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O lado ácido da fotografia: Prostituição fotográfica

via blog do PH  Nunez / facebook do Jão Vicente

Um amigo meu, o supracitado Jão Vicente, divulgou em seu perfil questionamentos sobre a prostituição fotográfica, com base em um texto de outro fotógrafo, PH Nunez, e em uma situação, segundo ele, bastante semelhante, que teve da parte dele, inclusive, a mesma atitude. Ponho aqui o texto original do PH e comentários do João, e mais breves palavras minhas para complementar.

Se alguém tiver mais comentários, links de textos/vídeos para acrescentar à discussão, fique à vontade — os comentários estão abertos!

Olá pessoal.

Como o meu site é de cunho pessoal, me sinto no direito e obrigação de tratar sobre um assunto que a muito tempo vem tirando minha paz. Se refere à banalização da fotografia. Mas eu prefiro usar o termo “prostituição fotográfica”. Pois é exatamente isso que tenho visto.  Há muito tempo que vários profissionais da área da imagem vem discutindo sobre esse tema. Seja por “fotógrafos” que divulgam em sites, como exemplo Peixe Urbano, book com 50 fotos por R$100,00.

Essa semana me deparei com um cidadão (cujo nome me recuso a divulgar) que estava oferecendo no Facebook um book com 15 fotos por nada mais nada menos que R$25,00 (vinte e cinco reais). É isso mesmo! Por esse motivo é que decidi me manifestar.

Eu não resisti e tive que escrever para o suposto “fotógrafo”. Primeiramente questionei qual equipamento ele utilizava para fazer o “trabalho” dele. Ele apenas me respondeu: “Minha camêra” (Sim, exatamente assim). Logo em seguida questionei se ele sabe o que é Obturador e Diafragma. Ele não se pronunciou mais, provavelmente estava no Google pesquisando. Enfim…

Depois eu pensei comigo: “Eu deveria esperar uma resposta coerente de alguém que cobra R$1,06 centavos por foto?”. No mínimo essa pessoa não fez faculdade; não gastou tempo estudando, praticando, aprendendo; não dispôs de dinheiro para investir em equipamento bom, em lentes claras e não sabe nem a teoria que está envolvida num “click” de uma câmera fotográfica. SE ele souber como funciona uma câmera. Sem falar que R$25,00  não paga nem o frete de qualquer equipamento que eu venha comprar.

Eu não estou aqui discutindo valores. Estou aqui para discutir a UTILIZAÇÃO da imagem; o PENSAR fotográfico; afinal de contas todo fotógrafo que se preze PENSA, OBSERVA antes de disparar um clique; pois fotografia é mais que um clique. Certamente essa pessoa não estudou Teoria da Imagem ou mesmo pagou cadeira de Laboratório ou Computação Gráfica; certamente não sabe quem foi Pierre Verger; Ansel Adams; Henri Cartier-Bresson, entre tantos outros.

A fotografia tem a faceta de DESTRUIR uma imagem, como bem tem o poder de fazer alguém se tornar LINDO. E esse é a diferença de um profissional e alguém que se intitula “Fotógrafo”. Vamos refletir a respeito disso. O melhor profissional não é aquele que cobra rios de dinheiro para fotografar; tampouco é aquele que cobra R$25,00 por um BOOK. Antes de contratar um PROFISSIONAL (ou alguém que se diz ser) analise seu portfolio, questione a formação, converse com seu fotógrafo, troque ideias. REFLITA sobre a imagem. Pois não é simplesmente sair apertando o dedo no botão da câmera.

Fazer o momento cego do fotógrafo valer a pena é para poucos. É preciso parar, pensar, analisar e fotografar.  (Quem realmente AMA a fotografia e se importa com o rumo em que ela caminha entenderá essa frase).

Atenciosamente,

P.H. Nunez.

Sobre os preços cada vez mais baixos, Jão Vicente comentou:

(…) Infelizmente estamos cheios de colegas “profissionais” que fazem isso, (ou parte) e vendem por R$29,90 seu trabalho.

“Ahh, é que estou começando agora, sou inferior, não tenho nome, não tenho tanto equipamentos assim.”

Resposta: A cerveja daquele bar “chechelento” e fedido custa o mesmo valor em um bar oficial da cerveja.

“Ahh, mas meu concorrente faz isso. “

R: Sim e daí? Você tem base do seu trabalho no preço do cara ao lado?

Então amigo(a), NÃO SE PROSTITUA! Pense em tudo que você ralou para conquistar no seu ramo profissional (Se é que Ralou).

Agora, você tem equipamentos maravilhosos, tem um belo estúdio, tem dinheiro, e se prostitui? MUDE DE PROFISSÃO! Seja um garoto(a) de programa. Afinal, você insiste em seguir esse ramo!

 

Particularmente acho que nem a desculpa de que faz com imenso prazer seu trabalho e o dinheiro não deve ser tão prioritário assim, que tal ouvir uma ex-profissional do ramo dos programas? (sim, falo de prostituição mesmo)

Vejam as palavras dela no Agora É Tarde, do humorista Danilo Gentili, aos 2:03, quando ele perguntou se ela já trabalhou por prazer: “Sempre. Eu nunca faço nada da minha vida sem sentir prazer” (veja a entrevista no final do artigo). E na mesma mesma entrevista ela confirma o que consta em um de seus livros e também no filme feito com sua história: um de seus locais de trabalho chamava-se “Vintão”, porque cada trabalho tinha o preço de R$ 20. Hmm, já sei que trabalho sugerir quando algum fotógrafo barateiro disser que está muito apertado, porque os clientes pagam uma mixaria!

Se quiser fazer de graça, faça por hobby, sem tomar lugar de profissionais. Se pretende trabalhar sem cobrar, leia este texto e pense se está fazendo a escolha conscientemente ou apenas deixando-se levar: 12 desculpas para fotografar de graça — e porque todas elas são falsas.

Um abraço!

Alexandre Maia

Clico, viajo, olho, analiso, converso, e repito — em qualquer ordem!

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