. Pelo contrário, isso mostra humildade e vontade de aprender, de melhorar, qualidades que acredito serem bem importantes, mesmo para quem alcançou o sucesso desejado. Sempre vamos ter algo para aprender e compartilhar, o conhecimento é um poço sem fundo, nunca se esgota! E também evita que você seja um daqueles “novos fotógrafos” que muitas vezes são bem intencionados, mas por inexperiência acabam “queimando o seu filme” junto  aos seus colegas de trabalho.

Óbviamente, existem fotógrafos veteranos que “esnobam” os bebês fotógrafos. Mas estes são os profissionais medíocres (que existem em toda profissão) e esses realmente não merecem atenção, pois normalmente são aqueles que nunca vão ser grandes mestres, nunca terão grande visibilidade. E se você, bebê fotógrafo encarou esse tipo de profissional na sua caminhada, esquenta não! Existem outros mil dispostos à compartilhar os seus conhecimentos e por favor não esqueça nunca de NUNCA reproduzir essa prática da mediocridade, esse tipo de atitude  não acrescenta absolutamente nada à sua carreira profissional.

Por fim, acredito que um bom começo é estar sempre presente em palestras, cursos, workshops, encontros e o que mais sua agenda e suas finanças permitirem. Assim, você vai ser reconhecido, fazer amizades no meio (network é importantíssimo em qualquer profissão que seguir) e a sua inserção no mercado muito mais eficaz! E nunca se esqueça de fotografar SEMPRE e MUITO! É por amor à essa arte e ao conhecimento que estamos aqui, no final das contas.

Fica a dica!

E espero que tenhamos vários e vários encontros!

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Juliana de Souza Leão

Fotógrafa, pesquisadora, amante das artes e do conhecimento. E preguiçosa nas horas vagas!

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