A luz do palco e seus desafios para a fotografia 4.75/5 (16)

Apaixonada pelas artes que sou, venho me dedicando à fotografia de ballet e teatro, algo que aconteceu de repente na minha vida, e me posicionou de vez no universo da fotografia de um modo profissional.

Há muito tempo fotografo, mas nunca estabeleci que esta seria a minha profissão. Entre idas e vindas, sempre estudei técnicas, busquei me aperfeiçoar e, sinceramente, pensava que estaria satisfeita em ter a fotografia como aquela paixão paralela, de amante, sem nunca ser assumida como o compromisso oficial.

Mas eis que tudo mudou quando defendi minha tese de doutorado e me encontrei com todo o tempo do mundo; o que fui fazer? Fotografar mais e mais. Primeiro, para ocupar aquele tempo vazio tão novo na minha vida, mas… a fotografia se agarrou tanto a mim, e eu a ela, que decidi: vou assumir logo que quero viver disso, vou ser fotógrafa profissional.

fotografia de espectaculo

Acredito que quando decidimos que vamos viver da fotografia e para a fotografia, temos que definir o nosso perfil profissional, para uma boa inserção no mercado. No meu caso, eu não tive que decidir isto, pois a minha decisão de trabalhar profissionalmente aconteceu já dentro do olho do furacão, ou seja, eu já estava envolvida no registro das artes do palco, apenas não tinha me dado conta que isto se tornaria profissão. O que fiz foi ampliar o horizonte, estendendo a experiência de trabalhar a luz do palco para ensaios com artistas, ou mesmo pessoas comuns que desejam ser retratadas de um modo criativo e original.

E é exatamente sobre isso que escreverei (com muita alegria, pois sou leitora assídua de tudo publicado aqui) todos os meses no Fotografia DG: como fazer o melhor aproveitamento desta luz tão singular como a do palco? como trazer esta experiência para conseguir trabalhos mais autorais também fora dele?

Neste primeiro post, algumas dicas essenciais para este tipo de fotografia, que nunca podem ser deixadas de lado. Todas elas serão retomadas em detalhes em artigos futuros, hoje vou apenas apresentar algumas regras básicas.

Vamos lá. Em primeiro lugar, fotografe sempre em RAW, porque a luz que encontramos normalmente no palco nos desafia todo o tempo. Ora está escura demais, ora muito clara, com muito contraste agora e nenhum no próximo instante. Por isto é fundamental este tipo de arquivo que permite ser trabalhado posteriormente, porque saiba de uma coisa, você vai errar a medição da luz, e muito.

A segunda dica é justamente o trabalho de edição posterior, que é muito importante. Eu uso o Lightroom 5, que tem me dado excelentes resultados. Mas muito cuidado para não modificar a luz original, pois as áreas de sombra fazem parte da atmosfera da luz que a direção do espetáculo criou. E isto tem que ser mantido. Não adianta clarear tudo e deixar tudo visível de um modo artificial; eu trabalho com a curvas de tons para corrigir algum pequeno erro de subexposição, ao invés de aumentar a exposição, mas atenção: se estiver muito errado, nenhuma edição dará jeito. Ao fotografar, sempre prefiro subexpor a superexpor, porque consigo recuperar melhor a imagem posteriormente fazendo assim.

foto 5

Ainda em relação ao trabalho de pós captura da imagem, o balanço de brancos é outro dilema que quem fotografa espetáculos enfrenta. Em geral deixo a câmera com WB automático, porque a temperatura da luz de palco oscila o tempo todo, e ajusto estas temperaturas depois, no Ligthroom. O que faço é alterar o mínimo possível, pois novamente devemos nos preocupar em manter o clima da iluminação desejada para o espetáculo, mas principalmente as luzes vermelhas exigem ajustes. Muitas vezes, diminuindo um pouco a saturação da imagem consigo um bom equilíbrio, preservando os tons naturais da luz utilizada.

Por fim, em relação à abertura do diafragma e velocidade do obturador, tento encontrar o possível de acordo com a luz que tenho disponível. Isto mesmo, o possível. Digo isso pois dificilmente encontraremos o ideal, e como não dá para usar flash, temos que nos adaptar. A abertura deve ser grande, porém f2.8 é grande demais, porque acabamos desfocando demais outras áreas do palco, e nem sempre isso é bom neste caso. Trabalho sempre em modo manual, e uso muito f4, porque assim entra bastante luz, consigo um certo desfoque, mas não perco muitos detalhes de fundo. Dependendo do caso fecho um pouco mais o diafragma, e compenso no ISO, que deixo também no manual e vou alterando de acordo com a situação, em geral entre 800 e 2000. A velocidade mudo o tempo todo, mas nunca abaixo de 1/80, senão corro o risco de ter imagens borradas (salvo quando quero este efeito, mas isto é assunto para outro post). Trabalho sempre sem tripé para poder me deslocar. Não é preciso dizer que no fim de duas horas de espetáculo estou exausta, hehe.

Por hoje é isso. Leves pinceladas de técnica para fotografar as artes do palco. Em breve, muito mais.

Até lá.

Agora que leu, avalie o artigo e deixe um comentário mais abaixo:

  • Estou começando e gostaria de saber quanto cobra por um ensaio individual e coletivo?

  • Isa Arcuri

    Oi Arnaldo! Obrigada. É importante Verificar uma regra básica que é: a velocidade do obturador deve ser no mínimo igual à distância focal da lente. Por exemplo, com uma lente de 50 mm deve ser usada uma velocidade igual ou maior que 1/50 do segundo. Com uma 200 mm, não usar velocidade menor que 1/200 do segundo. Isso para full frame, se for câmera cropada vc deve fazer a conta multiplicando o valor do fator de corte pela distância focal da lente para saber a velocidade equivalente que deve usar para evitar fotos borradas…

  • Arnaldo Sete

    Oi Isabella, boa tarde. Parabéns pelo post.
    Sou de Recife, estou iniciando agora e pretendo fotografar espetáculos e tenho enfrentado problemas com iluminação e desfoque. Vou te incomodar bem muuuuito agora :D
    Tenho que deixar a velocidade mais baixa (1/50) para ter uma melhor claridade e isso faz com que a imagem fique "tremida". Uso uma nikon D3100 e uma lente 70-300mm 1:4-5-6. Se eu deixar a velocidade mais alta a imagem fica escura demais. O que eu poderia fazer para não ter imagens tremidas? Uso ISO entre 400 e 1600.
    Também seria uma limitação do meu equipamento? Obrigado.

  • Isabella Arcuri

    Oi Nilton, eu não uso tripé porque em um teatro fica muito difícil movimentar-se carregando o tripé para todo lado… Além disso, neste caso do artigo estou falando em registros que congelam o movimento, então não há a real necessidade de um tripé para fotos em que usamos velocidades altas. Mas esta é a minha forma de captar as artes do palco pois gosto de registrar diferentes ângulos e pontos de vista, entendeu? O uso do tripé, para mim, apenas para fotos em baixa velocidade porque prefiro ter a liberdade de circular!

  • Nilton da Rosa

    Uma dica importante ,Porém não entendi o fato de não usar tripé para fotos desta natureza !

  • Parabéns pelo post…também faço fotografia de cena há um bom tempo! e o que me ajuda e ter uma escola de ballet…rsrsr no iníci penei um pouco, mas com o tempo e muita prática fica fácil…em relação ao obturador, prefiro manter em média para congelar e ter melhor nitidez nas extremidades do corpo que são onde os movimentos são mais velozes, na faixa de 1/250 ou 1/320…se não as mães e pés borram…a 24-105 é muito versátil realmente! sempre uso ela….dependendo uma 70-200 f/4…

    Abraços!

    • Isabella Arcuri

      Oi Fabrizio, obrigada. Também tenho usado esta 70-200 f4 quando tenho que ficar mais distante do palco e tenho gostado bastante do resultado… excelente lente né? Achei ótimo custo/benefício.

  • Mara

    Precisava ler um artigo bem explicado assim,mas como estou começando,morro de medo de fotografar em RAW e não conseguir uma boa edição depois.

  • Alexandre

    Parabéns pelo artigo. Poderia dizer quais as lentes que você usa? Tem alguma dica para quem precisa ficar distante do palco e utilizar uma 55 – 250mm com abertura f4? Obrigado.

    • Isabella Arcuri

      Oi Alexandre, a lente que mais utilizo em espetáculos é a 24-105 mm L Canon, e tenho gostado bastante dela, por ser versátil e me oferecer qualidade.

    • Isabella Arcuri

      A distância focal entre 80 e 250 permite fotografar distante do palco com tranquilidade, e sua lente cobre estas distâncias. Apenas fique atento na velocidade utilizada, pois a regra básica é usar o equivalente ao inverso da distância na velocidade (ex: lente em 100 mm, velocidade 1/100 no mínimo) para evitar fotos tremidas. Espero ter ajudado, até mais, Isabella Arcuri

  • Thayanne

    Dicas maravilhosas.. Obrigada!!
    Ansiosa para ler os próximos posts *-*

    • Isabella Arcuri

      Que bom que gostou, logo um novo artigo

  • Pedro

    Show excelente dica sobre o assunto!

  • Beto Fontes

    Parabéns Isa Arcuri. Seu trabalho é lindo!

  • Muito obrigado pelas dicas. Sucesso!

  • Raimundo Araújo

    Muito bom. Técnicas que exigem do profissional. Dicas que realmente fazem diferença!!! Parabéns!!

  • M. Mota

    Muito boa a reportagem Isabella. Gostei muito das suas fotos. Estou me formando agora no curso ministrado pelo Ateliê da Imagem aqui no RJ. Boa sorte nesta sua profissão.

  • Exatamente o que estava procurando para ler…muito bom material! Parabens!

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