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O poder da fotografia de parto humanizado

Olá, meus amigos do Fotografia-DG.

Esses dias recebi um grande desafio do Diogo Guerreiro. Falar sobre a fotografia de parto humanizado. Recebi um link, este aqui, com fotos incríveis, de uma força tamanha e eu deveria escrever sobre quão impactantes eram aquelas imagens. Questionei o porque de eu ter sido escolhida para falar deste tema, tão profundo, pois apesar de ser mãe e fotógrafa, nunca fotografei um parto humanizado.

Parto Humanizado

Para quem não conhece meu trabalho, eu sou fotógrafa newborn, infantil e de família. Já fotografei algumas dezenas de partos, dentre os quais partos normais, mas nunca partos humanizados.

Os partos sempre foram uma emoção incrível para mim, independente de serem cirúrgicos ou naturais. Estar presente naquele momento tão único na vida de uma família, observar toda aquela mistura de ansiedade, medo, alegria, amor, e tantos sentimentos que envolvem um parto, sempre me tocaram fundo na alma. Já peguei em muitas mãos maternas, nos momentos que antecedem o nascimento. Já fui amiga, conselheira (diante da minha vasta experiência, de ter passado por uma única cesárea, rs.), já me tornei invisível também, permanecendo apenas como expectadora do momento. Já acalmei muitos pais, nos momentos que antecedem nossa entrada no centro cirúrgico. Descobri que os pais ficam infinitamente mais nervosos que as mães! Meu papel de fotógrafa, neste momento, muitas vezes foi substituído pelo papel de prestar apoio aos pais.

E não há uma forma de explicar, o quão mágico é ver o bebezinho chegando ao mundo. O primeiro choro, o primeiro toque na mãe, a emoção que brota dos olhos, através de lágrimas de alegria e alívio. O sorriso que não cabe no rosto do pai. O primeiro choro do bebê. As mais incríveis expressões nos rostos de visitantes e familiares, que aguardam ansiosos no berçário. É tudo muito mágico. É um grande milagre!

Os partos naturais, que tive o prazer de registrar, tinham todos estes sentimentos envolvidos. Entretanto, sempre senti uma energia mais pesada.  A dor física, o não saber como fazer de algumas mães, a exaustão, a tensão quando algo dava errado e uma cirurgia de emergência era necessária. Tudo isto estava presente, aliado a todas aquelas emoções antes descritas.

Apesar de mais pesado e um clima menos festivo, o que me impressiona em partos naturais, é a força da mãe! As mães que desejam este tipo de parto, sabem por tudo que vão passar, mas mesmo assim desejam aquilo. Minha sensação é de muito orgulho desta mãe! Acho que são extremamente fortes e corajosas.

Como fotógrafa newborn, um de meus primeiros questionamentos às clientes, é de “como foi o parto”? “Cesárea ou normal”? Curiosa que sou, sempre quero os detalhes de tudo. Ouço as mais diversas histórias. Uma mais emocionante que a outra.

Ouvi muitas mães falarem sobre seus partos humanizados, mas nunca presenciei nenhum. Já vi muitas imagens de partos humanizados e são de fato impactantes, mas nunca estive envolta por todas as energias e emoções que existem neste tipo de parto. Então, como descrever?! Como falar sobre o impacto destas imagens, sem nunca ter vivido aquelas emoções? Não seria legítimo e nem justo, para com meu leitor.

Então, resolvi conversar com colegas de profissão, fotógrafas de partos humanizados. Pedi que cada uma delas me contasse sua experiência nesta área. Enviei o mesmo link que o Diogo Guerreiro me enviou, contendo aquelas imagens tão impactantes. Pedi que me falassem sobre tais imagens, sob o ponto de vista de quem viveu aqueles sentimentos. E isso foi muito incrível para mim!

As fotógrafas entrevistadas foram a Silvia Merhy, a Hellen Ramos e a Beta Bernardo.

Estes foram seus depoimentos, acompanhados de algumas de suas imagens de partos humanizados.

Silvia Merhy

“ Tenho que admitir que tenho uma profissão privilegiada.

Além de poder registrar sonhos, tenho a possibilidade também de registrar e eternizar emoções, alegrias, conquistas, garra, dor… AMOR.

Já fotografei muitas cesáreas, mas sempre fui uma mera observadora.

Ao fotografar um Parto Humanizado, posso ser mais que isso. Posso participar efetivamente, ajudar, sentir, sofrer, vibrar…

O resultado é surpreendente e posso sentir a diferença do impacto nas redes sociais, quando posto fotos de parto cesárea ou parto normal.

As fotos do Parto Humanizado rendem muito mais comentários, compartilhamentos e curtidas. Percebo que existe mais “calor” e emoção nos comentários.

Para fotografar Partos Humanizados, não basta ser apenas um bom fotógrafo. Tem que ter extrema sensibilidade, empatia e disponibilidade.

Me sinto honrada ao ser escolhida para registrar um parto normal, pois sei que é um momento único na vida daquela mãe, daquele pai, daquela família.

É uma emoção indescritível, especialmente pra mim, que também vivi um parto normal lindo, da minha filha Giullia, em 2007.”

Hellen Ramos

“Sou Hellen Ramos, tenho 26 anos, casada, mãe de 2 filhos, de Campinas SP. Especializada em fotografia de recém-nascidos, parto e família, apaixonada pelo meu trabalho e a maternidade.

Há cinco anos iniciei minha carreira na fotografia, e foi após o nascimento do meu segundo filho, uma experiência maravilhosa em um parto natural, que me encantei pela fotografia de parto.

Como já estive “do outro lado”, uso minha experiência pessoal em minhas fotos, priorizo o conforto dos pais, fotografando de maneira discreta sempre respeitando os momentos e o local.

Já vivenciei muitos nascimentos e histórias: no hospital, em casa, fazenda, partos que saíram conforme o planejado ou não. Para a cobertura de um momento tão imprevisível, porém tão único, é preciso experiência, agilidade, sensibilidade, mas além de tudo fotografar com o coração.

Poder reviver a minha experiência do meu parto, através dos meus clientes, é incrível. Ser escolhida para participar do momento mais importante e íntimo de alguém, não tem explicação.

Acredito que a chegada de um bebê é com certeza o momento mais emocionante, é o maior presente que a vida proporciona, impossível não haver emoção e não sentí-la, mesmo quando algo sai do controle! Como fotógrafo, presenciando todo o processo da gestação (quando a mãe te procura), durante o trabalho de parto, nascimento e o pós parto, você acaba se envolvendo inteiramente!

A imagem de um parto impacta qualquer pessoa, sendo ela fotógrafo ou não. Cada nascimento é uma história diferente, um ciclo que se inicia, o registro desse momento é certamente marcante, onde o ápice é quando os pais conhecem o seu bebê, as reações, o “imprinting” que acontece naquele momento entre bebê e mãe é a tradução do que é emoção!

Quando se faz o que ama e depois que você vive e revive um parto, é viciante, mesmo que isso comprometa seus planos e agenda, você sempre vai querer mais.”

Beta Bernardo

“Fotografar partos humanizados é uma experiência para vida.

É uma experiência com a qual não tem como não se envolver.

Falando por mim, eu fotografo partos humanizados por ideologia, por afinidade, pela causa, como forma de militância.

Há alguns anos conheci todo esse meio do parto humanizado e todas as certezas, tudo que eu achava que sabia sobre o assunto, mudou. Uma nova porta se abre à sua frente, as verdades aparecem, a natureza é sábia, a fisiologia da mulher acontece, o protagonismo é dela. E presenciar isso, acreditando nisso, é surreal de tão mágico.

Eu fotografo acessando a emoção, a do outro e as minhas. E esse meu processo criativo flui redondo durante os partos. Em todos os casos, eu conhecia bem as mulheres que pariram diante das minhas lentes. Eu sabia de seus desejos de parir, de viver aquela experiência com verdade e hormônios. E a ocitocina vem e inebria a todos ao redor. A cada fase do parto, mais entrega de todos da equipe.

Sim, eu estudei muito sobre parto humanizado. Eu sei o porque, para que, como, com quem, o papel de cada um, o quando e isso me prepara para cada momento. A fotografia mergulha nesse universo de entranhas, de sensações à flor da pele, de fluidos, gritos, cansaço e choro. A fotografia testemunha tudo isso, ela congela os gritos no ar, ela segura a dor nos lençóis, ela ameniza as dores nas massagens das doulas, no aperto de mão com o/a obstetra que entende o seu papel diante daquele protagonismo todo. A fotografia sustenta o peso nos braços do pai, evidencia aquele turbilhão de emoções de uma mãe prestes a nascer com seu filho, saindo, rompendo, escorregando para vida.

A fotografia do parto humanizado leva quem a vê para dentro da cena. Ela mostra com naturalidade a força da natureza, o poder do feminino da mulher, o respeito de uma equipe que apoia e trabalha para tornar aquilo real.

Não há, de modo geral, quem não se emocione com a fotografia de um parto humanizado.

E porque isso?

Porque a fotografia de parto humanizado nos coloca lá dentro, desmistifica o que até então a gente não sabia o que acontecia, o que se perdeu com o tempo, que era a família acompanhando o nascimento de perto. Irmãos vendo seus irmãos nascendo, avós por perto, pai apoiador e ativo, mulher livre pra sentir e escolher como vai parir, o corpo recebendo cada dose de hormônio pra que cada etapa do processo aconteça.

A fotografia de parto humanizado conta para mãe a leoa que ela foi, que ela tanto queria ser. Mostra sua força, sua gana, seu poder, para trazer à vida o seu novo amor. Mostra para ela o que a “partolândia” (aquele momento em que a mulher meio que perde um pouco a consciência, inebriada de hormônios, concentrada no seu corpo, nas suas dores) não a permite lembrar.

A fotografia de parto é o teletransporte sendo real. É testemunha da dor e do prazer caminhando juntos, dos gritos dando lugar ao sorriso que transborda amor. Acho que é essa magia que torna irresistível e impossível de não se emocionar, a fotografia de parto.

Eu acho que sou suspeita para falar, mas eu acho apaixonante fotografar partos humanizados. E hoje esse é a única forma de nascimento que fotografo. Pelo simples fato de que viver isso vicia. Eu acho que é pra apaixonados”

Incrível, não é mesmo?!

Fica meu agradecimento a estas fotógrafas tão talentosas, Silvia Merhy, Hellen Ramos e Beta Bernardo, que aceitaram meu convite para darem seus depoimentos e me apresentaram estes textos e imagens tão tocantes.

Agora eu quero saber, que impacto estas imagens geram em vocês, meus caros leitores? Me contem nos comentários.

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Um abraço e aguardo vocês nas minhas redes sociais.

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Liana Lemos

Meu nome é Liana Lemos, sou uma carioca de 33 anos apaixonada por fotografia. Como em todas as relações, um dia a paixão acaba ou virar amor. Comigo virou amor e então resolvi me profissionalizar. Desde então posso dizer que acordo, respiro, como, durmo e sonho com fotografia. Sou louca por crianças e pela pureza de suas almas e procuro buscar essa essência em minhas fotografias. Hoje digo com muito orgulho que sou fotógrafa infantil, de gestantes e família e agora escrevo para o fotografia-dg. Meu compromisso é estudar, me atualizar, e dividir o que sei, buscando uma constante melhoria naquilo que faço por amor.

1 Comentário

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  • Liane, também sou fotografa de partos e nunca vi um relato tão real quanto o seu, é exatamente tudo isso que acontece, uma verdadeira mágica e um verdadeiro milagre. Parabéns!!