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Pensando sobre workshops… 4.5/5 (2)

Ministrar workshops é um prazer raro que todo fotógrafo deveria experimentar um dia. Compartilhar conhecimento, mesmo que recebendo por isso, é uma das melhores formas de aprender. Parece confuso ler a frase anterior, mas é a pura verdade.

Todo fotógrafo que ministra um workshop aprende muito. Não apenas com os alunos, sempre atentos e prontos para questionar pontos fundamentais do tema, mas consigo mesmo, com sua forma de ver a fotografia, seu trabalho e o contexto no qual ele está inserido.

Mas, até onde um fotógrafo tem capacidade para ministrar um workshop?

Vamos pensar nisso olhando por outro ângulo.

Quando meu filho começou a falar as primeiras palavras, tive a preocupação de pronunciá-las da forma mais clara possível, para que ele ouvisse e repetisse da mesma forma. “papá” posteriormente tornou-se “papai”, e assim é até hoje.

Desta forma praticamente qualquer fotógrafo com conhecimento suficiente pode ministrar um workshop básico.  Certo?!

Não é bem assim.

Além de conhecimento técnico é preciso didática. E esta é a parte difícil da história. Quando ensinei meu filho a pronunciar corretamente “papai” tinha a didática correta para isso.  Levando para a fotografia, é preciso que o professor saiba como transmitir as informações.

Conheço grandes fotógrafos que nunca arriscaram ministrar um workshop pelo simples fato de não terem intimidade com a didática. Assim como conheço fotógrafos que não são nenhuma enciclopédia da fotografia e ministram workshops maravilhosos, pelo simples fato de terem uma comunicação muito clara com seus alunos.

A questão do workshop não está centrada no conhecimento. Depende muito da forma de comunicação e transmissão das informações.

E, afinal, como escolher um workshop?

O primeiro passo é saber se quem ministra conhece o assunto. De nada adianta buscar conhecimento onde ele não está.

Se quiser algo básico, qualquer profissional da área, disposto a ensinar, provavelmente terá o conhecimento necessário. Se não tem, deveria.

Se quiser algo específico, procure um especialista. De nada adianta buscar técnicas de fotojornalismo esportivo com um fotógrafo de culinária…

O segundo, e provavelmente mais importante, é saber de outros alunos se o workshop “funciona”.

Escolas de fotografia normalmente são as mais procuradas porque possuem uma metodologia de ensino muito bem fundamentada. Porém, cresce a cada ano o número de workshops ministrados por fotógrafos autônomos, com excelente bagagem técnica e didática de fácil entendimento.

Quanto maior o conhecimento técnico do ministrante e melhor a didática, maiores são as chances de acerto na escolha do seu próximo workshop.

Parece redundante, mas vejo muitos alunos preocupados com o “nome” do fotógrafo que vai ministrar determinado workshop, sem saber se ele tem ou não uma boa didática.

Cursos rápidos são ruins?

Não necessariamente. Tempo não é sinônimo de qualidade. Se o tema permite uma abordagem rápida, porém eficaz, não vejo problema algum. Não espere, no entanto, sair de um workshop de 4 ou 6 horas expert em alguma coisa. São, normalmente, abordagens superficiais que permitirão ao aluno ter um norte em seus estudos posteriores.

Só para constar: fotógrafo passa a vida estudando e, quando acha que sabe, vê o trabalho de alguém e descobre que ainda falta um bocado de páginas pra estudar e técnicas para esmiuçar!

E se eu quiser ministrar um workshop: devo ou não cobrar?

Se você tem conhecimento e didática para ministrar um workshop, não há mal algum em cobrar por isso. Quando você precisa de um curso, seja qual for a área, você paga para ter o conhecimento. Paga porque lá vai encontrar alguém que tem domínio do tema o qual você está disposto a aprender. Paga porque de graça ninguém vai lhe ensinar sobre o assunto. Paga porque tem interesse em ser ensinado por alguém que domina o tema e pode sanar todas as suas dúvidas.

Mas, estarei criando um concorrente, não?

Tenho um pensamento bem claro sobre isso. Quando ensino alguém a fotografar, esta pessoa busca o que eu sei. Enquanto ela está preocupada em saber o que eu sei, eu aprendo o que não sei. Logo, quando este “concorrente em potencial” souber o que sei, eu já saberei muito mais.

Além do mais, se você tem medo da concorrência, está fazendo o quê no mercado da fotografia, hein?

Mas esse papo de concorrência fica pra outro artigo.

Boas fotos!

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Thiago Antunes

Thiago Antunes é jornalista e fotógrafo esportivo há mais de 10 anos. Graduado em Comunicação Social - Jornalismo, atua também como freelancer em outros segmentos da fotografia como publicidade e social, e ministra cursos e workshops nos três estados do sul do Brasil.


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