Flickr, de galeria pessoal a Stock Photo 3.85/5 (20)

Em maio de 2013 recebi a mensagem do Flickr informando que todos os usuários teriam direito a 1 terabyte de espaço gratuito para armazenar fotos e vídeos. Isso foi ótimo aos novos usuários e para aqueles que ainda não haviam ultrapassado a quota de 200 fotos, mas para mim e tantos outros que haviam acabado de pagar a anuidade, ficou uma sensação de ter perdido dinheiro, pois simplesmente transformaram um serviço pago em gratuito sem oferecer qualquer “plus” para quem já havia pago, a não ser a agradável condição de não ver anúncios não solicitados.

Flickr

Muito bem, o valor da anuidade paga não era tão alto e isso estava beneficiando alguns milhares de usuários, mas a sensação de ter sido lesado continuou, e também fiquei um pouco cismado, pois no mundo comercial não existe nada gratuito. Fiquei aguardando o que viria junto com o pacote para compensar esse ato de bondade do Yahoo. De início a aparência do Flickr modificou, oferecendo uma visualização das fotos de capa em tamanho ampliado, o que não chegou a agradar a todos. Mas o “melhor” ainda estava por vir.

Como dizia minha avó “quando a esmola é muita o santo desconfia”. E eis que no início de dezembro de 2014, quando vou verificar minhas fotos postadas no Flickr, percebo que existe algo de novo. Agora eu posso pedir uma ampliação de minhas fotos, pagando para o Yahoo uma “ínfima” quantia em dólares. Desconfiado de tamanha “bondade” inicio uma pesquisa no santo Google e eis que surge a resposta para aquela duvida que surgiu lá em maio de 2013. O Flickr/Yahoo havia ampliado enormemente seu acervo de fotos e agora está oferecendo aos fotógrafos ampliações das suas fotos postadas.

E não é só isso, o Flickr/Yahoo criou o pomposo nome de Wall Art (Arte de Parede), e começou a realizar publicidades chamativas como por exemplo: “Mais de 50 milhões das mais lindas fotos do Flickr agora em sua parede” (vide link do blog oficial – em inglês – no final do artigo). Trata-se de um serviço para a venda de impressões utilizando as fotos do Flickr. A página não explica muito bem, mas tudo indica que você deve realizar um cadastro, aguardar o contato da equipe e ter suas fotos aprovadas para participar desse projeto.

Existe também um boato, e como tal não confirmado, de que as fotos que estejam postadas como Creative Commons (irei escrever sobre o Creative Commons e suas diversas modalidades em um próximo artigo) e com permissão para venda no Wall Art seriam ampliadas sem que o seu autor receba nada em troca.

Creative Commons

Portanto, caro leitor fotógrafo, seja você profissional ou amador, fique esperto. Saiba que se as suas fotos foram postadas com a permissão do Creative Commons elas poderão estar enfeitando a parede de alguém ou de alguma empresa sem que você receba nada por isso. E mais, a simples licença no Creative Commons, em qualquer de suas modalidades, obviamente não contempla, em seu bojo de permissões, o Direito à Imagem, portanto mesmo que a obra não possua uso comercial não é permitido que sejam ampliadas e expostas fotos em que apareçam pessoas ou obras sem o devido consentimento. Assim sendo, o ônus de um eventual processo por Direito de Imagem será do autor e não do Yahoo. Dificilmente ele será chamado ao processo como solidário, o que para o autor do processo de Direito à imagem poderia até ser bom.

A principio, no âmbito legal o Flickr não estará fazendo nada de errado, pois receberá pela prestação do serviço de ampliação para uma imagem de livre utilização, lembrando que o crédito sempre deverá ser atribuído para qualquer das seis modalidades de licença do Creative Commons.

E mais, o outro projeto em curto prazo do Flickr/Yahoo é criar um Stock Photo para venda comercial aos moldes dos outros grandes do mercado. Não sei como farão, pois isso tem uma série de exigências que procurei, mas ainda não existe nada nas páginas do Flickr a esse respeito. Só nos resta ficarmos atentos e aguardar as próximas cartadas do Flickr/Yahoo.

Caso tenha suas fotos postadas no Flickr ou pretenda postar, e não queira sua foto exposta em algum local sem o seu consentimento eu aconselho seis passos, que também valem para qualquer postagem na rede:

  1. Jamais poste uma foto em redes sociais e afins com um tamanho superior a 72 pixels. Para ver na tela do computador não precisa mais do que isso.
  2. Sempre insira o seu nome ou marca d’água em todas as fotos que forem para a rede.
  3. Ao postar no Flickr ou qualquer outra rede ou site, (a não ser que seja sua intenção ver sua foto enfeitando paredes, canecas, camisetas, livros, sites, etc. sem que você ganhe nada com isso) nunca poste escolhendo qualquer modalidade do Creative Commons. Lembrando que o crédito é sempre obrigatório.
  4. Escolha preferencialmente a opção “Todos os Direitos Reservados”.
  5. Não dê permissão para download de suas fotos.
  6. Insira sempre o exif constando seu nome e dados pessoais. Utilize o Photoshop, o Lightroom ou programas semelhantes, assim a sua foto já subirá para o sistema com os dados inseridos.

Enfim, o Flickr continua sendo muito prático e um bom local para expor suas fotos a prováveis clientes e/ou amigos, mas fique atento aos detalhes acima mencionados.  Para venda existem diversos sites de Stock, todos se protegem bastante quando o assunto é o Direito Autoral e o Direito de Imagem. O que acaba sendo bom para ambas as partes.

Obs.: A intenção do artigo não é me posicionar contrario a postagens sob licença Creative Commons, pelo contrário, considero que seja um tipo de licenciamento de âmbito mundial que muito tem auxiliado na divulgação e aprimoramento de novas ideias, principalmente no campo da tecnologia. No entanto quem faz uso da mesma deve conhecer suas aplicações e implicações.

http://blog.flickr.net/en/2014/11/26/a-closer-look-at-flickrs-curated-wall-art-collections/

 

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Erico Mabellini

Erico Mabellini, com mais de trinta anos de experiência como fotógrafo, trabalhou nas mais diversas áreas: moda, fotojornalismo, publicidade, eventos, documental.... É também jornalista e graduado em Direito, com especialização em Direito Autoral e Direito Ambiental. Leciona Fotografia e História do Direito. Fundador a editor da ONG Tribuna Animal, atualmente dedica-se à fotografia de animais e natureza.

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