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 A Popularização da Fotografia

Um Estudo Sobre a Disseminação da Fotografia na Sociedade Contemporânea e Suas Consequências Para os Fotógrafos.

O desenvolvimento das mídias e a acelerada modernização dos processos de produção da imagem tornam cada vez mais abundantes o acervo de informações visuais presentes no cotidiano, porém, a sociedade mostra-se pouco apta para acompanhar tais avanços.

Essa enorme produção de informações visuais exige do receptor um grau de percepção e absorção cada vez mais apurado, entretanto, o que se encontra é um público receptor, por vezes, desavisado quanto ao potencial da linguagem visual, e que, por este motivo, não a trata com a devida atenção.

A fotografia é um dos meios de comunicação visual que alcança boa parcela da sociedade e que possui uma grande credibilidade junto à mesma, devido ao seu contexto histórico social. Em decorrência do forte desenvolvimento tecnológico alcançado pelas indústrias, a câmera fotográfica tornou-se um bem de consumo de relativa acessibilidade à população. Com custos reduzidos e com uma forma cada vez mais compacta, a câmera fotográfica é um objeto presente no cotidiano da sociedade, tendo deixado, há tempos, de ser item exclusivo de profissionais da área.

Se fotografias estão sendo produzidas a todo o momento, por pessoas de diferentes áreas de atuação, o que define, atualmente, um fotógrafo profissional? Quais os efeitos trazidos pela popularização da imagem fotográfica aos profissionais da área e suas produções? Qual a visão da sociedade sobre tal popularização? É em torno dessas questões que se desenvolveu a discussão do presente artigo, que objetiva produzir reflexões acerca da evolução da fotografia e seus efeitos.

Tem-se por objetivo com este estudo refletir sobre os efeitos da democratização/popularização da fotografia sobre os fotógrafos e para a sociedade como um todo; Analisar as consequências que a democratização/popularização da fotografia trouxe em relação à qualidade técnica e à estética da imagem fotográfica; Verificar o quanto o avanço tecnológico contribuiu para as transformações na vida profissional do fotógrafo e, consequentemente, para a sua produção.

Para alcançar os objetivos propostos foi necessário traçar um levantamento bibliográfico sobre o tema, assim como, realizar uma pesquisa de campo por meio da aplicação de dois questionários.

Foi realizado um levantamento bibliográfico objetivando relacionar os principais autores que contribuíram para o desenvolvimento da pesquisa na abordagem sobre os efeitos da democratização/ popularização da fotografia sobre os fotógrafos; as consequências que a democratização/popularização da fotografia trouxe para a qualidade técnica e estética da imagem fotográfica; e o quanto o avanço tecnológico contribuiu para as transformações na vida profissional do fotógrafo e, consequentemente, para a sua produção. Esse embasamento teórico foi desenvolvido de forma a explanar a evolução da fotografia e assuntos correlatos.

Para complementar o levantamento bibliográfico, foram realizadas pesquisas de campo, sendo utilizados dois questionários como instrumentos de pesquisa.

O primeiro questionário, de ordem qualitativa, é constituído por perguntas subjetivas e tem como público alvo aqueles que vivem da fotografia, conhecidos como fotógrafos profissionais. O segundo questionário é objetivo e busca atingir a sociedade como um todo, sem restrições de nível social ou acadêmico.

Os profissionais entrevistados correspondem às mais variadas áreas da fotografia, abrangendo os gêneros artísticos, fotojornalismo, documental, social, ambiental e comercial. As questões presentes nesse instrumento de pesquisa objetivaram analisar a opinião dos profissionais da área quanto às mudanças trazidas ao campo profissional em decorrência do avanço tecnológico. Buscou-se, também, compreender como os entrevistados encaram a crescente popularização do equipamento fotográfico e, consequentemente, da própria fotografia. Além disso, procurou-se analisar como é encarada pelos fotógrafos a disseminação da imagem fotográfica na sociedade contemporânea. O questionário foi encaminhado para 30 profissionais da área e obteve-se resposta de 15 deles. Nas citações das entrevistas, para que a privacidade dos entrevistados fosse mantida, os entrevistados foram enumerados, aleatoriamente, de 1 a 15.

Quanto ao questionário de múltipla escolha, de ordem quantitativa, o mesmo é voltado ao público geral (sem restrição de faixa etária, gênero, classe social ou escolaridade), esse foi desenvolvido de forma a buscar compreender a maneira como é vista a fotografia pela sociedade como um todo. Procurou-se, também, entender a função do fotógrafo de acordo com a opinião da sociedade, além de se investigar o grau de acessibilidade da fotografia no cenário contemporâneo. Para isso, foram entrevistadas 100 pessoas.

Tendo em mente que o foco dessa pesquisa é analisar os efeitos da popularização da fotografia, procurou-se descobrir qual o seu grau de acessibilidade na sociedade contemporânea. Para isso, buscou-se analisar, por meio do questionário objetivo, quantos entre os entrevistados possuem câmera fotográfica.

Possue Câmera Fotográfica

Como se pode observar 94% dos entrevistados possui câmera fotográfica, o que sustenta a teoria de que está ocorrendo certa popularização da fotografia. Uma vez analisado tal assunto, procurou-se compreender o quanto a evolução tecnológica contribuiu para que ocorresse tal popularização. Para isso, buscou-se saber quantos dos respondentes possuem câmera digital.

Nota-se que a maior parte dos respondentes (74%) possui câmeras digitais. Dessa forma, observa-se certa “hegemonia” dos equipamentos digitais em relação aos analógicos, podendo-se, assim, afirmar que o advento do equipamento digital teve grande peso na popularização da fotografia. No entanto, deve-se notar, ainda, que há aqueles que possuem tanto o equipamento analógico quanto o digital, ou até mesmo, apenas o analógico. Sendo assim, pode-se cogitar que, da mesma forma como a pintura não se extinguiu com o advento da fotografia, é possível que a fotografia analógica coexista com os processos digitais.

Depois de observado que grande parte dos entrevistados tem acesso ao aparelho fotográfico, procurou-se compreender a visão dos respondentes quanto ao papel desempenhado pela fotografia na sociedade. As opiniões quanto ao assunto mostraram-se bastante divergentes.

Nota-se que grande parte das respostas voltou-se ao caráter de registro ou recordação/ memória, contrapondo-se a uma minoria que relaciona a fotografia a um meio de expressão de pensamentos. Tal fato traz à luz a questão de que a fotografia é ainda encarada, pela maior parte da sociedade, como depositária da função lhe foi concedida em seus primórdios, ou seja, a de retratação fidedigna do “mundo real”.

Também se buscou descobrir qual a opinião dos leigos entrevistados em relação à possibilidade da fotografia tornar-se obsoleta e, consequentemente, de ser substituída por outras mídias.

Nesse caso, a maioria, ou seja, 80% considera que a fotografia não virá a ser substituída por outras mídias, o que contrasta com a opinião de alguns autores citados anteriormente.

Sabendo-se que a sociedade acredita ser a fotografia uma forma de comunicação visual relevante, que não vai ser extinta, buscou-se então compreender a visão que esta tem em relação à função do próprio fotógrafo.

Ao contrário do que se esperava no início da presente pesquisa, grande parte dos leigos entrevistados (83%) considera o papel do fotógrafo de significativa importância, atribuindo-lhe a tarefa de informar, testemunhar, registrar e provocar, na sociedade, reflexões sobre o assunto fotografado. Essa atribuição confere ao autor das fotografias grande valor perante a sociedade, pois esse deixa de ser apenas alguém responsável por registros, para tornar-se influenciador de opiniões. O fotógrafo não é considerado, assim, apenas como o responsável pelo disparo do botão de uma câmera fotográfica.

Como foi mencionado anteriormente, este estudo buscou não restringir-se apenas à opinião da população leiga quanto ao processo evolutivo da fotografia, mas procurou refletir também sobre a visão dos profissionais da área.

Levando em conta o atual “fácil” acesso aos equipamentos fotográficos na sociedade, primeiramente, questionou-se a opinião dos fotógrafos acerca das diferenças entre os profissionais e os amadores em relação à fotografia. Constatou-se que, para eles, o maior fator de distinção entre o amador e o profissional é a exclusividade em relação à atividade fotográfica.

Sobre esse assunto, o entrevistado número 01 considera que fotógrafo profissional é aquele que sobrevive da atividade fotográfica. O entrevistado número 02 compartilha da mesma linha de pensamento, ao afirmar que o profissional vive da fotografia, e o amador fotografa simplesmente por prazer.

Em resposta ao questionário, contrariando o senso comum, o entrevistado número 03 defende que, por vezes, a produção fotográfica do amador pode superar a do profissional, em certos aspectos ao afirmar que a única diferença entre eles é que um vive, profissionalmente, da fotografia e o outro não. Muitas vezes, por não ter o compromisso de ter que vender a foto, o fotógrafo amador dá mais espaço para a experimentação, para ouvir suas convicções e pode desenvolver trabalhos mais conscientes, sem as “ditaduras do mercado profissional”. O entrevistado número 10 segue um raciocínio diferente do defendido pelos demais entrevistados, ao afirmar que não é a “quantidade de fotos” ou “quantos anos”, muito menos o “equipamento” que definem o profissional. Existem alguns detalhes que não se aprende em livros, quanto menos sozinho. É a troca de informações que pode acelerar a evolução da técnica e qualidade.

Os equipamentos fotográficos vêm evoluindo espantosamente nas últimas décadas. As câmeras digitais mostram-se cada vez mais compactas e com custos de produção reduzidos. Como consequência desse fenômeno, pode-se observar certa popularização da própria fotografia. Tendo isso em mente, objetivou-se considerar também o olhar