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A privacidade em extinção?

O FATO:

Vamos combinar seriamente desde o começo – PALAVRAS SÃO PALAVRAS, ESCRITAS OU FALADAS… e com todo respeito, PODEM SER CONTESTADAS. PARA IMAGENS, EM FORMA DE FOTOGRAFIAS OU VÍDEOS, SIM, CABEM O RECURSO DA DÚVIDA, MAS EM 99,99% DAS VEZES NÃO MENTEM PARA O NOSSO OLHAR.

Talvez a afirmativa acima explique o porquê de uma simples foto ser uma arma fatal para derrubar presidentes, ministros ou anunciar milhares de separações anualmente – a última mais famosa foi a de François Hollande, presidente da França e sua companheira Valerie Trierweiler. Há duas semanas, a revista de celebridades “Closer” divulgou fotos que disse ser de Hollande, usando um capacete de motociclista, chegando para visitar a atriz francesa Julie Gayet em encontros noturnos.

Os Vilões incontestes do poder têm mais medo de um celular ou câmera fotográfica que da justiça… Por que será? Simples… Como disse: é difícil contestar uma imagem, ainda mais quando ela nos desnuda por dentro e fala com nossa intimidade…

A CRONOLOGIA:

Em 1839, o francês Louis Jacques Mandé Daguerre – ou simplesmente DAGUERRE como é conhecido, apontou sua Câmera obscura para uma vista do Boulevard du Temple, em Paris e com o processo do daguerreótipo (patenteado por ele) foi capaz, apesar de muitos minutos de exposição à luz, de registrar além da encantadora cena, a primeira fotografia de uma pessoa na história – um homem que engraxava seus sapatos. Começava ali a derrocada da privacidade porque o homem retratado passou para história como um anônimo, sem saber que estava na foto… talvez pior que isso, sem saber que sua imagem havia sido roubada para ilustrar a primeira foto de uma rua.

Ao criar a primeira Câmera popular, a Brownie,em 1900 e vender por apenas um dólar mais de cem mil unidades no primeiro ano, George Eastman (futuro presidente da KODAK) pode ter criado também os primeiros paparazzi da história… afinal fotografar (O quê ou quem… não importava) tornou-se à época sinônimo de gente antenada, moderna – Diferente dos tempos atuais? Acho que não…

Sr. Adeusinho (Momento de Intimidade e Reflexão na Igreja de Rio Claro – Guarapari ES)
Sr. Adeusinho (Momento de Intimidade e Reflexão na Igreja de Rio Claro – Guarapari ES)

EVOLUÇÃO (!!!???)

Com o passar dos anos, a “PRIVACIDADE” que já tinha sofrido todos os tipos de ataques, com toneladas de imagens reveladas sem autorização, recebeu uma censura explícita da “INTIMIDADE”- Em 1997, Philippe Kahn que participava da equipe de desenvolvimento de um dos primeiros celulares com câmera enviou uma foto da sua filha, recém-nascida, para 2 mil amigos. De lá para cá, bilhões de imagens desse tipo circulam na internet… a um clique de nossos mouses e teclas de aparelhos celulares. O mesmo ocorreu ao presidenciável Eduardo Campos que divulgou a foto do seu filho, também um recém-nascido. Este foi mais além e divulgou no site do seu Governo em Pernambuco – o Público e o Privado numa versão do “TUDO JUNTO & MISTURADO”. A repercussão foi tanta que, após ser questionado pelo Jornal Folha de São Paulo, mandou retirar rapidamente do ar… (tempos de eleições…rs rs rs – Como se isso fizesse diferença, uma vez que a foto e o texto, supostamente de sua autoria, que acompanha a foto, circulam livremente pelas Redes Sociais…)

Não há como negar que a Humanidade evoluiu, que a Ciência criou ferramentas fantásticas para a melhoria da qualidade de vida do homem. Mas seria esta possibilidade de invasão de privacidade uma Evolução de fato? Estaria de acordo com aquela máxima de que “A nossa Liberdade começa onde termina a Liberdade do outro!”?

Hoje, com uma teleobjetiva eu posso flagrar qualquer pessoa sem que ela saiba, mas seriam éticas a divulgação e ampla exploração das imagens obtidas deste modo? A partir deste entendimento, várias podem ser as situações analisadas, como por exemplo: fotos de um fenômeno natural, um evento social, ou uma tragédia urbana… Existem as fotos jornalísticas, que darão a cobertura devida ao fato. Mas… mas… mas também as fotos sensacionalistas.

OS FILTROS – HISTÓRIAS OU ESTÓRIAS?

Interessante perceber que a regra que parece estar vigente hoje é: Foto Clicada, Foto Divulgada. Perdeu-se o “filtro”, perdeu-se o discernimento entre o certo e o errado, o fato e a fofoca, a história e a estória, o particular e o público.

A necessidade de exposição pessoal, vem transpondo estes limites discutidos aqui, pois, nos parece que o raciocínio vem a ser: “Se eu posso/quero/devo me expor, todos podem/querem/devem ser expostos.”

Estamos perdendo a razão entre o que objetiva um registro fotográfico: a emoção desse registro ou o sensacionalismo de sua divulgação?

Divulgar, por que foi clicado? Ou clicar para ser divulgado?!?!

PRESERVAR-SE É POSSÍVEL?

O jogador Adriano “o Imperador” reuniu os amigos para um churrasco, porém, mandou seus seguranças recolherem os celulares e câmeras fotográficas… tudo para garantir que nenhuma imagem seria divulgada. ATENÇÃO – Isso já faz parte da agenda de muitos eventos “privados”. Privados? (risos)… olhe a caneta fotográfica aí gente…!!! olha o relógio fotográfico aí gente…!!! opss… CADÊ O MEU GOOGLE GLASS…?!?!?! (risos)

UMA PERGUNTA SEM RESPOSTA?

Eu diria que a PRIVACIDADE ESTÁ EM EXTINÇÃO porque, num mundo onde todos querem estar “bem na fita”, é difícil ou quase impossível responder à pergunta a que me arrisco:

ONDE COMEÇA A PRIVACIDADE DE UM, E ONDE ACABA A LIBERDADE DO OUTRO??

Marcelo Moryan

MARCELO MORYAN é Publicitário, Designer, Escritor e Fotógrafo com 20 anos de experiência em Artes, Publicidade e Literatura. Atualmente desenvolve suas atividades com ênfase em "Arte multimídia", envolvendo estas Áreas.

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