Quanto vale a sua fotografia? 5/5 (1)

Observando sobre a situação do Brasil e os preços dos equipamentos fotográficos subindo cada vez mais e mais, comecei em me dar conta de um problema que nesse momento mais do que nunca tende a agravar ainda mais o nosso mercado: o valor dado à fotografia na sociedade em que vivemos.

Conversando com amigos… como sempre… comecei a refletir sobre o quanto nossa área é perigosa e volátil, ou melhor, faz com que as pessoas caiam nos perigos.

Nesses últimos meses tenho recebido alguns pedidos de orçamento, sempre respondo com empolgação, sempre faço questão de esclarecer o cliente sobre os meus valores na espera de fazer alguma diferença para o meu possível cliente naquele momento; a reação é sempre a mesma: “nossa, não imaginava esse preço!”, ou “ah tudo bem, em breve entro em contato com você! obrigada!”. Fico feliz ou triste? Sempre fico dentro dos dois estados e vou explicar o porque: o momento em que nós fotógrafos estamos falando sobre orçamento para um cliente, pelo menos da forma como eu vejo, é o momento que define que tipo de fotógrafo você é hoje e que tipo de fotógrafo você vai ser daqui há dois ou três anos, e principalmente, se você vai se manter dentro do mercado por todo esse tempo.

2e9b0cb2(Foto: Sergei Zolkin – Unsplash)

Obviamente o que estou tentando dizer é sobre quando você cobra pelo que você faz e se você tem consciência do quanto você gasta física e mentalmente para fazer o que faz e cobrar quanto cobra.

Se você não parou ainda para refletir sobre essas questões, pare e reflita agora, porque acredito que 2016 vai ser o momento divisor de águas para quem deseja de fato se manter no mercado fotográfico e obter sucesso, ou quem deseja apenas ganhar dinheiro rápido e fácil com uma câmera.

Tenho visto uma série de promoções do tipo “150 fotos por R$50,00” não precisa nem citar os lugares, acredito que você sabe do que eu estou falando e já viu, já viu também inúmeras pessoas que se dizem profissionais reduzindo seus preços em promoções relâmpago nas suas fã pages e timelines no facebook. Não tenho absolutamente nada contra promoções, pelo contrário, faça! Desde que você consiga baixar os seus custos afim de não cair no prejuízo futuramente e que não afogue o mercado consigo.

bag-and-hands(Foto: Alejandro Escamilla – Unsplash)

É muito fácil oferecer 150 fotografias por R$50,00 hoje, o problema é que provavelmente essa pessoa (vamos chamá-lo de John) que está oferecendo esse serviço, não se deu conta de que está usando uma câmera que deve ter custado no minimo R$4.000,00 (considerando uma crop simples Canon ou Nikon) e uma lente básica e clara, provavelmente uma 50mm 1.8, na melhor das hipóteses (variando entre R$700,00 a 1.200,00 dependendo da marca), talvez o John também tenha usado um flash barato (R$650,00) um radio flash (R$500,00) um tripé simples (R$100,00) e uma sombrinha (R$80,00) ou um rebatedor daqueles 5×1 (R$150,00).

O que talvez nosso amiguinho John não saiba é que daqui há dois anos no máximo, ele vai precisar fazer um upgrade em seus equipamentos, isso inclui o flash, radio flash, tripé, lentes prime, câmera (provavelmente vai querer ir para uma full frame), computador, isso sem contar outros custos.

Bem, se John cobra R$50,00 por ensaio, digamos que ela faça 4 desses por mês, no fim do mês ele vai ter R$200,00. É claro que estou considerando que ele leva uma jornada dupla de trabalho e a fotografia fica nas horas livres. No fim do ano John terá juntado R$2.400,00, isso contando com a hipótese de que todos os meses do ano ele teve 4 clientes a R$50,00 e que ele não gastou nenhum centavo do que ele ganhou fotografando.

No final do prazo estipulado de dois anos para o upgrade de suas ferramentas de trabalho, John terá R$4.800,00 e aí vem o desfecho de nossa historinha: o mercado vai expulsá-lo, porque o que ele conseguiu arrecadar foi muito pouco, eu diria que não foi nem sequer o preço de um computador simples para trabalho.

É John, parece que o precinho não deu muito certo.

camera-man(Foto: Jennifer Trovato – Unsplash)

Hoje eu venho falar para você que está iniciando a sua carreira como fotógrafo, que pense melhor em todos os seus custos pessoais, nas suas ferramentas de trabalho, nos cursos de aperfeiçoamento que você faz, no quanto você investe na sua carreira e veja se vale a pena fazer o tão esperado precinho pra quem te pede orçamento, porque se você solicitar para um arquiteto realizar um projeto para você, ele não vai te dar um precinho; se você solicitar para um cirurgião o orçamento de uma cirurgia simples, ele não vai fazer precinho; a Dior não vai fazer promoção para você, nem a sua conta de luz irá baixar porque todo mundo decidiu que você é um cara legal e merece precinho em tudo.

Pense bem antes de fazer o tal do precinho e antes de me despedir ainda tenho mais uma novidade para contar caso você ainda não tenha percebido: a responsabilidade desse afogamento no mercado não é do cliente, porque quem faz o tal precinho no fim das contas é você. Reeduque-o, converse, negocie, aguarde, não faça preços absurdos, se você está realmente iniciando peça ajuda a algum profissional, trabalhe para ele gratuitamente, peça para alguns amigos posarem para você, faça portfólio, melhore sua linguagem fotográfica, não ceda, valorize-se, valorize o seu conhecimento, sua visão criativa que só você tem, reconheça-se.

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Priscila Santos

Priscila Santos é Pernambucana, nascida em Recife, aos 24 anos tornou-se ilustradora de livros infantis, após a conclusão do seu curso de Artes Visuais pela UFPE. Não tendo esquecido sua paixão pela fotografia, hoje além de ilustradora atua também como fotógrafa na área de retratos, pessoas, casais e moda. Seu objetivo é contar histórias de amor e ódio por trás dos olhos das pessoas, tornando suas histórias visíveis e reais para elas próprias e para o mundo.

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