Home » Artigos » Artigos de opinião » Quanto vale a sua fotografia?

Quanto vale a sua fotografia?

Observando sobre a situação do Brasil e os preços dos equipamentos fotográficos subindo cada vez mais e mais, comecei em me dar conta de um problema que nesse momento mais do que nunca tende a agravar ainda mais o nosso mercado: o valor dado à fotografia na sociedade em que vivemos.

Conversando com amigos… como sempre… comecei a refletir sobre o quanto nossa área é perigosa e volátil, ou melhor, faz com que as pessoas caiam nos perigos.

Nesses últimos meses tenho recebido alguns pedidos de orçamento, sempre respondo com empolgação, sempre faço questão de esclarecer o cliente sobre os meus valores na espera de fazer alguma diferença para o meu possível cliente naquele momento; a reação é sempre a mesma: “nossa, não imaginava esse preço!”, ou “ah tudo bem, em breve entro em contato com você! obrigada!”. Fico feliz ou triste? Sempre fico dentro dos dois estados e vou explicar o porque: o momento em que nós fotógrafos estamos falando sobre orçamento para um cliente, pelo menos da forma como eu vejo, é o momento que define que tipo de fotógrafo você é hoje e que tipo de fotógrafo você vai ser daqui há dois ou três anos, e principalmente, se você vai se manter dentro do mercado por todo esse tempo.

2e9b0cb2(Foto: Sergei Zolkin – Unsplash)

Obviamente o que estou tentando dizer é sobre quando você cobra pelo que você faz e se você tem consciência do quanto você gasta física e mentalmente para fazer o que faz e cobrar quanto cobra.

Se você não parou ainda para refletir sobre essas questões, pare e reflita agora, porque acredito que 2016 vai ser o momento divisor de águas para quem deseja de fato se manter no mercado fotográfico e obter sucesso, ou quem deseja apenas “ganhar dinheiro rápido e fácil com uma câmera.

Tenho visto uma série de promoções do tipo “150 fotos por R$50,00” não precisa nem citar os lugares, acredito que você sabe do que eu estou falando e já viu, já viu também inúmeras pessoas que se dizem profissionais reduzindo seus preços em promoções relâmpago nas suas fã pages e timelines no facebook. Não tenho absolutamente nada contra promoções, pelo contrário, faça! Desde que você consiga baixar os seus custos afim de não cair no prejuízo futuramente e que não afogue o mercado consigo.

bag-and-hands(Foto: Alejandro Escamilla – Unsplash)

É muito fácil oferecer 150 fotografias por R$50,00 hoje, o problema é que provavelmente essa pessoa (vamos chamá-lo de John) que está oferecendo esse serviço, não se deu conta de que está usando uma câmera que deve ter custado no minimo R$4.000,00 (considerando uma crop simples Canon ou Nikon) e uma lente básica e clara, provavelmente uma 50mm 1.8, na melhor das hipóteses (variando entre R$700,00 a 1.200,00 dependendo da marca), talvez o John também tenha usado um flash barato (R$650,00) um radio flash (R$500,00) um tripé simples (R$100,00) e uma sombrinha (R$80,00) ou um rebatedor daqueles 5×1 (R$150,00).

O que talvez nosso amiguinho John não saiba é que daqui há dois anos no máximo, ele vai precisar fazer um upgrade em seus equipamentos, isso inclui o flash, radio flash, tripé, lentes prime, câmera (provavelmente vai querer ir para uma full frame), computador, isso sem contar outros custos.

Bem, se John cobra R$50,00 por ensaio, digamos que ela faça 4 desses por mês, no fim do mês ele vai ter R$200,00. É claro que estou considerando que ele leva uma jornada dupla de trabalho e a fotografia fica nas horas livres. No fim do ano John terá juntado R$2.400,00, isso contando com a hipótese de que todos os meses do ano ele teve 4 clientes a R$50,00 e que ele não gastou nenhum centavo do que ele ganhou fotografando.

No final do prazo estipulado de dois anos para o upgrade de suas ferramentas de trabalho, John terá R$4.800,00 e aí vem o desfecho de nossa historinha: o mercado vai expulsá-lo, porque o que ele conseguiu arrecadar foi muito pouco, eu diria que não foi nem sequer o preço de um computador simples para trabalho.

É John, parece que o precinho não deu muito certo.

camera-man(Foto: Jennifer Trovato – Unsplash)

Hoje eu venho falar para você que está iniciando a sua carreira como fotógrafo, que pense melhor em todos os seus custos pessoais, nas suas ferramentas de trabalho, nos cursos de aperfeiçoamento que você faz, no quanto você investe na sua carreira e veja se vale a pena fazer o tão esperado precinho pra quem te pede orçamento, porque se você solicitar para um arquiteto realizar um projeto para você, ele não vai te dar um precinho; se você solicitar para um cirurgião o orçamento de uma cirurgia simples, ele não vai fazer precinho; a Dior não vai fazer promoção para você, nem a sua conta de luz irá baixar porque todo mundo decidiu que você é um cara legal e merece precinho em tudo.

Pense bem antes de fazer o tal do precinho e antes de me despedir ainda tenho mais uma novidade para contar caso você ainda não tenha percebido: a responsabilidade desse afogamento no mercado não é do cliente, porque quem faz o tal precinho no fim das contas é você. Reeduque-o, converse, negocie, aguarde, não faça preços absurdos, se você está realmente iniciando peça ajuda a algum profissional, trabalhe para ele gratuitamente, peça para alguns amigos posarem para você, faça portfólio, melhore sua linguagem fotográfica, não ceda, valorize-se, valorize o seu conhecimento, sua visão criativa que só você tem, reconheça-se.

Agora que leu, avalie o artigo e deixe um comentário mais abaixo:

Priscila Santos

Priscila Santos é Pernambucana, nascida em Recife, aos 24 anos tornou-se ilustradora de livros infantis, após a conclusão do seu curso de Artes Visuais pela UFPE. Não tendo esquecido sua paixão pela fotografia, hoje além de ilustradora atua também como fotógrafa na área de retratos, pessoas, casais e moda. Seu objetivo é contar histórias de amor e ódio por trás dos olhos das pessoas, tornando suas histórias visíveis e reais para elas próprias e para o mundo.

39 Comentários

Clique aqui para comentar

  • E o que vocês tem a dizer do profissional que fotografa formaturas escolares? Tira centenas de fotos de cada aluno e depois de uns 10 meses chega com um álbum pronto custando R$ 3.000,00 sem ter combinado antes com os pais quais fotos eles vão querer, então, o pai em dificuldade financeira mas com parte da família pressionando pois já viram as incríveis fotos (que realmente fica muito boas geralmente), acaba por aceitar ficar com umas 10 fotos, que ele cobra R$ 50,00 cada. O que digo é este tipo de atitude tipo chantagem emocional que este tipo de profissional covardemente emprega, seria muito mais decente se ele pré-combinasse os valores e desse opção para escolha antes da confecção do álbum. Fazem desta forma por saberem que 99% dos pais ficam maravilhados com as incríveis fotos dos filhos e venderiam até o carro para ficarem com o álbum.

    • Boa tarde Fernando, meu nome é Fernando também, então desculpe a intromissão, não sou fotografo mas, veja bem o que o fotografo usou foi uma técnica para forçar a venda ok mas, não podemos ceder, na minha formatura em direito me ofereceram o album por R$3.500,00 disse que não podia pagar me pediram para assinar um termo de desistência e iriam queimar as fotos, assinei e disse que tudo bem, um ano e meio depois me procuraram e me venderam o mesmo album por R$600,00 para pagar de 6X no cartão rsss. Então não se sinta pressionado, mesmo que digam que vão queimar as fotos pode esperar um pouco que depois vem um grande desconto.
      Abraço.

  • Priscila parabéns pelo artigo foi de suma importância para mim devido ao momento que vivo com a fotografia.
    Sinceramente não li todos os comentários então não sei se alguém aqui já abordou o que quero falar.
    Concordo em gênero, numero e grau em tudo que escreveu, mas acredito também em outro ponto, que infelizmente devido a cultura (ou falta dela) de nosso povo nós profissionais da fotografia não somos reconhecidos pela visão artística e sim pelo preço. No meu escritório a primeira pergunta que os clientes fazem é "quanto fica pra você fotografar um …", confesso que tento de toda forma incutir na mentalidade dessas pessoas o senso de qualidade x preço mas muitas vezes sem êxito, muito diferente do cliente que chega e diz "gostei do que vi nas suas fotos e gostaria de saber o valor de ….", por isso penso que se existe o fotografo de R$ 50,00 é porque existem muitos (mas muitos mesmo) clientes de R$ 50,00.
    Acredito que isso se deve muito ao fato da maioria dos fotógrafos apenas divulgarem suas fotos sem mostrar ou tentar passar aos futuros clientes os conceitos da fotografia o que agregaria assim conhecimento no que ele esta fazendo, mostrando ele é muito mais que um fotografo e sim um artista em sua área.
    Pode até parecer utópico ou sem sentido minha maneira de pensar mas deixo aqui minha opinião.
    Sucesso sempre pra ti e ate a próxima.

    • Obrigada Elizeu!
      Infelizmente a gente vive num país onde os valores são bem invertidos, e é exatamente como você exemplificou aí, existem preços baixos porque existem consumidores pra isto.
      É algo para ser repensado e modificado dentro e fora da nossa profissão e principalmente no âmbito social e cultural brasileiro.
      Um grande abraço e sucesso!

  • Outra coisa, esse texto dentro desse espaço já é contraditório por natureza… Primeira a querida aqu iescreve sobre "o valor do seu trabalho", do lado do texto tem um propaganda do próprio site assim:

    "Aprenda DE GRAÇA os principais segredos dos experts em fotografia. Receba em seu email seis livros digitais totalmente gratuitos! Basta informar seu melhor endereço de email. "

    que piada…
    rs

    • Aí meu querido, já é um problema do site em si, não da fotografia. E OUTRA, compartilhar conhecimento não deve ser algo pago, como o próprio nome já diz > compartilhar, doar, disseminar.

      Agora, curso, já se trata de outro tipo de investimento.
      Piada é o teu comentário desnecessário.

  • Olá, eu achei o seu texto equivocado e simplista. Pois ele tem embasamento numa situação hipotética fora da realidade. Oras, uma pessoa não depende financeiramente do mercado fotografico, o argument ode que ele será limado do mercado não faz sentido… Por outro lado se é alguém que depende do oficio do fotografar, é um absurdo vc sugerir que ele não vai passar o ano inteiro cobrando 50 reais por trabalho, CASO essa pessoa viva no mundo paralelo ao nosso universo e se esse é o preço tabelado que ele cobra – como vc força a nos fazer a acreditar – faz mais sentido na realidade que ele tenha muitos trabalhos por semana, juntando, no mínimo uns 4 trabalhos por semana. O que nos leva a 800 reais por mês, dificilmente essa pessoa sobreviva – contas a pagar, hello?! – por alguns meses. Nem precisa esperar os supostos dois anos que vc supõe…

    No mais,e u acredito em duas coisas, por experiência própria. Primeiro que ao começar a trabalhar vc autonomamente vai cobrar mais barato, senão o injusto se dá ao contrário, não? Vou cobrar o mesmo valor que vc que está no ramo há 10 anos? Segundo que o mercado é seletivo, não tenho dúvidas de que se vc tiver um trabalho legal os contratantes vão preferir os melhores, haja visto que um bom trabalho é o cartão de visita do contratante, eu tive há pouco uma aula de marketing e financeiro com peixe grande e eles foram bem enfaticos: "se vc tem um diferencial que atenda o interese do cliente vc pode cobrar naturalmente até mais caro que o concorrente, o cliente não liga pro valor", portanto ele não quer um cartão de visitas feio.. Salve exceções de contratantes que "leiloam" a sua imagem, contratando o preço mais baixo, eu sinceramente não tenho interesse em trabalhar com gente assim. Não merece o meu respeito. Ou seja, as vezes o problema não é de quem cobra baixo e sim dos contratantes que estão cagando pro seu trabalho. Além disso, há contratantes que também não tem dinheiro pra pagar um trabalho de qualidade, cobrar baixo as vezes ajuda o cara a se realizar, ou ainda vc indica alguém que cobra mais barato que vc. Confesso que faço alguns trabalhos até gratuitos pra alguns amigos pq sei da realidade financeira deles. E tb me realizo profissionalmente e tenho certeza que não rebaixo a categoria por isso.

    • Concordo, acredito que, o que define o tipo público, é a condição financeira do mesmo, ou seja, os Fotógrafos mais experientes deveriam relaxar, pois nunca vão perder seus clientes para um Fotógrafo de R$ 50,00, visto que ele cobra barato ou por não ter a segurança e experiência, a técnica tão apurada, ou ainda equipamentos top de linha. E mesmo que um dia ele venha ser um concorrente à altura, cobrando o valor de acordo com trabalho entregue, cabe ao colega (mais experiente) somente agir com ética, pois com competência, profissionalismo e inteligência jamais, perderá seu lugar no mercado. Realmente, não vejo razão para preocupação.

  • Parabéns pelo artigo. É importante que 'novos fotógrafos' entendam o que é o ciclo de negócio além do eventual 'glamour', e que dar importância ao mesmo é um fator primordial em qualquer atividade comercial. Sobre alguns cobrarem mais barato em pacotes de internet canso de ver, mas cabe ao profissional sério e cônscio de tudo isso saber evidenciar em seus preços o que tem a oferecer. E no final, sem dúvida sua experiência, qualidade e resultados é que prevalece. Grande abraço Priscila, excelente e profunda discussão.

    • Obrigada Dynion!! Fico feliz que você tenha curtido. Pra mim que ainda sou iniciante, posso dizer que essas questões são muito importantes e me vejo na obrigação de alertar a outros iniciantes sobre os perigos da carreira.
      Abraço!

  • Fotografia é subjetiva, de valor subjetivo, uns acharão caro 50 reais ou 5.000, por não terem entendimento, alcance ou discernimento. Outros pagariam 15.000 por um álbum de casamento. Tem mercado e consumidor para todos as qualidades e valores, o que pega é, como mencionado no texto e até nos comentários, a relação custo-benefício, vc conseguir se manter dentro do que se propõe fazer, seja de valor alto ou baixo.

    O mercado está prostituido e banalizado em todos os seguimentos: Todos acham que são chefs, marceneiros, artistas, cantores, e mais do que isso tudo, fotógrafos.

    Acho que o que rege o Universo desde sempre é a lei da seleção natural: O maior come o menor.
    Empenhe-se para fazer um bom trabalho ( leia-se tudo – as fotos em si, o atendimento, a negociação, o marketing ) e provavelmente vc sempre terá consumidores que irão perceber isso.

    • Concordo com vc Raphael. Realmente existe público pra todos os bolsos, o mais importante é a gente saber o que queremos e que público queremos atingir, e claro, precisamos saber nos manter da nossa profissão, que é o que mais importa no fim das contas. =]

  • Eu sou um defensor de todo artigo que tenta discutir a profissão, principalmente no tema proposto aqui, porém quero fazer algumas considerações, não no intuito de criticar o texto mas para ampliar a discussão.

    1 – O fotografo ou "fotografo" citado no texto sempre existiu. Atuavam muito na porta de cartórios, batizados e de porta em porta fazendo retratos com suas câmeras analógicas, "mid range" surradinha e cobrava preços módicos.
    Não tinham fama e viviam bem mal da fotografia. Naquela época não havia marketing para fotógrafos e quem queria se dar bem, ou menos mal tinha que passar um tempo fora do brasil ou conhecer parte da hight society.

    A principal diferença de ontem para hoje é que todos estão se mostrando no mesmo veiculo, todos estão na mesma vitrine, seja facebook, sites, blogs ou outras redes sociais, e ai passaram a incomodar, passaram a ser percebidos, e seus valores ficaram a mostra para todos verem e ter acesso.

    O cliente deles não é o nosso? Não! Mas contribuem indiretamente para desvalorização da profissão e puxam preços para baixo, pois se um fotografo propõe um 15 anos por 599,00 quem cobra 5 mil está ganhando muito em relação ao barateiro, são 10 vezes mais, em tese, pelo mesmo trabalho. Essa é a visão do consumidor, mesmo que inconsciente e sabendo se tratar de trabalhos diferentes, a diferença de valores não encontra respaldo na analise subjetiva que podem fazer.

    Mas existe riscos muito maiores nos rondando, que é o excesso de profissionais no mercado, a baixa renda per capta dos clientes em geral e a banalização da fotografia enquanto registro de acontecimentos.
    O excesso de profissionais no mercado, faz o preço cair, a renda baixa do brasileiro, faz o preço cair, e a banalização da fotografia, faz o preço cair.

    Como coadjuvantes desse tripé tem-se, o alto nível de qualidade dos equipamento de entrada e semi pró, a elevada disponibilidade de informação e a ideia que fotografia comercial é algo artístico.

    2 – No outro extremo temos situação tão predatória quanto, apesar de vir fantasiada de "alto nível", trás alguns benefícios e também malefícios ao mercado, qual seja.

    Em linhas gerais o marketing superou a fotografia.

    Fotografia comercial se compõe de técnica, ideias ou criatividade e equipamento.
    A única coisa que limita um fotografo é a sua criatividade, uns tem mais outros menos, no restante as possibilidades fotográficas são as mesmas.

    E mesmo a criatividade, pode esbarrar em certos limites, pois as "regras" e meios na fotografia e no cinema que ainda não foram superadas na estética, na narrativa e na composição e, quebrar estas regras nem sempre resulta em fotos elogiáveis aos olhos do público em geral, porém o diferencia se seu objetivo é algum nicho de clientes.

    O outro extremo, o fotografo precisa ser, além da fotografia, (que não é algo tão amplo assim como descrito no paragrafo anterior,) marketeiro, elegante, carismático, bom orador, administrador competente, imaginativo na criação de novos produtos e formas, seu site segue os padrões exigidos por entidades internacionais de premiação, precisa ter vários prêmios para ter vários selos, enfim, se tornam gurus, e o gurus no capitalismo passar a completar seu orçamento de fotografia ensinando os desafortunados pobres mortais a serem como eles… mas no fundo o que eles tem a oferecer não é mais técnica, ideias ou criatividade + equipamento, mas sim alto ajuda, psicologia, marketing, administração e outras ciências não exatas.

    E no meio desses dois extremos é que se encontra a grande massa de bons fotógrafos.

    Fotógrafos que fazem um trabalho legal nos mais diversos níveis, que tem um preço razoável, são responsáveis e que tem passado por um monte de circunstancias, (que daria uma longa discussão), enormes dificuldades para se manter na profissão.

    Muitas esposas de fotógrafos já saíram do estúdio e estão em empregos fixos para cobrir orçamento familiar, bons fotógrafos não conseguem impor preço mínimo para exercer com tranquilidade e satisfação a atividade, passam a atender no domicilio do cliente, na sua própria casa, reduzem custos, não renovam equipamento, reduzem a qualidade do segundo e terceiro fotógrafos, diminuem o tamanho do álbum.

    Mas no mundo do faz de conta da profissão o que falta para nós é nos reinventar, falta é criatividade, marketing melhor, produtos melhores, relacionamentos e criatividade… mas tudo isso já não está surtindo o efeito que se espera. O discurso está decadente e ineficaz.

    É preciso repensar não a fotografia, mas a profissão como um todo, pois a fotografia é uma profissão cara e de responsabilidade, não pode ficar sendo tratada como algo sem dono a mercê do mercado que não se move a nosso favor se não intervirmos nele.

    • hahaha Paulo, você conseguiu expressar tudo o que eu não consegui nesse simplório artigo, afinal sou apenas uma iniciante tentando abrir os olhos das pessoas sobre essa situação "per capta" e de ganho $ baixo geral tanto pra consumidores quanto pra trabalhadores como nós.
      Seu comentário faz refletir e foi extremamente bem vindo, com certeza pensarei bem sobre tudo o que você falou, mas uma coisa é muito certa:

      "é preciso repensar a profissão como um todo" e isso é dever de todos nós profissionais, precisamos fazer a roda girar ao nosso favor, e cada um dá seu jeitinho! =]
      Abraço!

  • Sem dúvida um excelente artigo. Infelizmente o público tem dificuldade em entender o que é um Fotógrafo. Uns produzem imagens outros (os das promoções) produzem retratos.

    • Verdade Luiz Cláudio!
      O verdadeiro fotógrafo e artista é aquele que consegue recriar o universo em que vive, porque o comum, a gente vê em todo lugar.
      Abração!

  • Show de bola parabéns pelo artigo. Foi de muita valia para mim que estou iniciando porém ja me atentei bem ao fator precinho que pode na verdade falir a gente. :)

    • Com certeza, é importante ficar sempre atento a todas as armadilhas que essa ou qualquer outra área pode nos trazer.
      Abraço e sucesso!

  • Bom dia Priscila
    Bom post, é um assunto que envolve qualquer área profissional, hoje podemos dizer que estamos na era do salve-se quem puder, ou seja falta profissionalismo de verdade.

    • Bom dia HacBarros, realmente vivemos nessa época, mas ainda acredito que vamos conseguir dar uma virada nessa situação, mas só se conseguirmos nos reeducar como profissionais!

      Grande abraço e obrigada por ter curtido e comentado!

    • Verdade HacBarros, é um salve-se quem puder mesmo! As pessoas não aceitam bem o fato de que simplesmente precisamos ser valorizados antes de qualquer coisa simplesmente por sermos profissionais!

      Abraço!

  • Priscila, me desculpe por dizer isso mas esse pensamento é tão simplista quanto o os 50$ por 150 fotos.
    Fotógrafos têm que entender de uma ver por todas que o preço não pode ser baseado apenas em material, é preciso levar em conta que somos uma empresa e não um simples indivíduo com equipamento caro.
    Um fotógrafo bom não precisa atualizar equipamentos a cada dois anos. Um fotógrafo bom nem precisa ser dono do equipamento. Isso não significa que ele possa trabalhar de graça.
    O preço de um fotógrafo envolve muito mais. Você precisa contar despesas que teve com estudos, material de escritório, contador, impostos, aluguel, água, luz, transporte, viagens, funcionários (contador, assistente, secretário, limpeza,…) Internet, celular, tempo para se manter atualizado ou despesas com museus/passeios para buscar inspiração, material de limpeza, catering (cafezinho para clientes, comes e bebês), saídas para encontrar clientes, prospecção, aluguel de equipamentos, cartões de visita, hospedagem e domínios, marketing, compra de equipamentos … Isso é a parte fácil! Agora você precisa se dar um salário para pagar suas despesas pessoais e incluir o valor da sua marca/nome. Se você conseguir pagar tudo isso é sobrar alguma coisa, só então você terá um lucro.

    Quanto ao fulano que cobra 50$ por 150 fotos.. Deixa ele. Se você for bom o preço dele não vai atrapalhar em nada o seu negócio. Os bons clientes sabem que um bom fotógrafo não custa isso.

    • Antonio, obrigada por deixar sua opinião. Concordo com você. O meu artigo não tem o objetivo de se aprofundar nessas questões, mas sim de ALERTAR sobre os perigos que alguém sem planejamento pode correr. E sim, um fotógrafo precisa constantemente reciclar seu equipamento. o Allan Elly troca de câmera a cada 6 meses, devido a quantidade de eventos e cliques que ele realiza. Todos os custos que você mencionou são sim viáveis, são reais, fazem parte das "contas" e do orçamento de quanto o fotógrafo precisa pra manter seu negócio e se manter.
      Com relação às pessoas que cobram extremamente barato por um serviço de qualidade, eu realmente acho que isso precisa acabar, não pelo preço ser baixo ou porque a pessoa não vai conseguir se manter, afinal de contas se ele vai permanecer ou sair do mercado, é um problema dele, mas porque culturalmente falando necessitamos de uma visão maior e mais consciente de valor de trabalho e valor de profissional, afinal de contas, como você mesmo falou, não somos só equipamento, somos seres culturais, pensantes, reais, que tem custos reais e compromissos reais, além de apenas uma simples ferramenta.

      Grande abraço pra vc!

      • Priscila, ainda discordo da sua posição. Muitos fotógrafos aqui na Europa ainda trabalham com filme, com câmeras de mais de 20 anos. E ganham muito bem… Muito bem mesmo. (valores que passam de 50 mil euros por um trabalho)
        Eu também ganhei um bom dinheiro com uma câmera polaroid de 1980. Uso ela até hoje.
        Fotógrafo até 400 desfiles por ano, festival de Cannes.. E ainda estou na minha 1d Mk4. (acho que foram 4 anos e 3 obturador) Mas se um cliente me pedir um formato especial, ele paga o aluguel.

        Equipamento não define valor de fotógrafo!

        Se uma marca pede para você fazer um trabalho com um iPhone, você vai cobrar mais barato por que é foto de celular?

        • Antonio, acho que você não entendeu ainda o meu posicionamento. Mas sim, falando sobre câmeras de filme, elas são bem superiores e resistentes. Há câmeras de mais de 30 anos que ainda clicam bem, há câmeras de 1 ano que pararam de clicar por algum motivo.
          NÃO estou supervalorizando equipamento, NÃO estou dando vazão e reduzindo o fotógrafo ao equipamento, NÃO falei disso na resposta anterior pra você.
          Sim, equipamento APENAS não define o valor de um fotógrafo, e sim, a realidade do fotógrafo no brasil é bem diferente do fotógrafo na europa, já que estamos falando de custos gerais, já que mais uma vez, só pra ficar claro, eu não DEFINI em momento algum, nem sequer reduzi o fotógrafo ao equipamento, e aliás, quem me conhece sabe bem que detesto esse tipo de abordagem estritamente ferramental.

          Passar bem

          • Bom, eu acho que o posicionamento no texto foi sobre a desvalorização que o próprio fotógrafo faz do próprio trabalho por não perceber o custo que ele tem pra realizar o mesmo. A idéia é alertar sobre isso e usou como exemplo uma das variantes que é a troca de equipamento (Até porque como qualquer outro equipamento eletrônico ele tem uma vida útil e mesmo sem uso ele vai parar de funcionar em algum momento), pode ter outras variantes, como o aumento da taxa de luz, o aumento da taxa do aluguel do equipamento, a troca de celular, a troca de espaço… Enfim, muitas existem e elas precisam ser colocadas na decisão do valor cobrado.

        • Concordo com o Antonio, a intenção foi boa mas a justificativa é péssima.
          Jonh não vai quebrar e sair do mercado porque não vai conseguir trocar de equipamento em 2 anos.
          Jonh vai sair do mercado porque ensaio de 50 reais não cobre os custos de um fotografo que mora com os pais, tem uma camera de entrada com lente do kit e usa o notebook que ganhou de presente para editar as fotos.
          E olha que nem citei o exemplo de alguem que precisa viver da fotografia.

          Allan Elly troca de camera de 6 em 6 meses porque ele pode e não porque ele precisa.

  • To inciando na área da fotografia, faz 1 ano e 4 meses que estou estudando, fazendo um curso atrás do outro.
    Os cursos são caros de mais, os equipamentos então nem se fala, mas as pessoas não sabem disso elas pensam que ser fotógrafo é uma profissão fácil que não não exige esforço, que é só clicar no botão e pronto.
    As pessoas não querem pagar um preço que elas julgam "Absurdo".
    Eles querem uma ótima foto, com uma ótima edição, porém por um preço baixo.
    To começando nessa área e falo por experiência nada é fácil, os cursos, os equipamentos e o nosso aprendizado, nada disso é de graça, tudo tem seu preço.
    Concordo plenamente com esse texto!!

    • Pois é Sheron, nossa área não é fácil, precisamos agora mais do que nunca, começar a nos reeducar e reeducar as pessoas que serão nossos futuros clientes, ou pelo menos escolher melhor os nossos clientes!
      Estude bastante, porque só assim você vai conseguir se destacar, e não desista!

      Um grande abraço e obrigada por ter curtido e o mais importante: refletido sobre o assunto!

    • Antonio, obrigada, fico muito feliz em conseguir ajudar as pessoas acerca desse assunto! =D
      Grande abraço!

  • Cara Priscila, parabéns pelo post ! Sou arquiteto e, lamentavelmente, padecemos igualmente do mesmo mal. Tem muito colega de profissão praticando preços alviltantes desvalorizando a profissão.

    • Pois é Igor, é muito complicado ver em todos os meios de trabalho as pessoas praticando atos impensados que geram consequências não só pra si mas pra todos os colegas de trabalho, mas tenho esperanças de que isso comece a mudar! É necessário, principalmente em época de crise, precisamos mais do que nunca ter em mente o nosso valor.
      Obrigada por ter curtido o post! Abraço!

    • Obrigada por ter curtido Charles! Espero que a gente possa cada vez mais refletir sobre o nosso valor! =D

  • Priscila boa tarde. Embora tenha a perfeita percepção de suas preocupações e elas realmente são verdadeiras e sinceras, não quero parecer indelicado, mas tenho um posicionamento um pouco diferente. Por inúmeras razões, ficaria aqui escrevendo cansativamente, a atividade fotografar não tem o reconhecimento que deveria ter pela sociedade de modo geral e isso tem muito de nossa "culpa"… Mas aqui é o foco. Como não temos o reconhecimento de nosso valor para a sociedade, isso se reflete nos valores pagos e cobrados… Somos uma sociedade capitalista, para o bem o para o mau… As regras do mercado indicam que cada um pode cobrar o que quiser e o outro lado paga o que quiser. Se o cara tá cobrando errado, muito pouco ou ele aprende ou quebra… Já fiz e ainda faço trabalhos de graça. SIM!, quando testar um novo set de luz procuro o assunto (produção) e ofereço fazer fotos de graça… Todos nós sabemos que o preço é um composto de custo/lucro/necessidade/desejo e como sair disso?
    Digo que o preço da foto é a combinação de COM/CON/CON – competência, concorrência e conta no banco… Penso que o mercado vai se regulando naturalmente… Agora tenho uma preocupação maior e até já escrevi sobre isso: os fotógrafos que se vendem depois de comprarem uma maquina e postarem no FACE suas imagens "cheias de efeitos" escondendo falta total de conhecimento, estudo e seriedade… Mas isso fica para outra. Priscila – grande abraço. ps:também escrevo aqui na Fotografia DG

    • hahaha Walcyr, essa sua reflexão é mais que justa! Entendo perfeitamente e concordo com o que você falou em complemento à ideia do artigo. Claramente existem situações e situações, é necessário refletir sobre cada tipo de trabalho e quanto cobramos e o que vamos ganhar com aquilo. Acredito que em determinados momentos é necessário fazer free, é importante! É processo, é aprendizado, é reciclo! É importante nos atentar à tendencia de mercado também do lugar de onde viemos, e onde trabalhamos, o publico para qual trabalhamos e qual a nossa "idade" de mercado.
      Resolvi escrever sobre isso sem entrar muito nos pormenores como detalhes de local e preço, tendencia de mercado, quando fazer free ou não, etc… simplesmente porque eu acredito que TODO fotógrafo precisa se embasar primeiro no principio de que nós somos trabalhadores e merecemos ser bem remunerados pelo que fazemos. MESMO fazendo free, precisamos saber cobrar. =]
      Um grande abraço pra você!! =D

Abrir Chat
1
Close chat
Olá! Obrigado por nos visitar. Por favor, pressione o botão Iniciar para conversar com o nosso suporte :)

Iniciar