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Referência, um foco necessário 5/5 (2)

Tudo que fotografamos e criamos será que foi mesmo uma ideia única e exclusivamente nossa? Será que não fomos buscar, mesmo que inconscientemente, em algo que já olhamos, vivenciamos e já pesquisamos ou se trata de algo totalmente inexistente até o momento.

Acredito na primeira opção. Ou seja, após filtrar o que achou de bom e proveitoso  para você em suas referências resolveu colocar em prática, mas com seu estilo característico.

Não fazemos uma foto apenas com uma câmera; ao ato de fotografar trazemos todos os livros que lemos, os filmes que vimos, a música que ouvimos, as pessoas que amamos.Ansel Adams

Um dos argumentos contrários a esse pensamento se baseia na ideia que olhar referências e outros trabalhos pode “podar” seu processo criativo. Não concordo, pelo contrário. Creio que quanto mais enriquecermos nossa biblioteca de imagens melhor.

Impossível deletar tudo e formatar o “nosso hd” como se fosse uma máquina – cenas de filmes, do cotidiano que dariam uma bela imagem, livros…-. Então voltamos a questão do filtro que é muito particular de cada um. O que é bonito para você pode não ser para outra pessoa e vice-versa.

Desta maneira, vou citar algumas referências que me agradam muito e procuro colocar em prática (imagens a seguir de cada referência com uma tentativa minha)  conforme a circunstância e tipo de trabalho. Uma delas que me impressiona bastante é a do pintor italiano Caravaggio – considerado o primeiro representante do estilo barroco – pela nítida qualidade. Afinal, o controle sobre luz e sombra – fundamental para boas fotografias – que demonstra em suas obras é formidável.

Caravaggio: Luz e sombra

Outro que não posso deixar de citar é o austríaco Ernest Haas. Primeiramente pela coragem e iniciativa de procurar inovar e criar algo diferente, sair do lugar comum e isso já naquela época (entre 50 e 60). Inovações no uso das cores, imagens borradas e fora de foco, captura de formas abstratas que geravam resultados belíssimos –  Em 1958 foi considerado um dos dez melhores fotógrafos no mundo pela revista  Popular Photography.

Ernest Hass: cor, enquadramento, cenário

Antes do terceiro nome já adianto e concordo que: quantidade não é qualidade. Pois bem, me refiro a Stanley Kubrick (diretor, roteirista e produtor de cinema americano), que fez 13 filmes ao longo dos seus 46 anos de trabalho. Sim, número pequeno se compararmos com números de outros diretores. Mas o principal motivo, entendo assim, foi o perfeccionismo de Kubrick. Detalhes, sempre eles, mas que no final fazem toda a diferença.

Stanley Kubrick: ponto de fuga

Se notarmos nas cenas de suas direções iremos perceber o constante uso do ponto de fuga nelas. Qual o objetivo disso? Talvez o de “puxar” o telespectador para dentro da cena (opinião particular), mas o fato que não é por acaso o uso de técnicas como essa

Por fim cito um filme que fui atrás após me despertar a curiosidade entre outros  indicados pelo fotógrafo, cinegrafista e colunista do Fotografia DG Armando Vernaglia Junior: O Conformista, do diretor Bernardo Bertolucci, com direção e fotografia de Vittorio Storaro.

“Apenas” por isso já vale a pena. Preste atenção nas variadas formas de enquadramento que são utilizadas. Ou seja, tudo pode, desde que tenha um por que, um objetivo… vai totalmente contra ao politicamente correto de fazer imagens apenas verticais e horizontais, por exemplo.

Bernardo Bertolucci: cena inclinada

Por que não um enquadramento diagonal. Uma sequência do filme ilustra bem isso e principalmente pelo motivo e não apenas por querer fazer algo diferente, pois a intenção é ressaltar a psique e momento conturbados do personagem.

Por isso tudo reafirmo o quanto é válido olhar, pesquisar, assistir e ter referências. Não se limite e fique preso a regras, dê liberdade para suas ideias e coloque em prática. Bons cliques !!!

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Dennis Calçada

Fotógrafo, designer, jornalista e natural de Santos/SP. 1998, ano que começou o amor pela fotografia na faculdade de jornalismo, concluída em 2001. Registrar e criar imagens definitivamente são minhas paixões. Na graduação em Produção Multimídia me especializei em design gráfico e criação de logotipos. Adepto e cada vez mais ciente que menos é mais. Me fascina também a mistura entre os opostos: imagem e texto; rústico e moderno; colorido e preto e branco; retas e curvas.

9 Comentários

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  • Bom dia, Rafael. Obrigado pela leitura do artigo, mesmo caindo de para-quedas,e agora espero que retorne sempre para compartilhar comentários e ideias. Isso é sempre muito bacana. Sim, a deia é sempre instigar pela pesquisa e conhecimento. O importante é sempre buscar mais conhecimento e referência em outras áreas também, Isso é fundamental, principalmente na fotografia…
    Obrigado pelo convite. Certeza que passarei pelo blog. Abraço!

  • Olá, Denis! Eis que caí de para-quedas nesse teu texto. Não sei nem como vc conseguiu analisar um argumento contrário a ter referências, mas que bom que conseguiu ( e principalmente que discordou! :P ). Já que você citou uma série de referências não fotográficas para apurar o olhar e, mais importante que isso, a mente, quero te dizer que criei um blog para estudar história da arte e analisar obras (tanto no contexto histórico, quanto no estético)… Sinta-se (você e quem mais estiver lendo isso aqui) convidado a visitar o site e debater com a gente! Aqui segue um exemplo do tipo de discussão que gostaríamos de travar no blog: http://abstracaocoletiva.com.br/2012/10/26/neocla… Abraços a todos!

  • Olá, inovação não significa fazer algo totalmente novo, mas, muitas vezes, transformar o que conhecemos em inovação através de pequenas mudanças que dão novo significado as coisas criando novas funcionalidades, melhorando a estética e etc. Muitos inovaram na fotografia, mas estavam fotografando.

    Deixei um link do Flickr de fotos noturnas que produzi e julgo serem muito singulares

      • Olá João, primeiro obrigado pela leitura, fico contente. Sim, concordo e foi o que procurei passar. Inovar, procurar mudanças no seu trabalho é válido e necessário, principalmente com base em uma referência. Como você disse, " inovação não significa fazer algo totalmente novo", tanto que indaguei esta questão no primeiro parágrafo " Tudo que fotografamos e criamos será que foi mesmo uma ideia única e exclusivamente nossa? Será que não fomos buscar, mesmo que inconscientemente, em algo que já olhamos, vivenciamos e já pesquisamos…" Grande abraço e bons cliques!

  • Obrigado pela menção Dennis! Fico feliz que tenha gostado do filme e que tenha se tornado uma referência para você.
    Grande abraço!

    • Imagina Vernaglia, nada mais justo. Sempre ótimas as referências e dicas que você compartilha e indica. Grande abraço!!!

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