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Entrevistando os Fab5, #02: Fujifilm

Segunda parte da série de entrevistas do Dpreview com as cinco principais marcas do mercado fotográfico para consumidor geral — agora com a palavra a Fujifilm

de Barney Britton
via Dpreview

A entrevista de hoje é com Toshihisa Iida, gerente sênior de vendas e marketing da Fujifilm, marca que anda tendo destaque ultimamente com a briga entre câmeras sem espelho (mirrorless) e DSLRs (que nós já abordamos aqui). Confiram a conversa que o Dpreview teve com ele, em meio à CP+ 2014:

“O único caminho é continuar inovando”

A Fujifilm anunciou recentemente a high-end X-T1 — quão popular ela tem sido na CP+ neste ano?

Tem sido extremamente bem recebida. Logo após o anúncio, em janeiro, realizamos alguns eventos para usuários em várias cidades no Japão e, em comparação com eventos similares no ano passado, o número de clientes que compareceram quase dobrou. Isso mostra o alto nível de interesse.

Também já estamos coletando as pré-encomendas, e o número é muito encorajador. A demanda inicial é cerca de duas vezes o que tínhamos planejado, por isso estamos aumentando a capacidade em nossa fábrica, tanto quanto possível, pelo menos para os próximos meses.

Quão importante é o mercado high-end para vocês?

Muito importante, por duas razões. Comercialmente, obviamente, é importante, mas também os clientes de nível superior compreendem a qualidade do [sensor] X-Trans. É mais fácil de comunicar isso para os clientes de nível mais alto, em comparação com os iniciantes.

Vocês ainda precisam dos clientes low-end?

Sim, porque ainda há um mercado, principalmente nos países asiáticos para os consumidores que estão subindo de nível a partir de compactas, e não podemos ignorá-los. Mas o nosso foco principal agora é high-end.

Que diferença você vê na adoção da série X, em diferentes países ao redor do mundo?

No Japão, 40% do mercado é mirrorless, seguido por outros países asiáticos, em torno de 25%, enquanto nos EUA e na Europa estão muito atrás, com pouco mais de 10%, por isso é muito variada.

Os seus clientes em diferentes países pedem coisas diferentes?

Sim. Por exemplo, em países asiáticos temos mais clientes do sexo feminino, certamente no Japão, e elas tendem a fazer imagens diferentes – mais de sonho, foco suave, menor contraste. Isso é algo que alguns fotógrafos ocidentais realmente não entendem. Clientes asiáticos também parecem mais interessados ​​em redes sociais e compartilhamento de suas fotos.

O que seus clientes no mundo inteiro pedem mais?

Mais lentes, e uma maior funcionalidade de vídeo, também mais opções de personalização e uma maior gama de acessórios – especialmente flashes.

Você menciona mais personalização — provavelmente vocês poderiam fazer algumas alterações para os modelos existentes via firmware?

Sim. Por exemplo, vamos lançar um novo firmware para o X-E2 em breve, o que irá melhorar a taxa de atualização do EVF, trazendo-a para o mesmo nível da X-T1, e também adicionar uma função de intervalo de disparos.

No ano passado, a Fujifilm lançou uma grande atualização para a X100, aproximando-a da X100S, e agora vocês estão pensando em deixar a X-E2 mais próxima da X-T1. Vocês não correm o risco de perder vendas dos modelos mais recentes fazendo isso?

Sim, mas a confiança do cliente a longo prazo é muito importante. Somos uma marca relativamente nova e precisamos construir a confiança. Houve algum debate interno sobre a atualização da X100, e algumas pessoas dentro da Fujifilm não achavam que deveríamos atualizar um modelo descontinuado, mas decidimos fazê-lo, de qualquer forma.

Vocês vendem mais corpos high-end, nos EUA e na Europa, ou mais low-end?

Nós vendemos mais high-end, especialmente nos EUA. O mercado low-end é um pouco difícil, mas o mercado high-end é mais fácil.

Há mais lucro a ser feito no mercado high-end?

Sim, por duas razões. Os próprios corpos podemos vender a um preço mais elevado, mas também vendemos mais lentes com câmeras high-end, então no final das contas, é mais rentável. Nossa pesquisa mostra que a taxa de fixação para uma câmera high-end como a X-Pro 1 é em torno de 3,8, enquanto que para câmeras como a X-A1 é mais algo como 1.2. Com câmeras low-end as pessoas costumam ficar com a lente do kit.

Seus usuários estão pedindo uma maior resolução em câmeras da série X para o futuro?

Não é verdade — algumas pessoas estão pedindo mais, mas no geral há muito pouca demanda por 20MP ou mais entre nossos usuários. 16MP no momento é a melhor combinação de resolução e razão sinal-ruído, mas, obviamente, como o tempo passa, a tecnologia vai desenvolver-se e nós vamos ser capazes de oferecer altas resoluções com proporção sinal-ruído melhorada no futuro.

Quão importante é o vídeo para seus clientes?

É cada vez mais importante. Por exemplo, estamos falando com fotógrafos profissionais que estão nos dizendo que os seus clientes estão exigindo mais e mais vídeo, bem como fotos.

Os seus clientes profissionais usam suas câmeras ao lado de seus equipamentos DSLR existente?

No momento sim, mas eles estão nos dizendo que estão usando seus equipamentos mais velhos cada vez menos.

Vocês pretendem competir contra câmeras profissionais full-frame?

Inevitavelmente, sim, temos que competir contra full-frame. O mercado profissional é muito segmentado, e, por exemplo, para fotografia de esportes eu acho que a X-T1 já é competitiva. Então, sim, eu gostaria de desafiar as full-frame.

logo Fujifilm

Você tem pessoas na Fujifilm que trabalham na série X que começaram a trabalhar em tempos de filme?

Sim. Alguns de nosso pessoal começaram a trabalhar em nossas câmeras de filme, e alguns em Instax. Um dos nossos engenheiros é um veterano com muita experiência, ele tem cerca de 60 anos de idade e sua experiência estava na criação de nossos filmes Velvia e Provia. Ele ainda está por aí, e nos aconselha sobre como desenvolver o nosso processamento de imagem, por exemplo.

Nosso sensor X-Trans é projetado com o conhecimento que temos de fazer filme, que é muito importante. O próprio desenho do sensor e também o processamento da imagem.

A série X está amadurecendo agora — que lições vocês aprenderam ao longo do caminho?

Desde que lançamos a série X com a X100, criamos um monte de câmeras, e até mesmo uma vez que a X-Pro 1 foi lançada, fizemos a X-E1, a X-E2, a X100S, a X-M1, a X-A1 e a X- T1. Acho que fizemos muito, muito rápido, e fizemos muitos modelos. Alguns clientes nos disseram que isso é confuso. Então, agora, vamos devagar, nos conter e olhar para o que os nossos clientes estão comprando e o que eles querem. Também precisamos atualizar nossa linha de objetivas.

Como a X-A1 foi recebida, com o sensor de 16MP tipo Bayer?

A X-A1 foi criada em resposta às solicitações dos clientes por um modelo de baixo custo. Constatamos que o sensor Bayer foi surpreendentemente bom, em parte graças ao nosso processamento de imagem. Atualmente, estamos testando o quão bem o X-A1 vende em comparação com a X-M1 com o sensor X-Trans, porque daqui para frente não precisamos de dois modelos de nível de entrada. Não está decidido ainda no momento.

Quais são os principais desafios a serem enfrentados pela Fujifilm no futuro?

Nosso maior desafio é a conscientização do cliente, e educação do cliente. Pensamos que pelo menos 50% do mercado poderia ser mirrorless no futuro, mas o que está faltando é a conscientização por parte dos consumidores sobre os benefícios da mirrorless.

Na minha opinião isso é devido à falta de foco em mirrorless das duas grandes marcas, Canon e Nikon. A Nikon 1 e EOS M não satisfazem os clientes, [por isso] tantos consumidores vêem mirrorless como algo inferior a DSLRs. Esse é o maior desafio. Precisamos ensinar os clientes que mirrorless não é inferior, pode ser melhor do que DSLR.

Lhes ajudaria se Canon e/ou Nikon criasse(m) um sistema de câmera mirrorless high-end?

Sim. Porque isso iria aumentar a conscientização.

O que vocês vão fazer se eles não criarem?

Nós, assim como a Olympus e a Sony vamos ter um monte de trabalho duro! Fazemos eventos para aumentar a conscientização, permitindo aos clientes experimentarem nossas câmeras e obter informações one-on-one. É um aborrecimento, e leva tempo, mas é o melhor caminho.

Quando a Adobe fez grandes melhorias para processamento de RAWs do X-Trans no Camera Raw 7, isso os ajudou?

Sim, ajudou muito. Porque um monte de nossos clientes investiram nesse software.

Os tempos estão difíceis na indústria de câmeras – qual sua estratégia para o futuro?

O único caminho é continuar a inovar. Precisamos dar aos clientes razões para atualizar ou substituir sua câmera e  as mirrorless são uma grande oportunidade. O peso é menor, o tamanho é menor, os obturadores são mais silenciosos e agora temos um lineup de objetivas bom o suficiente. Nosso desafio, como eu disse, é a conscientização do consumidor, mas se um cliente entende os benefícios, não há nenhuma razão para não migrar de sua DSLR.

Os sensores X-Trans ficarão maiores, no futuro?

No momento estamos nos concentrando no formato APS-C, mas, a longo prazo, depois de termos concluído nossa linha de lentes… Eu não posso negar a possibilidade.

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