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Quando o vintage pode superar o atual 5/5 (1)

Você certamente já presenciou ou viu em algum filme americano, um aficionado por carros adquirindo um velho Mustang e reformando para ter um carro clássico e potente. Eles podem não ter a mesma dirigibilidade, segurança e conforto de um 0 KM, mas os chamados Muscle Cars  são inigualáveis em sua preciosidade de construção e design.

Agora você deve estar pensando que está lendo a coluna de uma revista errada, pois seu interesse é fotografia. Pois bem, então vamos falar das Muscle Lens.

Muscle-Lens

Você, proprietário de uma DSLR sabe o quanto são custosas as diversas objetivas que nós fotógrafos precisamos comprar para termos toda a abrangência de ângulos e diafragmas necessários, não é mesmo?

Mas existe uma forma, assim como nos Muscle Cars, de ter a satisfação da experiência fotográfica vintage e uma qualidade final muito boa ou excelente (dependendo da objetiva). Basta possuir uma objetiva mecânica de qualidade. Você poderá não ter as vantagens do estabilizador de imagem, dos vários pontos de foco automático, da fotometria direta e carregar um pouco mais de peso. Porém lucrará com uma qualidade ótica excelente e por vezes superior às atuais objetivas a um preço que chega a ser uma fração de uma nova (ao menos por enquanto).

Bem, perceba que será uma adaptação, e para que a mágica ocorra, na maioria das vezes, será necessário que você adquira junto com a sua “nova” e vintage objetiva mecânica um adaptador. Eles existem em vários modelos: para cada marca específica, cada tipo de montagem (rosca ou baioneta) e com sensores (para as objetivas não tão velhas) e sem sensores para as mais antiguinhas. Lembrando que nem toda objetiva irá se adaptar ao corpo de sua DSLR, por isso é imprescindível que você realize um boa pesquisa e, se possível, teste a objetiva em sua câmera antes de adquirir.

O que realmente importa em todas as objetivas são suas lentes ou seja, o “vidro” ou “cristal” por onde a luz passa e é moldada para chegar ao sensor. Saibam que a engenharia ótica já era bem avançada em meados do século passado e a maioria das objetivas daquela época já ofereciam resultados iguais ou superiores aos das objetivas atuais. Superiores mesmo, pois várias das objetivas atuais não utilizam mais cristal em suas lentes e sim polímeros de plástico. O estágio da obsolescência também não era igual aos dias atuais, e tínhamos produtos de qualidade vendidos mesmo nos kits para amadores. E aí está a razão de encontrarmos ainda hoje muitos produtos de altíssima qualidade.

Como já dissemos, a conexão entre a câmera e a objetiva se faz através de adaptadores, que imitam o encaixe da câmera original de um lado e do outro imitam o encaixe da câmera para a qual serão adaptadas. São encaixados entre a objetiva e a câmera. O encaixe destes adaptadores deve ser perfeito para que não cause danos à câmera nem à objetiva (nunca force um encaixe). Os melhores são aqueles sem elemento óptico, o que pode degradar a imagem perdendo assim o benefício do uso destas objetivas.

A lógica por trás da estratégia das objetivas vintage é simples: a física não muda. Objetivas profissionais dos anos 70 tinham lentes tão boas em sua concepção quanto as de hoje. Os maiores avanços na tecnologia foram em estabilização, autofoco e controle de flare, itens muito importantes para fotógrafos, mas dispensáveis em várias situações. Algumas das objetivas vintage são completamente manuais, ou seja, não há controle de abertura através da câmera, operação de foco ou fotometria (este pode ser um bom momento para adquirir e aprender a lidar com um fotômetro de mão ou tirá-lo do armário). Em compensação, tendem a ser construídas de metal e ter longos cursos de foco, o que as torna mais duráveis e apropriadas, principalmente para vídeos, do que muitas objetivas atuais.

As objetivas

Além da economia, as objetivas vintage oferecem opções estéticas. Elas possuem qualidades diferentes de flare, buquê, saturação e contraste que trazem um clima diferente à imagem captada.

Veja abaixo algumas objetivas disponíveis no mercado:

Zeiss Jena Flektogon 35mm f2.4

Zeiss Jena Flektogon 35mm f/2.4 – Bastante famosa pela saturação e buquê em close-ups, é sucesso de crítica tanto em câmeras crop quanto FF. Sua baixa distância focal mínima permite que seja usada para macro sem adaptadores.

Helios 58mm 44-2 (ou 44M) f2

Helios 58mm 44-2 (ou 44M) f/2 – Esta é uma objetiva russa fixa, clara, com o peculiar alcance de 58mm. Vinha de fábrica nas câmeras Zenith e por isso é facilmente encontrada. Os videomakers a apreciam pelo buquê em formato de túnel.

Super Takumar 50mm f1.4

Super Takumar 50mm f/1.4 – Também fixa, clara, leva o apelido de lente atômica porque emprega um elemento radioativo (em níveis seguros) no tratamento do vidro. Esse elemento se oxida, e quanto mais velha, a lente tende mais ao amarelo (alguns proprietários fazem limpeza para restaurar a cor original). Também possui anel de foco suave e baixo contraste, bom para conferir um clima old school.

Canon 85mm f1.2L FD

Canon 85mm f/1.2L FD – Se você não quer desembolsar US$2000 por essa objetiva em versão EF, que tal a versão FD pela metade do preço? Uma objetiva claríssima, ótima para retratos. A versão FD tem menos proteção a flare, menos nitidez (o que pode ser bom, especialmente para pele) e é toda manual.

Leica Elmarit-R 1.2,8 28mm

Leica Elmarit-R 1:2,8/28mm, Summicron-R 1:2/50mm, Macro-Elmar-R 1:4/100mm – Essas três são as mais faladas entre as Leica-R. Foram substituídas por versões mais modernas, mas o vidro ainda é de altíssima qualidade e comparativos modernos mostram que seu poder de resolução é alto mesmo na era do HD. São grandes, metálicas e confiáveis. Contraste e saturação lindos, e muitos falam em “look Leica”.

 

Mas nem tudo são flores. Devido à distância de montagem das lentes, algumas objetivas necessitam de adaptadores com elementos ópticos para fazer a correção e permitir o foco no infinito, o que normalmente degrada a qualidade de imagem já que os vidros destes adaptadores normalmente são de baixa qualidade.

Este é um dos motivos pelas quais a Nikon não aceita objetivas de nenhum outro tipo de montagem a não ser o próprio, ou com adaptadores com elementos ópticos. Mas sempre existiram diversas empresas que fabricaram, e ainda fabricam objetivas para encaixe Nikon, portanto não é um grande problema. Aproveite e dê uma olhada em uma extensa lista de objetivas e suas utilizações para diversos corpos no site da Nikon: https://support.nikon.com.br/app/answers/detail/a_id/17344/~/posso-utilizar-a-lente-da-minha-c%C3%A2mera-antiga-em-uma-nova-slr-digital%3F

Já a Canon aceita uma maior quantidade de objetivas e adaptadores.

Atenção

Ao pesquisar essas objetivas, tenha o cuidado de prestar atenção a seu estado de conservação, pois muitas têm mais de 40 anos. Preste atenção a riscos, amassados, problemas no curso dos anéis de foco e zoom (quando houver) e mofo. Outro detalhe que merece atenção é o modelo exato da objetiva. Existem muitas versões de cada design, que agregam letras (Ai, MC, E, etc) ao nome principal. Às vezes é algo que não traz diferença, mas também pode significar uma alteração substancial na qualidade das lentes. Assim como hoje, sempre existiram diferenças entre as objetivas top de linha e as mais populares.

As câmeras mirrorless também podem utilizar objetivas vintage de SLRs, desde que acompanhadas de seus respectivos adaptadores que são diferentes dos utilizados nas câmeras DSLRs.

Escrevo este artigo com a sensação de que não sou um teimoso fotógrafo old school que insiste em utilizar algumas de suas antigas objetivas na realização de seus trabalhos, pois ao pesquisar descobri que há hoje uma enorme legião de jovens fotógrafos fazendo o mesmo. Inclusive na área do cinema digital, pois as antigas objetivas mecânicas oferecem os videomakers e cinegrafistas uma melhor qualidade óptica e facilidade para suas focagens.

Então, se animou para testar as Muscle Lens. Se a resposta for sim corra, pois os preços estão subindo e alguns “espertos” já estão vendendo alguns modelos antigos a um valor mais alto do que as recém-saídas das fábricas.

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Fontes:

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  • Ralf Campos

    Boa tarte gente.
    Sou novo na fotografia com lentes manuais, mas já possuo várias, cada uma com uma característica própria. Mas gostaria de saber se aquelas etiquetas douradas que vêm com lentes antigas são referentes a Controle de Qualidade do fabricante ou teria outra explicação?
    Agradeço a atenção.
    Ralf

  • Luiz

    Sem contar com as Zuico da Olympus… minha 50 f/1,4 decada de 70 dá show na canon EF 50 1,4 "muderna"…

  • Hamilton

    Eu faço o curso de cinema e acabei de comprar minha terceira Takumar, 50mm 1.4, tenho 105mm 2.8 e 85mm 1.8, além de uma Vivitar 28mm 2.8. Não teria condições de ter esse leque de opções se fosse pagar o preço das lentes modernas.

  • AT.Guimaraes

    Alo Erico … gostei do artigo , mas voce apesar de ter citado as Nikkors , não falou de nenhuma delas em especial , como a 85 f 1.4 , 50 f 1.2 , 20 f 2.8 , são lentes prime de excelente qualidade otica . Tenho lentes com 40 anos de uso , impecaveis atualmente e das quais ainda me sirvo , tanto numa D7000 como em uma Df . Em relação às mirroless ,tenho uma Fuji XM1 , na qual uso 20mm , 28mm e a 50mm , acima disso o manuseio fora de um tripé fica muito dificil . Concordo inteiramente com voce que muitos dos novos fotografos e cinegrafistas estão descobrindo a qualidade indiscutivel das lentes antigas e se beneficiando dos benefícios dessa descoberta . Um abraco .

    • Olá AT. Guimarães. Sim, eu também tenho duas objetivas antigas Nikkors e outras marcas com baioneta Nikon que ainda me servem muito bem. Abraços e obrigado pelo comentário.

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