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Uma apresentação, e vamos falar sobre flashes TTL 5/5 (1)

Olá a todos os leitores e amigos do Fotografia DG, é com grande alegria e orgulho que inauguro minha participação por aqui. Em meus artigos falarei um pouco sobre técnica fotográfica mas também sobre outros assuntos como composição, estética, fotografia de cinema, grandes fotógrafos e outros temas. Começo com algo que ao mesmo tempo é parte da minha história como profissional e refere-se à técnica no uso de flashes dedicados em modo TTL.

Por volta do ano 2001 tomei uma decisão arriscada, a de substituir meus flashes tradicionais de estúdio por flashes compactos dedicados. Por trás da decisão estava o fato de eu não aguentar mais ir a um local fotografar carregando um caminhão de equipamentos. Além disso eu acreditava que investir em tecnologias modernas poderia trazer benefícios para meu trabalho, tanto financeiros quanto na qualidade de minha fotografia.

Lá se vão quase dez anos e desde então não fiz uma única foto com flashes tradicionais de estúdio, e devo dizer que não senti falta deles em nenhum momento pois a verdade é que não há nada que não possa ser feito com um ou outro sistema. Mas os métodos e técnicas a serem utilizados serão completamente diferentes e é disso que começamos a falar.

A maior vantagem de trabalhar com flashes dedicados é a portabilidade, você pode levar 4 ou 5 unidades dentro de uma pequena mochila e assim ter um conjunto de iluminação potente e versátil ocupando pouco espaço. Outra característica positiva é a independência de fontes de energia externas, não importa onde você esteja, não dependerá da rede elétrica para acionar sua luz.

Se por um lado há vantagens significativas como as acima citadas, por outro há uma lista grande de desvantagens, todas contornáveis com alguma criatividade e principalmente com muito estudo.

A primeira e mais óbvia diferença é a mudança técnica. Com flashes de estúdio é quase obrigatório trabalhar com um bom fotômetro de mão. Tendo ele e algum conhecimento, chega a ser simples fazer um trabalho básico de iluminação. Já com flashes dedicados o fotógrafo irá trabalhar com o sistema TTL que é uma forma automatizada de controlar os flashes pela câmera. Todo o processo de controle da luz se torna muito diferente.

No sistema tradicional o fotógrafo mede a luz com o fotômetro de mão e toma decisões sobre a potência dos flashes conforme o valor de diafragma que deseja atingir. É mais ou menos assim, você decide a abertura necessária para a fotografia do objeto, por exemplo, f16, para ter boa profundidade de campo, e opta por f22 para o fundo para que saia branco e limpo. Para isso bastava dar mais carga de potência nos flashes que iluminam o fundo e conferir os dados com o fotômetro de mão.

No sistema dedicado é preciso separar os flashes em grupos e trabalhar a razão de potência entre eles para determinar o que serão as áreas mais claras ou escuras e com a compensação de exposição deixar a potência dos flashes mais forte ou fraca, é um princípio diferente e que muitos fotógrafos têm dificuldade em se adaptar. Você decide o diafragma enquanto o TTL se vira para calcular a potência, aí você ajusta a força na compensação, e faz a distribuição entre claro e escuro separando os flashes em grupos que terão uma razão de potência entre si. Confuso? De fato é, mas nada que estudo e treino não resolva.

Havia outra diferença que vem sendo eliminada: a facilidade de obter luz suave. Sempre houve uma enormidade de acessórios para flashes de estúdio e só recentemente vemos aumentar a oferta destes para flashes dedicados, mas com paciência é possível encontrar boas soluções ou construir os seus próprios acessórios, algo que faço com frequência.

Por fim, aquela que talvez seja a maior desvantagem do sistema dedicado: ausência de luz guia. O flash tradicional fica com a lâmpada guia acesa, mostrando para o fotógrafo a direção e dureza das sombras tornando o trabalho de iluminar bem fácil. O sistema dedicado tem apenas uma forma limitada de prever essas sombras obrigando o fotógrafo a treinar e estudar mais para saber de antemão como iluminar, além de fazer pré fotos para realizar o ajuste fino do posicionamento das luzes.

Em resumo, é mais simples iluminar com flashes tradicionais mas apesar das diferenças aparentemente favoráveis a esse sistema, digo que nunca voltaria a ele. Pode ser mais fácil e previsível mas a portabilidade e praticidade do sistema TTL fazem a balança pesar fortemente para a tecnologia moderna. Além disso, por ser mais difícil de controlar, o processo de utilização obrigou-me a estudar mais e com certeza sou um melhor fotógrafo do que eu era graças a isso.

Ilustro este artigo com duas fotos. A taça com tinta vermelha fiz em 2003, ainda com uma câmera compacta Canon G2 e 3 flashes da mesma marca, modelos 550EX e 420EX. A do vinho fiz recentemente com câmera Canon 30D e flashes 580EX.

[]’s

Armando Vernaglia Jr
E-mail: [email protected]
Site: www.vernaglia.com.br
Blog: armandovernaglia.wordpress.com
Twitter: @VernagliaJr

O Fotografia DG não se responsabiliza pelas opiniões emitidas
e imagens divulgadas pelos seus Colunistas”.

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Armando Vernaglia Jr

Armando Vernaglia Jr tem mais de dez anos de experiência como fotógrafo publicitário e diretor de arte. Graduado em Publicidade e Propaganda e especializado em Comunicação Organizacional, é também professor de fotografia e palestrante. Seu trabalho pode ser conhecido em seu site - www.vernaglia.com.br . E você também pode seguí-lo no Twitter @VernagliaJr

15 Comentários

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  • armando, cá estou eu agora pesquisando alternativas para eu fazer uso de flash remoto sem fio e me lembrei deste seu artigo aqui…

    foi ótimo lê-lo, tanto no artigo quanto nos comentários. Mas creio que pela época de publicação do artigo faltou falar do Radio Popper! Podes retomar, então, este assunto e falar sobre ele, até pra complementar o review sobre o Cactus V5 publicado dia desses aqui no DG?

  • Olá Giselle. Se você for trabalhar com um flash apenas, o 430EX é ótimo, tem potência suficiente, é leve e compacto. Se quiser trabalhar com múltiplos flashes, ele não serve pois não tem capacidade de comando sobre outros flashes. Para ter comando sobre vários flashes você tem como opções o transmissor STE2 da Canon, o flash 580EX II ou a câmera Canon 7D, que comanda flashes remotamente sem precisar de transmissor.
    Considerando sua câmera, pode comprar tranquila o 430EX, num futuro, quando for expandir seu equipamento, aí pense no 580EX para ter dois flashes, sendo que o 430 passará a ser comandado a distância pelo 580.
    []’s
    Armando

  • oi, muito bom o post ;D

    queria uma dica ^^

    tenho uma canon xsi, estou pensando em comprar um flash 430EX II, queria saber se é um bom flash ou estou pisando na bola? o/

  • Olá Fernando! Obrigado pelo comentário e elogio.

    De fato eu gosto de ensinar, tanto que há mais de dez anos separo uma parte do meu tempo para dar aulas. Não sei se podemos dizer que é a maioria que pensa desta forma, ainda há bastante gente que se recusa a passar o que sabe com medo de concorrência, mas no mercado de fotografia atual, conhecimento está disponível, fácil, não é mais isso que garante o trabalho como era no passado, então não vejo por que não passar adiante o que sabemos.

    Grande abraço,

    Armando

  • Olá, Armando! Além de excelente fotógrafo, vc é um maravilhoso professor e mostra como os brasileiros funcionam em termos de troca de idéias, informações, dinâmicas, processos, …, enfim, tudo o que se refira à FotoPedagogia. Seu post é muito bem escrito, claro e um verdadeiro manual sobre o assunto. Recebi a newsletter do Diogo e fiquei muito feliz ao ver, também, que há um outro "Monstro Sagrado" na conversa, a quem respeito muito, o Pepe Melega que dispensa apresentações para aqueles que conhecem a boa fotografia. Foi mais uma prova daquilo que vinha comentando com o jovem Diogo Guerreiro lá no comecinho quando ainda a comunidade fotodgniana era pequenina … "os brasileiros adoram ensinar!" Grande abraço, meu!!!! :-)

  • Olá Pepe. Bom saber disso, é um sinal de que o caminho é esse mesmo. Inclusive há modelos do Pocket Wizard que trabalham em E-TTL II.

    Olá Igor, obrigado pelas boas vindas. Sempre é possível trabalhar em sistema manual e aí há vários métodos:

    1 – Trabalhar sincronizando tudo com um fotômetro de mão, assim como num estúdio tradicional, aí você ajusta carga dos flashes também da mesma forma, baseado em valores de diafragma que você queira atingir em cada área da foto;

    2 – Trabalhar baseado no número guia dos flashes, o que é BEM mais complicado. Você tem que usar a velha conta NG = diafragma x distância, lembrando sempre que o número guia varia com a posição do zoom do flash;

    3 – Por tentativa e erro, posicionar os flashes, colocar todos numa determinada carga, fazer uma foto e ajustar a partir dela, fazendo assim, em geral, se você conhece bem o que usa, em geral depois de 3 ajustes você tem a luz pronta.

    O ponto aqui para definir o que fazer depende de você, se você está acostumado a iluminar com base em número guia, é um jeito preciso de trabalhar, eu já fiz muito e funciona, mas quem Não está acostumado irá sofrer de tanto fazer conta e acabrá preferindo fazer por tentativa e erro, que mesmo não sendo um "método", acaba chegando num resultado no final. O melhor mesmo seria o fotômetro de mão nesse caso, pluga o cabo de sincronismo nele, dispara tudo e ajusta da forma como é feito em estúdio normal.

    Pessoalmente, prefiro TTL, A Nikon tem alternativas interessantes, trabalha em grupos A/B/C e razão de potência entre eles, igual ao Canon, 99 em cada 100 fotos minhas eu uso o TTL, só casos muito complicados e que o TTL não tenha como ser usado eu uso fotômetro de mão.

  • Olá Pepe, obrigado pela visita e comentário. Eu também gosto dos Pocket Wizard, mas em muitos casos acabo preferindo trabalhar em TTL com o sistema Canon mesmo, ainda mais com a 7D, que não precisa de transmissor, muito prático r rápido de ajustar o sistema todo. Dá para usar medição pontual onde quiser e ter uma boa precisão. Creio que no futuro mesmo os flashes de estúdio terão que de alguma forma conseguir trabalhar com sistemas TTL das câmeras para serem competitivos com os 580EX, SB900 etc…

  • Armando, seja bem vindo ao FotografiaDG, maravilhoso seu texto e também suas fotos. Eu me tornei strobista e me apaixonei pelo mundo dos flashes dedicados, só que diferente de voce, por usar o cactus como rádio para disparo remoto, eu uso em modo manual, e não TTL. Vale muito a pena falar sobre essa opção também.
    Eu comprei mais um sb800, e com isso estou me acostumando com o TTL usando um sb800 como master e outro como slave, o que ajuda muito nessa leitura de pre-flash e TTL.
    Parabens mais uma vez pelo texto. abraço

  • Olá Diogo, obrigado pelo espaço e pelas boas vindas. Aproveito para deixar uma pequena correção sobre meu próprio artigo. No final eu cito "taça com tinta vermelha", na verdade o que vemos são as taças com tintas verde e amarela, a versão original foi feita com tinta vermelha, essa versão verde/amarela foi editada em 2005. Foi falha minha, desculpem.

    Grande abraço a todos.

  • Um boa orientação, sou muito favorável ao uso de flash portáteis em minhas necessidades e muitas vezes uso com a tecnologia TTL. Quando há tempo – still e arquitetura de interior são casos, prefiro trabalhar em manual fazendo o calculo das necessidades. Os novos rádios da Pocket Wizard Mini TT1 e Flex TT5 surpreenderam pela precisão e hoje somam-se como opção ao controle STE2 da Canon para quando desejo maior distancia ou esconder um ponto de luz que seria impedido de ser acionado por IR. Tenho usado os 580 EX II, muito pela entrada PC fundamental para usar meu outro sistema de disparo baseado nos Pocket Wizard Plus II. Obrigado por compartilhar sua experiência.Abs

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