Em fotografia infantil: quanto menos melhor 4.67/5 (3)

Para assim tentar entender sobre a lei da causalidade ou o acaso na fotografia, tomo como base elementos da psicanálise, e da associação livre, criada por Freud para analisar seus pacientes, sendo que deita-se no divã e fala o que vier a cabeça sem uma ordenação tão lógica, ou seja, sem um direcionamento, o paciente fala o que quer, no sentido de se descobrir, e o psicanalista faz as intervenções necessárias. O método ainda continua sendo utilizado.

Levando este pensamento para a fotografia, tomo como base o não direcionamento rígido do fotógrafo por parte de seus fotografados, dar suporte, sim, direcionar rigidamente não. Proporcionar dicas para a pessoa fotografada se portar é algo, tratá-la como um boneco pedindo poses antiquadas é totalmente diferente, isso pode se enquadrar numa relação de poder.

Infelizmente é de se perceber que em grande parte das fotografias direcionadas ao público infantil há o estigma de poses forçadas e uma incansável repetição de clichês, acontece também das crianças serem tratadas como mini adultos. Lembrando que pedir pose para um bebê é impossível, resta deixá-lo tranquilo, alegre e seguro.

fotografia-infantil

A fotografia infantil é a área que mais me atrai, pois fotografar crianças/bebês nem sempre é uma certeza, é uma tentativa, fotografar adultos é uma tentativa, mas pode ser uma certeza.

Várias crianças já dizem: Não quero tirar foto! A um nível mais profundo ela não diz bem isso, mas sim: Não fui com a sua cara ainda, não estou a vontade para que tire fotos de mim! Resta o fotógrafo intervir, forçar uma relação amigável, bem diferente da relação de chantagista, mas sim de amigo, de uma pessoa que ouve, esteja aberta, respeite e dê sorrisos. A criança merece proteção e entre outros fatores.

Na fotografia deve haver uma troca, sou fotógrafo, você é o fotografado, existe uma diferença, ela não é para mais e nem para menos, não há dominador e nem dominado, mas sim pessoas, sujeitos de sua própria existência.

Voltando aos elementos psicanalíticos, para uma breve comparação, o psicanalista em seu consultório fica a cargo da intimidade privada, e o fotógrafo no “estúdio” fica a cargo da intimidade compartilhada. Lembrando que existem elementos semelhantes e opostos.

Agora que leu, avalie o artigo e deixe um comentário mais abaixo:

  • Aline

    Oi Mateus, muito bacana seu post, Parabéns!!
    Também trabalho com fotografia infantil, e adoro fotografa-los em seus momentos de distração… nada forçado e posado.
    Sempre digo, que criança precisa ser criança, então na hora do clique, tento deixa-los bem a vontade tirando a responsabilidade e o peso de poses para os pequenos.
    Se quiser conhecer um pouco de meu trabalho: http://www.facebook.com/alineamorim.foto

  • Gabi,

    Fico muito feliz por ler seu comentário, eu estudo psicanálise nas horas vagas e gosto muito, e saber que vc é psicanalista é muito bom!
    Eu moro em Catalão/GO, fica há uns 700 km de São Paulo, seria um prazer se eu fizesse as fotos… tem uma amiga minha aí de SP que gosto muito do trabalho dela, se chama Olivia Vinci, acesse a página dela (espero que goste): https://www.facebook.com/oliviavincifotografia

    Obrigado! Abraço!

  • Gabi Pedreira

    Mateus, parabéns pelo post. Sou psicanalista e nas horas vagas adoro tirar fotos dos meus filhos.. Me identifiquei com seu post, as fotos que mais gosto são aquelas em que fico apenas como observadora, sem intervir naquilo que eles estão fazendo. Estou a procura de um fotografo para fazer um ensaio ao ar livre da minha família, e pelo que vi, você mora em outro estado. Poderia me indicar algum profissional que tenha um pensamento como o seu para uma sessão de fotos em SP (capital)? Obrigada e parabens pelos seus textos.

  • Parabéns Marcos, pelo ótimo trabalho!
    De quem é a foto que ilustra o post? Obrigado.

  • marcosborgesfilho

    Seus textos são muito bons, tem uma dimensão que vai muito além dos aspectos técnicos, algo que precisa ser observado por qualquer profissional de qualquer área do conhecimento… legal mesmo!!

    • Marcos, fico muito feliz por receber seu comentário e saber que meus textos estão sendo bem aceitos! A técnica é universal e existem inúmeros materiais, agora o amor pelo trabalho/arte é diferente, deve ser pensado e questionado.

      Obrigado!
      Abraço!

  • Lucas Fiori

    Parabéns pelo artigo, de muita importância, para vermos a diferença entre o posado e o natural, muito bom!

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