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Você idealiza a foto antes de clicar? 4.82/5 (74)

Olá, este é o meu terceiro artigo no Fotografia-DG e semana passada eu estava dando aula para um grupo de alunos de um projeto de inclusão social em igrejas aqui em Orlando – FL, e um aluno ao ver algumas fotos minhas me questionou como eu faço para saber o que vai sair na foto. Bem, como era a primeira aula e ainda falaríamos muito sobre isso, resolvi escrever esse artigo de forma bem simples como eu penso antes de clicar. Acredito que cada um tenha uma linha de raciocínio que no final não deva ser muito diferente, mas vamos lá!!!

ah… se você ainda não leu, estes foram os meus artigos anteriores:

Primeiro de tudo eu quase sempre fotografo em modo Manual “M”, pois é nesse modo que tenho total controle da minha exposição, dessa forma eu não permito que a câmera decida por mim. Vale lembrar que temos muitos fatores fundamentais que irão influenciar a exposição, porém vamos pensar aqui no “tripé” da exposição que são: ISO, Diafragma e Obturador.

Na minha lógica o primeiro passo é analisar a luz do ambiente em que estou e então defino o ISO. Falarei mais tarde que o valor que escolhi do ISO poderá ser alterado como fator para compensação da exposição. Dessa forma podemos imaginar que se eu estou na praia ou num campo aberto com sol forte, devo definir um ISO baixo que vai estar entre 100 a 400 no máximo. Mas se estou dentro de uma residência com luzes de janelas entrando, possa ser que um ISO 800 me atenda melhor, e assim vou aumentando o valor do ISO para ambientes mais escuros como salões de festas ou fotos noturnas em que eu não possa usar de um outro recurso como o uso de um tripé ou de um flash, por exemplo.

Meu segundo passo é definir o efeito que eu desejo para a foto. Preciso pensar se quero o efeito congelado, o efeito borrado, o efeito de baixa profundidade de campo, o efeito de alta profundidade de campo ou até mesmo se quero ruído na imagem. Assim escolho quais parâmetros irei utilizar. Conforme vimos na ilustração anterior o diafragma cria os efeitos de baixa ou alta profundidade de campo, o obturador cria os efeitos congelado ou borrado, e o ISO cria o efeito de ruído da imagem.

Após a definição do efeito é hora da compensação, onde estarei alterando o valor da terceira perna do “tripé” da exposição. Exemplo: Se inicialmente tinha definido um ISO baixo, vamos pensar em 400, em seguida quero o efeito de congelar o movimento de um menino andando de bicicleta, então coloco o obturador com velocidade de 1/500. Me resta acertar o diafragma com fator de compensação para “zerarmos” o fotômetro e termos uma boa exposição. Se ainda assim for necessário, posso novamente voltar no ISO e fazer um novo ajuste para alcançar a minha exposição desejada.

Vamos ver alguns exemplos:

1º exemplo

Cenário: crianças brincando de correr no chafariz. Ambiente externo com sol bem forte.

Qual a intenção da foto: congelar o movimento das crianças.

Passo 1: definir o ISO.
Conforme o cenário vamos colocar o ISO baixo, neste caso o ISO 100 foi mais do que suficiente.

Passo 2: Definir o efeito.
Congelar o movimento das crianças me obriga a colocar uma velocidade alta que reduz a entrada de luz. Neste caso utilizei 1/500. Reparem que a água do chafariz também ficou congelada criando um efeito bem legal.

Passo 3: Compensar a exposição.

Me resta acertar o diafragma para acertar a exposição. E como pode ser visto na imagem fiquei com uma profundidade de campo média para alta, no qual utilizei um diafragma f/7.1.

Passo 4: Não foi preciso compensar no ISO, até porque já estávamos em 100 e não queria aumentar para evitar mais entrada de luz.

2º exemplo

Cenário: roda gigante de um parque a noite.

Qual a intenção da foto: borrar o movimento das luzes da Roda gigante.

Passo 1: Definir o ISO.
Conforme o cenário poderíamos pensar em colocar o ISO alto por ser uma foto noturna, porém como eu estava usando um tripé e poderia deixar a velocidade bem lenta para compensar a entrada de luz, eu mantive o ISO 100 evitando ruído na imagem.

Passo 2: Definir o efeito.
Borrar o movimento das luzes da roda gigante. Ou seja, vamos deixar o obturador lento. Consegui esse efeito com 5s de velocidade do obturador.

Passo 3: Compensar a exposição.

Me resta o diafragma e temos uma observação bem interessante nessa foto. Repare o efeito “estrelinha” nas luzes dos postes. Esse efeito fica mais aparente quando utilizamos de diafragmas mais fechado. Neste caso utilizei em f/18.

Passo 4: Não foi preciso compensar no ISO, pois por estar com tripé pude compensar no tempo do obturador.

3º exemplo

Cenário: paisagem com montanhas ao fundo e detalhes de uma morada simples no Canyon em primeiro plano.

Qual a intenção da foto: alta profundidade de campo.

Passo 1: Definir o ISO.
Neste caso, também devido ao sol forte, comecei com um ISO 100, porém repare que no final compensei o ISO para 320.

Passo 2: Definir o efeito.

Queria alta profundidade de campo para que pudesse pegar detalhes do pico da montanha com neve no fundo e também do início do terreno árido junto com a casinha, o trailer e a caminhonete.
Então coloquei o diafragma bem fechado em f/13.

Passo 3: Compensar a exposição.

Para compensar a exposição utilizei de uma velocidade rápida, no caso 1/320s que me ajudou a não ter movimento na vegetação seca em primeiro plano.

Passo 4: Dessa forma acabei fazendo a compensação final aumentando o ISO para 320 para não ser preciso baixar a velocidade ou reduzir a profundidade de campo.

4º exemplo

Cenário: Uma gata na minha sala longe da porta de vidro (entrada de luz).

Qual a intenção da foto: baixa profundidade de campo combinado com o efeito congelado. Muita nitidez nos olhos da gata.

Passo 1: Definir o ISO.
Essa gatinha é de um casal de amigos e passou uns dias em casa enquanto eles viajavam, voltando para o cenário e para definir o ISO, por ela estar dentro de casa eu subi o ISO para 800 e peguei uma lente 105mm macro para atingir detalhes no olho.

Passo 2: Definir o efeito.
O efeito aqui foi combinado entre baixa profundidade de campo e alta velocidade, assim primeiro eu abri o diafragma para f/3,2 resultando baixíssima profundidade de campo, principalmente por ser uma característica das lentes macros e por estar fotografando bem de perto, cerca de um metro do animalzinho.

Passo 3: Compensar a exposição.
Para evitar um borrão num simples movimento do animal, eu aumentei a velocidade para 1/500 atingindo a exposição ideal.

Passo 4: Não foi necessário alterar o ISO, mantendo em 800 desde o início.

 

A fotografia começa a se tornar bem mais fácil quando pensamos no passo a passo, ela vai se tornando automática na nossa mente e quando menos percebemos tudo flui muito naturalmente, da mesma forma que dirigir um carro onde muitas vezes quando alguém pergunta se você freia com o pé esquerdo ou direito, você tem que parar alguns segundos para pensar e responder, porque já se tornou automático em sua mente.

Uma dica legal é você folhear uma revista e analisar as fotos como podem ter sido tiradas, seguindo os exemplos acima já se pode descobrir muita coisa, mas vá além, análise a luz, as sombras, a origem da luz. Em alguns casos perceberá que foi utilizado mais de uma fonte de luz.

A prática é fundamental para a sua evolução e por isso eu sempre digo, fotografe, treine, erre, persista e perceberá gradativamente o aumento da qualidade de suas fotos.

Um grande e fraterno abraço !!!

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Claudio Castanhola

Cláudio Castanhola é formado em Análise de Sistemas, sendo pioneiro no mercado de impressão digital, fine art e fotografia, onde atua há quase 30 anos. Nasceu na cidade maravilhosa do Rio de Janeiro, mas é Deus quem abre suas portas pelo mundo. Atualmente passando uma temporada nos EUA para estudos tem se destacado em fotos de casamentos e ensaios de família, além de ministrar cursos presenciais e online.

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