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Uma apresentação, e vamos falar sobre flashes TTL 5/5 (4)

Olá a todos os leitores e amigos do Fotografia DG, é com grande alegria e orgulho que inauguro minha participação por aqui. Em meus artigos falarei um pouco sobre técnica fotográfica mas também sobre outros assuntos como composição, estética, fotografia de cinema, grandes fotógrafos e outros temas. Começo com algo que ao mesmo tempo é parte da minha história como profissional e refere-se à técnica no uso de flashes dedicados em modo TTL.

Por volta do ano 2001 tomei uma decisão arriscada, a de substituir meus flashes tradicionais de estúdio por flashes compactos dedicados. Por trás da decisão estava o fato de eu não aguentar mais ir a um local fotografar carregando um caminhão de equipamentos. Além disso eu acreditava que investir em tecnologias modernas poderia trazer benefícios para meu trabalho, tanto financeiros quanto na qualidade de minha fotografia.

Lá se vão quase dez anos e desde então não fiz uma única foto com flashes tradicionais de estúdio, e devo dizer que não senti falta deles em nenhum momento pois a verdade é que não há nada que não possa ser feito com um ou outro sistema. Mas os métodos e técnicas a serem utilizados serão completamente diferentes e é disso que começamos a falar.

A maior vantagem de trabalhar com flashes dedicados é a portabilidade, você pode levar 4 ou 5 unidades dentro de uma pequena mochila e assim ter um conjunto de iluminação potente e versátil ocupando pouco espaço. Outra característica positiva é a independência de fontes de energia externas, não importa onde você esteja, não dependerá da rede elétrica para acionar sua luz.

Se por um lado há vantagens significativas como as acima citadas, por outro há uma lista grande de desvantagens, todas contornáveis com alguma criatividade e principalmente com muito estudo.

A primeira e mais óbvia diferença é a mudança técnica. Com flashes de estúdio é quase obrigatório trabalhar com um bom fotômetro de mão. Tendo ele e algum conhecimento, chega a ser simples fazer um trabalho básico de iluminação. Já com flashes dedicados o fotógrafo irá trabalhar com o sistema TTL que é uma forma automatizada de controlar os flashes pela câmera. Todo o processo de controle da luz se torna muito diferente.

No sistema tradicional o fotógrafo mede a luz com o fotômetro de mão e toma decisões sobre a potência dos flashes conforme o valor de diafragma que deseja atingir. É mais ou menos assim, você decide a abertura necessária para a fotografia do objeto, por exemplo, f16, para ter boa profundidade de campo, e opta por f22 para o fundo para que saia branco e limpo. Para isso bastava dar mais carga de potência nos flashes que iluminam o fundo e conferir os dados com o fotômetro de mão.

No sistema dedicado é preciso separar os flashes em grupos e trabalhar a razão de potência entre eles para determinar o que serão as áreas mais claras ou escuras e com a compensação de exposição deixar a potência dos flashes mais forte ou fraca, é um princípio diferente e que muitos fotógrafos têm dificuldade em se adaptar. Você decide o diafragma enquanto o TTL se vira para calcular a potência, aí você ajusta a força na compensação, e faz a distribuição entre claro e escuro separando os flashes em grupos que terão uma razão de potência entre si. Confuso? De fato é, mas nada que estudo e treino não resolva.

Havia outra diferença que vem sendo eliminada: a facilidade de obter luz suave. Sempre houve uma enormidade de acessórios para flashes de estúdio e só recentemente vemos aumentar a oferta destes para flashes dedicados, mas com paciência é possível encontrar boas soluções ou construir os seus próprios acessórios, algo que faço com frequência.

Por fim, aquela que talvez seja a maior desvantagem do sistema dedicado: ausência de luz guia. O flash tradicional fica com a lâmpada guia acesa, mostrando para o fotógrafo a direção e dureza das sombras tornando o trabalho de iluminar bem fácil. O sistema dedicado tem apenas uma forma limitada de prever essas sombras obrigando o fotógrafo a treinar e estudar mais para saber de antemão como iluminar, além de fazer pré fotos para realizar o ajuste fino do posicionamento das luzes.

Em resumo, é mais simples iluminar com flashes tradicionais mas apesar das diferenças aparentemente favoráveis a esse sistema, digo que nunca voltaria a ele. Pode ser mais fácil e previsível mas a portabilidade e praticidade do sistema TTL fazem a balança pesar fortemente para a tecnologia moderna. Além disso, por ser mais difícil de controlar, o processo de utilização obrigou-me a estudar mais e com certeza sou um melhor fotógrafo do que eu era graças a isso.

Ilustro este artigo com duas fotos. A taça com tinta vermelha fiz em 2003, ainda com uma câmera compacta Canon G2 e 3 flashes da mesma marca, modelos 550EX e 420EX. A do vinho fiz recentemente com câmera Canon 30D e flashes 580EX.

[]’s

Armando Vernaglia Jr
E-mail: [email protected]
Site: www.vernaglia.com.br
Blog: armandovernaglia.wordpress.com
Twitter: @VernagliaJr

O Fotografia DG não se responsabiliza pelas opiniões emitidas
e imagens divulgadas pelos seus Colunistas”.

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Armando Vernaglia Jr

Armando Vernaglia Jr tem mais de dez anos de experiência como fotógrafo publicitário e diretor de arte. Graduado em Publicidade e Propaganda e especializado em Comunicação Organizacional, é também professor de fotografia e palestrante. Seu trabalho pode ser conhecido em seu site - www.vernaglia.com.br . E você também pode seguí-lo no Twitter @VernagliaJr

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