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16 dicas para fotografia noturna de paisagem e natureza 4.6/5 (15)

Pessoalmente, acho fotografia noturna incrível! Quando falamos em fotografia noturna de natureza então, as recompensas são imensas e deliciosas. Ela te permite criar imagens que o próprio olho humano não é capaz de ver. Observar a movimentação das estrelas, fazer a noite clara como dia, congelar relâmpagos. Cenas que, não fosse por uma câmera, o homem jamais conheceria. E, mais do que isso, ela exige que o fotógrafo se relacione com a natureza, possibilitando uma série de experiências físicas e artísticas muito especiais. Pra mim, passar algumas horas na mata fotografando vagalumes, por exemplo, é uma atividade que me mobiliza e transforma por inteiro. Assim, eu espero poder compartilhar com vocês algo da experiência e do aprendizado que eu tive até aqui.

Você tem uma câmera com a opção de controlar manualmente a velocidade do obturador? Disposição, curiosidade e vontade de fotografar a noite? Bora cair no mundo e fotografar! Ficam ai 16 dicas pra te ajudar a começar!

1 – Modo manual sempre!

Fogueira. Canon 5D Mark II, Canon 50mm. f/5.6, 2 seg, ISO 500.

Esqueça todos os modos automáticos da sua câmera. Fotografia noturna vai te exigir usar o modo manual sempre! Também recomendo fotografar em RAW. Assim você retém mais informação na sua foto, o que será especialmente útil na hora de ajustar o balanço de branco e fazer correções durante a edição.

2 – Atenção à velocidade do obturador!

Bastidores do filme “Água Suja”. Canon 5D Mark II, Rokinon 14mm. f5.6, 13 seg, ISO 640.

A principal característica técnica da fotografia noturna é o uso de baixas velocidades de obturador – ou longas exposições. Quanto mais tempo de exposição, mais luz o sensor da câmera vai absorver e mais clara a foto ficará. Como as paisagens noturnas em geral tem pouca luz, isso te obrigada a usar tempos de exposição muito maiores do que a fotografia convencional. Mantenha isso em mente e aos poucos vá descobrindo como o tempo de exposição influencia na foto. Eu daria apenas uma recomendação: evite fotos com mais de 30 segundos de exposição! A partir de 30 segundos a taxa de ruído aumenta consideravelmente, assim como as chances de algo estragar a sua foto, como você esbarrar no tripé ou alguma luz forte acertar a lente.

3 – Abertura de diafragma e ISO.

Praia do Félix. Canon 5D Mark II, Canon 24-105mm (24mm). f/4, 60 seg, ISO 640.

Fotografia de paisagem tem uma recomendação básica: privilegie usar o maior f possível; ou, em outras palavras, feche ao máximo o obturador da sua câmera. Isso aumenta o campo de foco e a nitidez da foto. No entanto, nem sempre isso será possível em fotografia noturna. Comece com valores mais baixos como 2.8 e 4 e vá subindo até 8 ou 11, se possível. Já a ISO, também vale a recomendação padrão: tente manter a ISO em valores baixos.

No entanto, essas recomendações podem – e devem – ser quebradas em muitos casos. Mais do que uma formalidade técnica, a fotografia diz respeito à experimentar novas formas de expressar uma ideia ou percepção sobre algo.

4 – Balanço de branco.

Estrada com estrelas. Canon 5D Mark II, Rokinon 14mm. f/2.8, 30 seg, ISO 1.600.
Estrada com estrelas. Canon 5D Mark II, Rokinon 14mm. f/2.8, 30 seg, ISO 1.600.

 

A escolha do balanço de branco deverá levar em conta dois fatores: a presença de luzes artificiais na cena e o estágio da lua. Ao nascer a lua emite uma luz mais quente do que quando está a pino no céu, por exemplo. Você vai ter de experimentar e ir checando a tonalidade das suas fotos. Em geral, os valores irão de 3.500 à 5.000 kelvin – do mais frio ao mais quente. Nas fotos acima você pode ver a diferença: a da esquerda está com 3550 kelvin e a da direita 2850 kelvin.

5 – Tripé é fundamental!

Bastidores do filme “Água Suja”. Canon 5D Mark II, Rokinon 14mm. f/2.8. 25 seg, ISO 1.600.
Bastidores do filme “Água Suja”. Canon 5D Mark II, Rokinon 14mm. f/2.8. 25 seg, ISO 1.600.

 

Tripé é essencial para que a foto não saia borrada. Se você tentar fazer a foto na mão ganhará apenas borrões. Se você não tem tripé ainda pode tentar posicionar a câmera no chão ou em outro objeto, mas isso vai limitar muito as suas possibilidades de enquadramento.

6 – Privilegie lentes angulares.

Auto-retrato com estrelas. Canon 500D, Canon 18mm-55mm (18mm). f/4.5, 30 seg, ISO 3.200. 
Auto-retrato com estrelas. Canon 500D, Canon 18mm-55mm (18mm). f/4.5, 30 seg, ISO 3.200.

 

Quanto mais angular, maior será o campo de visão da lente. Assim, você pode capturar mais da paisagem! A maior parte dos iniciantes começa na fotografia com uma 18-55mm. Ela já quebra o galho! A foto acima foi feita com uma Canon 500D e uma 18-55mm, por exemplo.

7 – Proteja-se!

Bastidores do filme “Água Suja”. GoPro Hero4. f/2.8, 5 seg, ISO 800.
Bastidores do filme “Água Suja”. GoPro Hero4. f/2.8, 5 seg, ISO 800.

 

Ande sempre acompanhado, não saia sem lanternas e muita atenção ao chão quando estiver andando na natureza; headlamps, aquelas lanternas que se fixam à cabeça são uma ótima pedida! Também é recomendável avisar alguém do horário e local que você vai fotografar. Prepare-se para o ambiente e leve o que for necessário: roupa de frio, repelente, água, calçado apropriado. Também é útil fazer uma check-list antes e depois das fotos, pra ter certeza que não esqueceu nem perdeu nada.

8 – Prepare-se para usar o foco manual.

Serra da Bocaina. Canon 5D Mark II, Rokinon 14mm. F/2.8, 30 seg, ISO 1.600.
Serra da Bocaina. Canon 5D Mark II, Rokinon 14mm. F/2.8, 30 seg, ISO 1.600.

 

Foco automático não funciona na grande maioria das fotografias noturnas de natureza. Simplesmente não há luz o bastante. Você tem duas opções. Primeira, usar a metragem de foco manual da sua lente: você tem de fazer uma estimativa da distância entre a câmera e o local a ser focado e marcar essa distância no anel de foco. Depois de fotografar sempre dê zoom na foto para ver se ela está nítida. A segunda opção, caso você tenha uma lanterna potente o bastante, é usá-la para iluminar o local e então focar.

9 – Formule uma ideia da foto na sua cabeça.

Muro de árvores, Praia do Félix, Ubatuba. f/5.6, 30 seg, ISO 1.600.
Muro de árvores, Praia do Félix, Ubatuba. f/5.6, 30 seg, ISO 1.600.

 

Imagine de antemão a foto que você quer fazer. Desenvolva uma história para a foto e construa o clima da imagem. Pense em quais os elementos existem naquela paisagem e como relacioná-los para chamar a atenção do seu público. Uma mesma paisagem pode ter um ar mágico ou sombria, confortável ou hostil, por exemplo. O que irá determinar isso é a sua intenção e criatividade! Muitas paisagens saem sem graça por serem banais e comuns, então lembre-se que não basta um cenário bonito. É preciso que você busque algo para dar personalidade e originalidade para a sua foto.

10 – Evite posicionar a linha do horizonte no meio da foto.

Espelho na Praia do Puruba. Canon 5D Mark II, Rokinon 14mm. f/2.8, 30 seg, ISO 1.600.
Espelho na Praia do Puruba. Canon 5D Mark II, Rokinon 14mm. f/2.8, 30 seg, ISO 1.600.

 

Essa é uma dica básica de toda foto de paisagem: coloque a linha do horizonte no terço inferior ou superior da foto. Em geral, ao posicionar a linha do horizonte exatamente no meio da foto criam-se composições mais quadradas e enfadonhas.

11 – Valorize objetos no primeiro plano.

Lua nascendo na Praia das Conchas. Canon 5D Mark II, Rokinon 14mm. f/5.6, 13 seg, ISO 640.
Lua nascendo na Praia das Conchas. Canon 5D Mark II, Rokinon 14mm. f/5.6, 13 seg, ISO 640.

 

Objetos no primeiro plano, mais próximos à lente, aumentam a noção de profundidade da imagem. A receita básica seria: objetos de destaque no primeiro plano / elementos da paisagem no segundo plano / céu ou horizonte ao fundo. Assim a sua fotografia ganha uma composição mais completa e harmônica.

12 – Adicione elementos humanos na fotografia.

Auto-retrato no mar. Canon 5D Mark II, 24-105mm (24mm). f/4, 30 seg, ISO 800.
Auto-retrato no mar. Canon 5D Mark II, 24-105mm (24mm). f/4, 30 seg, ISO 800.

 

Uma pessoa valoriza muito uma paisagem, pois cria uma identificação com àquele que vê a foto – o desejo de estar naquele local, por exemplo. Além disso, melhora as noções de espacialidade da imagem, dando uma ideia mais clara do tamanho da paisagem e seus elementos. Lembre-se que para manter pessoas nítidas na foto, você vai ter de pedir ao modelo para ficar parado pela duração do tempo de exposição da foto – do contrário a pessoa se torna um borrão. Privilegie poses naturais, para não cansar a pessoa, e avise-a ao começar a tirar a foto.

13 – Experimente usar luzes artificiais para iluminar a cena…

Escalador na Serra da Bocaina. Canon 5D Mark II, Rokinon 14mm. f2.8, 0,6 seg, ISO 1.600.
Escalador na Serra da Bocaina. Canon 5D Mark II, Rokinon 14mm. f2.8, 0,6 seg, ISO 1.600.

 

Você pode usar flashs, painéis de led ou lanternas. Em geral, você tem de ser sutil e harmonizar a exposição da luz que você produz com a luz natural do ambiente. Quanto mais tempo a lanterna fica ligada, por exemplo, mais clara a foto. Pense que você está pintando o local com a sua lanterna. Pouco a pouco você vai aprendendo como regular a intensidade, o movimento e a duração da luz para conseguir uma exposição correta. Se você tem um amigo para te ajudar, controle a câmera enquanto ele ilumina a cena. Se não, utilize o timer de 10 segundos para que você possa executar as duas funções.

14 – …e criar efeitos.

Passos na estrada. Canon 5D Mark II, Rokinon 14mm. f/2.8, 30 seg, ISO 1.600.
Passos na estrada. Canon 5D Mark II, Rokinon 14mm. f/2.8, 30 seg, ISO 1.600.

 

Você também pode criar uma série de efeitos com luzes artificiais. Isso se chama “lightpainting”, ou “pintar com a luz”. Mais pra frente discutiremos com mais profundidade o tema, mas até lá você pode experimentar pequenas brincadeiras com a sua lanterna e ir entendendo como a coisa funciona. Lembre-se que em fotos de exposição longa sempre que você liga uma luz na cena isso cria uma marca. Comece apontando uma lanterna de baixa intensidade ou um led em direção à lente e desenhe linhas, desenhos ou palavras.

15 – Explore diferentes tipos de enquadramento.

Estrelas e vagalumes. Canon 5D Mark II, Canon 50mm. f/2.2, 25 seg, ISO 640.
Estrelas e vagalumes. Canon 5D Mark II, Canon 50mm. f/2.2, 25 seg, ISO 640.

 

Nem sempre a melhor foto será feita com a câmera apontando para a linha do horizonte. Experimente variar os enquadramentos da sua foto, apontando a câmera para o chão ou para o alto, por exemplo.

16 – Por fim, dica de ouro para iniciantes: chegue ao local da foto antes do anoitecer.

Quietude na Praia do Félix. Canon 5D Mark II, Rokinon 14mm, f2.8, 30 seg, ISO 640.
Quietude na Praia do Félix. Canon 5D Mark II, Rokinon 14mm, f2.8, 30 seg, ISO 640.

 

Ao chegar antes do anoitecer você pode ver os detalhes da cena que vai fotografar e pode andar pelo local com segurança para escolher onde posicionar sua câmera e qual enquadramento fazer. Eu recomendo muitíssimo tomar um tempo para caminhar pelo local e observar os ângulos, antes mesmo de ligar a sua câmera. Se possível faça o foco enquanto há luz. Quando anoitecer o foco automático não irá funcionar e o foco manual pode ser uma tarefa penosa no início. Se você se prepara antes tem certeza que a foto estará bem enquadrada e nítida quando anoitecer! Experimente! Fotografia noturna é feita de erro e tentativa.

 

Espero que essas dicas sejam úteis e incentivem vocês à experimentarem a noite. Qualquer dúvida, curiosidade ou sugestão, deixe um comentário! Aqui embaixo vocês também encontram o meu email e a minha página. Caso vocês tenham gostado, volto para outros artigos e dicas: fotografia noturna urbana, como fotografar estrelas e vagalumes, lightpainting, retratos criativos e por ai vai. Abraços moçada!

*Algumas das fotos deste artigo são parte do filme “Água Suja”, em produção. Você pode conhecer mais em: www.facebook.com/aguasuja

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Yuji Kodato

Meu nome é Yuji, trampo com fotografia e audiovisual. Tô tentando compreender o mundo pelas imagens e criar movimentos pra alargar a vida. Experimentar as formas, conhecer as gentes, me embrenhar na terra. Pensar e andar pela câmera.

33 Comentários

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  • A cada artigo, a cada dica, a cada experiência relatada no “fotografia-dg”, me impressiono, parabéns Yuji pelo trabalho e parabéns Diogo pela iniciativa do Site!

  • Obrigada pelas dicas! Nem sei de quanto é este artigo, não olhei as datas, mas estou muito empolgada e feliz por ter a chance de aprender sobre fotografia noturna com minha lente ultra grande angular. Suas dicas serão importantes!
    Ah, eu queria te perguntar se você precisou calibrar o foco da Rokinon 14mm antes de usá-la. Obrigada!

  • Obrigada pelas dicas! Nem sei de quanto é este artigo, não olhei as datas, mas estou muito empolgada e feliz por ter a chance de aprender sobre fotografia noturna com minha lente ultra grande angular. Suas dicas serão importantes!

  • Espetacular, Yuji! Altas dicas! Só agradecendo!!!… Imagens belíssimas! Parabéns e grande abraço, Gilberto.

  • Só não concordo com a informação de que a menor abertura dê maior NITIDEZ à imagem. Menor abertura amplia a profundidade de campo.

  • Sou de Rondonópolis – Mt e temos uma associação de fotógrafos, gostaria de saber qual a possibilidade de você ministrar alguns dos seus tópicos em nossa cidade!?

  • Amei as dicas. Dicas muito importante, pois se fotografia é luz, fotografar no escuro é uma grande arte. OBRIGADO. Foi de grande proveito.

  • Parabéns Yuji, também gosto de clicar á noite, estou aprendendo a tirar fotos de estrelas,já que a Lua já se cansou de tanto eu tirar fotos dela, moro em Manaus, e um dia pretendo ir para um lugar do interior onde não tenha tanta claridade da cidade, para ver se consigo também tirar lindas fotos como as suas, abraços !

  • Sensacional Yuji, belas dicas dignas de constarem em revistas especializadas, já que as que já comprei achei um tanto inconssistentes, parabéns e grande abraço!

    • Obrigado pelo elogio Luceval. Fico feliz de poder partilhar das minhas experiências e conversar! Também sou um aprendiz e a gente evolui mais quando compartilha das coisas né? E tem muita revista meia boca por ai mesmo, que repetem o mesmo beabá bobo, sem discutir nada do que é fotografia em si, né?

      No que eu puder ajudar, é só mandar uma mensagem!

  • Yuji, bem legal o post, obrigado por compartilhar suas experiências e conhecimento!

    Adoro fotografia noturna em paisagens e realmente considero uma grande desafio conseguir um resultado satisfatório.

    Já experimentei tudo o que vc mencionou, mas na prática não obtive sucesso com a tal "dica do foco", como fazer o foco durante o anoitecer, quando ainda esta um pouco claro ou quando vc foca a sua ideia durante o dia mesmo e depois usa a medição para o lugar na noite escura. Pelo menos pra mim, nunca funcionou.
    Até prq durante o dia, se vc estiver em um local amplo, com o horizonte mais ao longe, a medição na lente ficará próxima ao infinito, e a noite isso simplesmente não funciona. Usando o foco no infinito em uma noite escura tudo fica desfocado, inclusive as estrelas.

    Pode ser só a minha lente, sei lá. Ainda não encontrei uma resposta concreta, nem na prática, nem em livros e textos da internet. Já cheguei a pensar que o problema para o desfoque em cenas muito escuras seja a própria falta de luz, uma vez que focando no infinito durante o dia ou durante uma noite de lua cheia a imagem fica nítida, já a mesma cena em noites mais escuras fica sofrível.

    Tenho me utilizado de uma técnica de fazer o foco utilizando o zoom da tela LCD baseado em uma estrela para o ajuste do mesmo, e tenho tido resultados bem melhores.

    Ainda outro detalhe que vc comentou preciso discordar, pois eu tenho tido resultados mais bonitos com tempos de exposição maiores do que 30 segundos, claro, utilizando o iso nativo ( 100 ).
    Em suma: prefiro uma exposição de 5 minutos com iso 100 do que 30 segundos com iso 1600, por exemplo.
    Nesse caso consigo utilizar até aberturas menores como f8, o que me garantem maior profundidade de campo.

    Mas, essas são as minhas impressões, estou as explanando para esclarecer dúvidas, não para desmerecer o teu artigo.

    • Raphael, desculpe a demora em te responder! Estava viajando e não tive acesso à internet com regularidade.

      Sobre a dica de fazer o foco pelo fim do dia, ela é voltada não apenas para fotografias do céu noturno, mas para paisagens em geral. Ajuda principalmente quando o seu enquadramento tem elementos no primeiro plano, como uma casa de fazenda ou uma floresta. E é uma dica voltada mais para aqueles que estão começando mesmo, pois muita gente se perde na hora de fotografar no escuro, tendo muita dificuldade em fazer enquadramentos legais.

      Quanto a medição de foco da lente, isso vai variar de lente pra lente. Quando eu uso a 24-105mm da Canon, por exemplo, já sei mais ou menos onde fica a marca para focar estrelas (no caso, não é no infinito, mas um pouco antes). Compensa pesquisar sobre cada lente que você for usar, já peguei dicas em sites que recomendam qual a marcação para algumas lentes, por exemplo (no geral faço as buscas em inglês, o que facilita encontrar mais informações). Isso sem contar que existem lentes que vem com erros na medição. Pra te dar um exemplo, tenho uma Rokinon 14mm (a mesma coisa que uma Sigma ou Samyang 14mm) que o foco em infinito está na medição de 1m! Nesse caso, é um defeito de fábrica que dá pra ser consertado em casa mesmo. De toda forma, o método que funciona melhor pra mim é: faço diferentes fotos com marcações de foco variadas. Depois, visualizo as fotos com o maior zoom que eu puder e escolho a medição que me pareceu funcionar melhor. Que lente você tem usado?

      Quanto ao tempo de exposição, o seu comentário é muito bem vindo! Isso vai depender, evidentemente, da câmera e do ISO que a câmera aguenta sem aumentar a taxa de ruído de forma significativa. A minha preferência por tempos de exposição em torno de 30 segundos tem 3 motivos centrais:

      1 – Quanto mais o sensor esquenta, maior a taxa de ruído que você ganha na foto. Usando tempos de exposições menores, você previne que isso aconteça.
      2 – Eu costumo fotografar muito próximo de rodovias. O tempo menor diminui as chances de carros estragando as fotos.
      3 – Considerando que na maior parte das fotos há a presença de estrelas (ou da lua) tempos menores de exposição aumentam a nitidez dos astros. Quando tu tem tempos maiores eles deixam de ser pontos e começam a se tornar linhas.

      Por fim, eu sou muito estabanado e muitas vezes fotografo em condições pouco estáveis (tripé em córregos ou em locais de muito vento) e em geral um tempo de exposição menor me dá mais segurança.

      De toda forma, esses comentários são apenas as minhas preferências e de forma alguma eu gostaria que eles tivessem uma ideia de regras ou algo assim. A tua preferência é totalmente embasada e cê tem total razão bicho! Fico feliz com as tuas considerações, elas melhoram a qualidade do texto e da página. Valeu demais! Manda a tua página de face ou site ai pra gente trocar mais ideia e tu me mostrar umas fotos suas pra eu curtir também!

      • Legal Yuji, a lente que eu tenho ( única ) é a Nikkor 16-85 3.5, e nunca fui atraz de saber se a marcação das distâncias dela está correta, taí, boa dica.
        Concordo totalmente com os parâmetros da exposição longa, claro que dependerá de equipamento pra equipamento, no caso eu uso a Nikon D7100 e depois de zilhões de testes ficou claro que exposições maiores – veja bem, em ISO 100 – dão um resultado melhor, e melhor ainda se usar o black frame, o chato ai é esperar o processamento deste. Tenho o mesmo temor, pois geralmente estou tbm em locais com vento forte, pois faço a maioria de minhas fotos nas montanhas da serra catarinense, mas uso a mochila presa no tripé, "eu" como escudo pra proteger o equipamento de sair voando…essas enjambras. As vezes perco fotos, claro, mas dependendo do vento, expor 5 segundos ja é suficiente pra perder mesmo..kkk.
        Valeu, mais uma vez parabéns pelo post e obrigado pelas dicas.
        Tenho alguma coisa do meu trabalho em: https://www.flickr.com/photos/raphaelsombrio/

  • Excelente. Estamos sempre a aprender e isso abre novos horizontes sobre a arte de fotografar.
    Obrigadomais uma vez.

    • É um prazer pra mim conseguir compartilhar um pouquinho da minha experiência. Estamos todos aprendendo e é melhor aprender junto né?

  • Olá! Gostei das dicas e do seu despojamento em transmiti-las!!! Parabéns! Vou tentar captar a "selva de concreto by night". Dois abraços e o nosso futuro, dependerá das boas fusões".

    • Obrigado Edson! Tô pensando em escrever um artigo com dicas pra fotografia noturna urbana. Se eu puder ajudar em qualquer coisa mais, manda uma msg lá na minha página do face!

  • Lindas fotos, excelentes dicas, Yugi. Estou estudando a arte da fotografia e aprendo muita coisa interessante com as dicas dos profissionais. Gostaria de fazer um comentário sobre o item 2 "Velocidade de Obturador": tenho visto vários textos técnicos que mencionam o termo "baixa velocidade de obturador", dando a ideia que o obturador estaria se movendo mais devagar ou mais depressa, quando na realidade ele se abre quase que instantaneamente e permanece aberto pelo "tempo de exposição" ajustado pelo fotógrafo. Talvez o termo "velocidade de obturador" mereça uma revisão.

    • Oi Mauro! Muito boa a sua dica, no dia a dia nos acostumamos a usar certos termos e não nos atentamos a esses erros. Mais pra frente farei uma revisão e também para as próximas vezes que escrever a respeito farei a correção do termo. Obrigado!

  • Dicas excelentes, é muito legal quando alguém compartilha suas experiências.
    Que venham novas dicas…
    o/

  • Adorei as dicas, muito obrigada por compartilhar sua experiência!!! Na espera das próximas dicas. Abraços

    • Obrigado Claudia! Mais pra frente postarei mais dicas sim. Qualquer pergunta, dúvida ou sugestão é só mandar uma mensagem. Tem uma galeria de fotografia noturna no meu site (www.yujikodato.com/noite), querendo perguntar sobre as configurações ou como foi feita qualquer uma das fotos é só dar o toque!

  • LINDAS FOTOS E TEMAS,TENHO BOM EQUIP E GOSTARIA SABER COMO FOT A ESTRELA DALVA OU PLANETA AXO Q E VENUS,AQUELE Q APARECE LOGO AO ANOITECER,TENHO DIF EM MANTER FOCO,MESMO EM TRIPE C/ LENTE 650/1.300 MM.VC PODE DAR UMAS DICAS, TIPO VEL,ISO, E ABERTURA. AMO FOTOGRAFAR, NAT E ESPAÇO SIDERAL .GRATO, ABRAÇOS.

    • Obrigado Carlos! Acredito que você está se referindo a Vênus e Júpiter, que estão alinhados no céu há algum tempo (Júpiter é o maior deles). Bom, eu nunca trabalhei com uma lente 650-1.300mm (você tá usando uma câmera full-frame?) então posso apenas dar palpites. Como eu trabalho com lentes com distâncias focais menores (pra você ter uma noção o mais longe que eu chego é 320mm, tô bem atrás de você!) não me é possível fotografar detalhes do planeta, como fazemos com as crateras da lua. Na verdade, sequer sei se é possível, mesmo com a sua lente, capturar detalhes da superfície desses planetas. De toda forma, experimente começar com uma ISO 320 e um f.4. Depois vá brincando com o tempo de exposição. Tente valores mais baixos a princípio, como 1/5 e vá aumentando. Lembre-se de usar o foco manual (em geral ele vai estar na marca de infinito ou quase lá, dependendo da lente) e um timer ou disparador remoto. No caso da sua lente, não use menos que 10 segundos de timer, senão a foto provavelmente perderá nitidez. Se quiser, manda pra mim os resultados que você alcançar e a gente vai conversando!

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